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Psicologia e Valores

Resenha do artigo: The Role of Value in the World of Psychology, de Howard H. Kendler (1999)

O papel do valor no mundo da Psicologia: De um lado vê-se o Positivismo na defesa de que os fatos não podem ter valor moral e, do outro, o Holismo, considerando que os valores podem ser revelados de uma maneira científica.


Ao tecer discussões a respeito da natureza da ciência, revela-se um contraste entre a compreensão da realidade pela ciência expressa na dicotomia entre experiência subjetiva e objetiva.

Ao configurar a relação holismo e valor, a tentativa de dar uma justificativa ao valor no mundo da ciência, considera os fatos como capazes de justificar valores, o que contradiz a dicotomia fato/valor, ao negar uma relação lógica ente os dois.

Neste sentido, o autor argumenta que a fórmula holística pode justificar posições morais que são completamente opostas às visões expressas pela Gestalt e os psicólogos humanistas, abrindo a possibilidade de qualquer sistema ético ser justificado pelo racionamento holístico, o que configura um questionamento ético a respeito da moral ambígua do holismo.

Entre o adequar-se às necessidades morais da humanidade e a rejeição da ciência como autoridade moral, Psicologia e Política Social se cruzam, e o papel da Psicologia na contribuição da resolução de questões sociais se faz questionado.

Assim, o lugar do valor na Ciência Psicologia tem sido analisado de perspectivas combinadas da dicotomia fato/valor e da inevitável ascendência da moral pluralista em detrimento da moral monista.

Embora a Psicologia não possa validar princípios morais, a investigação da moralidade como campo de investigação científica não precisa ser evitada pelos psicólogos.

Os profundos questionamentos éticos suscitados a partir dessas conclusões, muitas vezes de cunho neutro e preconceituoso, apontam para fissuras no método das ciências naturais que falha em validar princípios que deveriam guiar a conduta humana, embora não livre os cientistas de obrigações morais na democracia. Outro paradoxo difícil de explicar!


Vamos refletir!!!

Karine Brito

Mestranda PSTO-UnB

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2 Comentários to “Psicologia e Valores”

  1. Pois é

    Eis aí a velha dicotomia epistemológica…

    A Ciência, por dever de ofício e mania cultural, fragmenta o cosmos, para poder entendê-lo. Isola os agentes de seus objetos, os fatos de seus valores.

    O psicólogo que abre mão de avaliar o papel da intencionalidade, torna a Psicologia uma ciência utilitária, coisa que ela não é – ou não deveria ser.

    A teoria monista pode não ser digerível no primeiro momento, mas quem disse que a realidade tem que ser totalmente apreensível pelos 5 sentidos?

    Já que a “Ciência” é uma instituição social, sem cara e sem rosto, cabe aos novos cientistas, seus representantes do futuro, abrirem-se para as investigações limítrofes, deixando de lado seus tabus e apriorismos.

    Só assim encerrar-se-á a cisão materialismo x subjetivismo.

    bj. Alexandre

  2. Karine Brito disse:

    Alex,

    Amo muito você…isso certamente o cosmo não fragmentará ;)

    A Psicologia tem muitos desafios pela frente… pra se consolidar enquanto ciência, numa luta incessante… de um lado o Positivismo, imposto como modelo oficial de Ciência… e do outro, as tentativas multidirecionais de um “fazer ciência” sob o paradigma social, humanista, não exato…

    A Psicologia vem conquistando um lugar ao sol com muito esforço mas, ainda assim, há pouco consenso entre as suas próprias vertentes…

    Entretanto, porém, todavia… ainda é, para mim, uma Ciência Prodígio, que tem muito a descobrir pelos e para os 5 sentidos… isso que é valor, não acha??

    Gracias pelas contribuições,
    Bjs Ka

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