Pilares Da Internet

Teles querem taxar conteúdo na internet

Para que a Internet aberta continue crescendo, é preciso repensar seu modelo de financiamento. As Teles dizem que do jeito que está, o modelo de Internet não é sustentável. Por isso, estão querendo cobrar a conta dos investimentos em infraestrutura das Empresas de Conteúdo. Companhias como Google, YouTube, Facebook, Yahoo são a bola da vez.

Os 4 Pilares da Web

É bom frisar que são 4 os pilares a serem atendidos na equação do custeio do crescimento da rede mundial:

  • Backbones:  É a infraestrutura de grande porte por onde trafegam os dados, em geral, fornecida pelas Teles, detentoras das outorgas $$$ para prestar o serviço. Há 20 anos, até o final da “era de ouro” da telefonia, estas empresas lucravam com o tráfego de voz (telefonia, DDD, DDI, etc). Com a chegada da Internet, o mercado de tráfego de dados passou a ganhar escala e interesse para as mesmas;
  • Provedores (de acesso): Na primeira onda da Internet, eram os responsáveis pela autenticação (login/senha) e por fazer chegar a infraestrutura na porta dos clientes. Hoje em dia, são espécies em extinção nas capitais, porque as Teles abrem suas próprias empresas de conexão, e o usuário fecha o pacote. No interior e demais rincões, ainda prestam um valoroso serviço, recebendo e enviando o tráfego local para os backbones;
  • Usuários: a peça essencial, capazes de fazer todas as demais engrenagens se moverem;
  • Conteúdo: os provedores de conteúdo são os inúmeros Websites, Portais, Blogs e Redes Sociais, quer pertençam a empresas de comunicação ou não.

Por que as Teles querem taxar conteúdo na Web?

As Teles alegam que há um desequilíbrio, na medida em que para elas sobra o investimento e para empresas de conteúdo, o filé mignon das verbas publicitárias.

  • Perspectiva das Redes Sociais: para Twitter, Facebook, Yahoo, Google, etc, interessa o aumento de tráfego, que atrela o aumento do interesse de anunciantes e as possibilidades de lucro.
  • Perspectiva das Teles: todo esse aumento de tráfego é visto como aumento de custo, já que manutenção de redes, de backbones, de roteamento de tráfego é oneroso, e custa bem caro. Por esse motivo, já que as empresas de conteúdo tanto se beneficiam do aumento de tráfego com venda de publicidade e ganhos indiretos, e já que dependem visceralmente da infraestrutura das Teles, natural que fossem obrigadas a pagar um pedaço da conta.
  • Perspectiva dos Usuários: Para os usuários, o problema é o de sempre: qualidade e preço. Problemas como o da Europa, onde a União Europeia já investiga o boicote que o Skype vem sofrendo, já que o software tem um impacto significativo na diminuição de receitas das Teles.
  • Perspectiva dos Conteúdos: Um confronto que mobiliza autoridades mundo afora, é a defesa do princípio da neutralidade da web, conceito pelo qual todos os conteúdos circulam pela internet sem distinção de formato, origem ou destino.

Como se vê, não é só um confronto econômico, mas de ideologias sobre a forma como a Internet deveria funcionar.

Teles e a pressão no mercado de Telecom

Em grande medida, devido à improdutividade a que as Teles se acostumaram. Em parte também porque a convergência tecnológica e as inovações acabam diluindo fronteiras de regulamentação e de mercados de conexão. Concorrências impensadas há 10 anos, estão aí.

A grande virada das TVs pagas foi invadir o mercado de dados. Com as principais capitais já cabeadas, também são concorrentes no mercado de telecom. O acesso móvel (Wimax, Wireless, 3G, 4G, etc) também concorre, pressionando. A equação do equilíbrio ainda é difícil.

Teles e a pressão da universalização

Como universalizar a Web e ainda baixar o preço? Como levar a banda larga para o interior, sem comprometer a saúde financeira? Como ofertar as modernidades tecnológicas, que lá fora já existem, com a infraestrutura obsoleta? São alguns dos desafios.

No Japão, país com uma infraestrutura de Web invejável, é comum uma fibra-ótica de 100Mb chegando nas residências, alta qualidade e custo em torno de U$50 dólares.

No Brasil, com os mesmos U$50 dólares, você terá 25Megabytes (há 5 anos, em 2009, era no máximo 10mb). Além disso, informam na letra miúda dos contratos que só garantem 10% dos Megabytes contratados. Quem contrata 25Mb e não o recebe regularmente, não pode ficar satisfeito. Certamente não é essa inclusão digital que permitirá o país crescer.

Um novo modelo de financiamento

Não tenho nenhuma saudade do modelo “minutagem”, o modelo de financiamento herdado da era da telefonia. O modelo atual ainda é centrado no “cliente”, aquele que paga as contas. Mas os usuários querem é oferta de novos serviços: VoIP no celular, WiFi espalhado pelas cidades, conectividade, mobilidade, estabilidade, e tudo integrado.

O brasileiro já passa horas conectado e nas redes sociais e, mesmo com a cambaleante banda larga, no fluxo das conversas fluem os anúncios e os negócios, então está ótimo para as empresas de conteúdo. Mas as Teles querem entrar no jogo, um menage-à-troi. Se as Teles fornecem a plataforma para essa relação, querem receber “tarifas”, equilibrando os ganhos. De fato, parece lógico.

Está claro que as Teles vão pressionar. Agora, se essa tarifação vai mexer com o nosso bolso, só mesmo acompanhando os desdobramentos.


Fontes:
Valor Econômico, Gizmodo, Terra,

Alexandre Mello

Multitarefas │ digital por formação │ pós-graduado por convicção │ empreendedor social │ autor │ conteudista

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