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Olhar Cidadão e a Força das Comunidades

Na intenção de buscar uma síntese esclarecedora – e provocadora – para o constructo cidadania, me permito analisar 8 (oito) aspectos que mais sobressairam na pesquisa.

Ao googlar, encontrei boas referências com diferentes perspectivas…

Já que é para construir conhecimento compartilhado, o mais justo aqui é tentar capturar um pouco de cada aspecto.

Vamos lá?

1.) Cidadania também é Participação -
Estreou hoje o quadro “Olhar Cidadão”, um spot de jornalismo participativo inserido dentro do DF/TV, da Rede Globo. Acho que o quadro, na linha do chamado movimento jornalismo cidadão, é experimental porque não vi menção nos demais telejornais da emissora, em outras capitais.

O primeiro assunto selecionado foi o “barulho de ônibus saindo da garagem na madrugada, nas proximidades de áreas residenciais”. O cidadão foi lá, mostrou seu olhar, fotografando tudo e enviando para a portaria da TV Globo, que foi ao local, de madrugada, e fez a reportagem completa.

O cidadão expôs-se, deu a entrevista, argumentou com firmeza e explicou direitinho o motivo da denúncia. A outra parte também foi ouvida, já que dois motoristas de ônibus que passavam aceitaram parar para dar suas versões, um a favor e o outro contra a proposta óbvia de mudança do itinerário irregular.

2.) Cidadania também é Observação -
Alberto Dines publicou em 2001 o texto Um Olhar Cidadão, comemorativo dos 5 anos do Observatório de Imprensa, que explica bem esta questão.

Segundo o autor,

[...] o ato de observar é uma forma de intervir. Ao observar, pensamos, ao pensar, existimos. E ao existir, atuamos. O observado sabe que está sendo observado e toma cuidado; o observador, sabendo disso, redobra a observação [...]

Afora o inteligente slogan Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito, o que o Observatório de Imprensa proporciona é mais uma janela de debates onde a participação cidadã é reconhecida como verdadeiro contraponto ao (sempre discutível e relativo) poder da mídia.

3.) Cidadania também é Percepção Assertiva -
Segundo Jung, existem vários mecanismos psicológicos e sociais, afora o biológico (a ponta do iceberg), por detrás da mente humana e várias formas de distorção conscientes ou inconscientes da realidade.

Em alguns casos, forçamos a barra conscientes mesmo, por pura preguiça mental ou autocorrupção, por exemplo, quando lutamos contra evidências e escolhemos nos concentrar em visões e conceitos ultrapassados, apegados aos ganhos secundários, ou mesmo pela dificuldade em superar modelos mentais cristalizados.

Em outras situações, são nossos mecanismos de defesa do ego (inconscientes), um conceito freudiano para expressar tentativas de solução de conflitos internos através de mecanismos vários que acabam por impedir que enxerguemos a realidade como é de fato, sobretudo quando as mesmas nos são desagradáveis, inconvenientes, trazem dor ou necessidade de mudança.

Daí que um novo olhar para o mundo exige primeiramente um olhar assertivo sobre nossas verdades (e valores).

4.) Cidadania também é Solidariedade -
Solidariedade é encontrar juntos caminhos para problemas comuns. A comunidade de apoio Estou na Vida a PC, assim como inúmeras outras comunidades de apoio, reúne pais, especialistas e informações pertinentes ao problema comum que os une, no caso, formas de lidar com a paralisia cerebral e deficiência motora de amigos, familiares e pacientes.

Selecionei a mãe do André – o carinha bacana e sorridente aí da foto porque ela dá seu relato emocionada, dizendo que só pôde sentir o filho, já grandinho, ao se permitir um novo olhar, ao questionar e superar seu próprio preconceito social, aprisionador e mantenedeor da “invisibilidade” do filho que, na foto, esbanja alegria.

Talvez seja pela conquista da própria mãe :)

5.) Cidadania também é Educação -
Como todos sabemos (ou deveríamos saber), educação extrapola escolas e aulas de evangelização. No olhar convencional, a palavra aluno (do latim a + lumnis = “aquele que não tem luz própria”) já representa um preconceito em si mesma.

Em tempos de violências sociais tão evidentes, desdenhar necessidades e particularidades comunitárias é tão ineficaz quanto ignorar tradições culturais distintas.

As pessoas precisam de auto-estima, de sentir que estão “vivas”, de participar porque tem algo a dizer. Já não se pode falar só em como a Educação pode mudar o destino de uma Comunidade, mas em como as Comunidades vão impactar o destino da Educação.

Eis um olhar alternativo: o casamento de Educação e Comunidade, de aprendiz e cidadão, na nova geografia do aprendizado do bairro-escola, conceito possivelmente extensível à cybergeografia do cyberespaço.

6.) Cidadania também é Ação Coletiva -
A racionalidade nos faz agir em função do discernimento, que é fruto da experiência elaborada, entre outras coisas, a partir do que percebemos do mundo. Se não fôra assim, seríamos mais instinto e menos cognição.

Da qualidade das nossas percepções e valores dependerá a qualidade das ações empreendidas. O custo social da não renovação é uma geração de idionautas repetindo os maus hábitos da geração anterior – os vidiotas.

7.) Cidadania também é Informação Livre -
Uma sociedade que centraliza sua informações e seu conhecimento é, na verdade, uma sociedade doente, incapaz de compartilhar o que sabe e de incentivar cidadania em vários níveis.

Ao centralizar a informação e a comunicação, a pretexto de criar um sentimento de nacionalismo (slogan corriqueiro da época da ditadura), o que se produz, no longo prazo, é a debilidade nas atitudes, o pensamento único e a lavagem cerebral, incompatíveis com o próprio conceito de cidadania, quiçá, de cidadania global.

O discernimento precisa de pluralidade para amadurecer. Mais que ser desagradável, o contraponto é uma necessidade à formulação do bom juízo.

8.) Cidadania também é Emancipação -
O sonho de alguns, de um Estado imenso, centralizador, executor, vigilante, paterno e eternamente provedor, pode muito bem ser contraposto pelo sonho de outros, menos mitomaníacos, de um Estado apenas orientador e emancipador.

É pedir demais para se pensar em normas inteligentes que dêem liberdade para que sua gente mesmo se organize, que faça brotar talentos em todas os níveis, em todas as classes?

O futuro pode e deve ser conquistado. É completamente diferente da noção populista de outorgar o futuro. Só pensa assim quem quer viver de explorar a miséria das massa com as eternas manobras políticas eleitoreiras.

e_dai.jpgVocê que leu até aqui, ou é muito meu amigo ou quer saber o que escondi para o final, né?

Pois não escondi nada. Eu é que quero saber se você concorda ou discorda dessa minha Sociologia do Bom-Senso?

O que a cidadania é mais pra você? Comenta aí! Quem sabe completamos o decálogo juntos…

Abç. Alexandre

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3 Comentários to “Olhar Cidadão e a Força das Comunidades”

  1. [...] bom. Só o Mello pra umas indicações dessas. Pelo menos do povo que eu conheço, ele é um [...]

  2. João de Barros disse:

    quero saber sobre a ‘comunidade de aprendizagem’ ou comunidade aprendiz.

  3. Caro Jo?o,

    Projeto Aprendiz foi idealizado por Gilberto Dimenstein, em 1997. A melhor forma de você conhecer o projeto é navegando pelo site, mas antes recomendo uma leitura do histórico resumido do projeto (acesse pelo link abaixo), clicando em “Associação > Institucional > Quem Somos > Histórico”:
    http://aprendiz.uol.com.br/homepage.view.action

    Espero ter ajudado.
    Alexandre

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