Blogs sem código de ética, sem polÃtica editorial e sem rumo tornam a Internet um território sem lei.
O problema surge na esteira das novidades, com o ritmo das inovações tecnológicas, que atuam mais rápido que quaisquer avanços legais.
Há também um choque de gerações: blogueiros desta geração (con)vivem com regras definidas por legisladores de outra.
Como conciliar?
Esse texto é uma complementação de A Saga dos Probloggers.
Na teoria…
Os Direitos Individuais são reconhecidos em Lei. As democracias respeitam a auto-expressão e a liberdade de pensamento – direitos fundamentais, inalienáveis.
Além disso, sociedades democráticas definem o estatuto do Bem Público. Entendem-no como fruto de direitos coletivos. Então, cidadania, participação em uma cultura, acesso à informação e ao conhecimento, entre outros, são exemplos de direitos coletivos.
Na prática…
Passar da situação idealizada para a situação realizada exige amadurecimento cultural do povo, o que, digamos, no caso do Brasil, não é fácil.
Toda lei (generalizando) é baseada em conceitos ideais para o objeto de que tratam, conceitos estes supostamente já amadurecidos, prevalecendo o bom senso (ok, nem sempre!), a justiça e os direitos humanos.
Choque de gerações
No mundo digital, como dissemos, há o descompasso atores – legisladores. Sem falar das várias interpretações sobre direitos adquiridos, já que essa nova geração tem o mantra do acesso irrestrito, que se entende detentor de direitos plenos sobre tudo.
Naturalmente, estamos falando de uma necessidade de auto-afirmação, de uma geração que tem a necessidade de estabelecer seu padrão cultural próprio. Portanto, não se trata somente de direito de propriedade…
Boa parte da ‘velha’ geração acostumou a viver um mundo de injustiças, apegada a valores sociais anacrônicos. O velho mundo parece não gostar de mudanças.
A tecnofobia vira desculpa para não fazer nada e, se alguma coisa dá errado, a culpa é da cultura digital. Parece piada!
Minha inteligência exige respeito
Tem muita gente dizendo que a exclusão não tem solução. Como se isso nada tivesse a ver com ética e práticas culturais superadas.
A palavra “limite’ poderia ser um importante balizador de ações, mas acaba sendo confundida com censura. É o caso da liberdade que, sem responsabilidade, vira “faca de dois legumes”, como diria a minha sobrinha engraçada.
Ou quando o nosso direito pode prejudicar o direito dos outros, nos casos de sobreposiçõo de direitos. Na blogosfera, tem gente que defende o direito a falar o que quiser, mas não gosta de ouvir o que não quer.
Avançando a cidadania
Para o meme da nova cidadania avançar, é preciso apurar o trato com o universo do respeito ao ser humano. São essas coisas que precisam ser pensadas.
Um fato não muda: Blogs são os arquivos de memória de uma geração. Registrados para quem quiser ver.
As pesquisas acadêmicas estão aÃ, buscando compreender como pensa e como se movimenta esta geração online.
Em dez anos, digamos, quando o patamar atual evoluir, vamos nos arrepender do que escrevemos?
Vamos sair apagando as centenas de links, e pedindo ao mundo que nos esqueça? Ou vamos escrever o livro dessa geração, que viu a Internet nascer, e de como é bom aprender nos debates que através dela se pode participar?
Comentários? Vamos discutir, gente…
Abç. Alexandre


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