Reflexoes Sobre O Trabalho Parte3

O sentido do trabalho

Post Series: 10 refexões fundamentais sobre trabalho

Como fica a sintonia do que fazemos para viver com o que somos como pessoa? Como o trabalho se relaciona com nossos relacionamentos, a questão da qualidade de vida e o sentimento de gratificação, que é a busca de sentido naquilo que fazemos?

8- Trabalho e relacionamentos

Já ouviram a frase “sozinho se anda mais rápido, mas em grupo se vai mais longe”? Pois é, refere-se à necessidade de se ter vida social, de aprendermos a compartilhar nossa experiência e conviver com as demais pessoas. Mas isso dá trabalho, né?

Se observar bem, vai ver que as relações humanas são ambíguas: uma parte das pessoas com as quais convive te mostram caminhos alternativos, te ajudam a superar desafios, a mudar e se tornar uma pessoa melhor mas, a outra parte, por afinidades ou por interesse, acaba servindo para reforçar seus maus comportamentos, induzindo você a se manter eternizar no mesmo padrão — um marca-passos evolutivo.

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A vida profissional, ao contrário do que o senso comum assinala, não é feita só de bajulações, fofocas, mentiras, inveja e trapaças. Nem toda empresa produz ambientes tóxicos, com relações problemáticas e doentias.

Qual o ponto de equilíbrio? Faça o dever de casa: aprimore o senso de observação e diagnóstico para saber se o local onde atua, se a marca que representa e se a empresa que trabalha tem a ver com você, com a sua ética, com a sua necessidade de aprimoramento. Dessa análise dependerá sua próxima reciclagem profissional 🙂

9- Trabalho e qualidade de vida

A super-mulher

O exercício dos múltiplos papéis — mulher, mãe, lider e profissional bem sucedida — é um desafio comum nos tempos atuais. A revolução feminina que libertou a mulher da subcultura do lar é a mesma que a empurra para a supercultura do mercado, dominada há milênios pelo macho, que agora se ve ameaçado no seu status quo dominante.

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A mulher — esse ser obstinado, verdadeiro estranho no ninho — enquanto se adapta à emancipação, lutando para se empoderar, ainda padece das lavagens cerebrais culturais que a fazem titubear da nova condição. Seria mais interessante que expusesse a questão abertamente ao marido, que é a pessoa número um nessa renegociação de papéis.

O que torna o desafio de conciliar trabalho e vida pessoal tão conflitante? As dissonâncias. Ninguém gosta de admitir dor, sofrimento ou derrota. Somos culturalmente doutrinados para sermos vencedores e para estigmatizar os fracassos e os fracassados.

Emoções e sentimentos precisam fluir

Você encontra um vizinho no elevador que te dá “bom dia”. Você pensa: acordei com enxaqueca, acabei de dar uma bronca no meu filho que não quer estudar, e minha esposa ainda me chamou de grosso. Mas vai abrir o sorriso orgulhoso e dirá “bom dia”. São padrões que se repetem em casa, no trabalho, e vão se acumulando. Seu projeto não foi aprovado? Não bateu a meta para o mês? Poxa, devo ter me esforçado pouco, trabalhado pouco, ou sou incompetente mesmo.

Na próxima vez, farei 10 vezes mais, 50 vezes mais. Quer dizer, você não questionou a necessidade, a dificuldade, a urgência, os métodos, os instrumentos, o mercado, os preços. Nada disso, ao invés de se perguntar “eu gosto de fazer isso”, “eu quero fazer isso”, “eu sei fazer isso”, questionou seu esforço, sua competência. Alheio à resposta, concluiu que trabalhando mais um pouco, solucionaria a questão.

O que significa? Significa que se está a reprimir emoções. Para Freud, essa postura cômoda de autoproteção é um mecanismo de defesa do ego primário — a “máscara” do fingimento. É aí que o “deixa como está para ver como é que fica” toma conta. Dois extremos: se afundar “cegamente” no trabalho sem refletir sobre as emoções conflitantes e se afundar “cegamente” nas emoções, se alienando dos conflitos no trabalho.

Com o passar do tempo, se a pessoa se vicia em “fabricar emoções falsas”, se não reconhece que as demandas pessoais e profissionais precisam ser atendidas na mesma medida, tenderá a anular uma em função da outra. Esse mecanismo psicológico de autosabotagem tem chance de te exaurir brevemente e impedir que viva plenamente.

10- Trabalho e realização pessoal

Hora de falar sobre felicidade. O que torna a aventura humana tão bacana são os caminhos que percorremos, as escolhas feitas, as lições aprendidas. Felicidade aparece na grandeza do percurso, na superação da dificuldade, no saboreio da conquista, na vitória perante o desafio. Felicidade não é um status ou um objetivo em si mesmo.

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O trabalho é daquelas coias que fazemos na vida, que deveriam justificar a vida, e uma vida plena. Mas há que se identificar o sentido do trabalho e se sentir gratificado com isto. Há que se descobrir um melhor ser humano durante a jornada. Só a nós próprios cabe dimensionar o proveito que fazemos das oportunidades. O mais importante é tornar essa reflexão uma rotina, e que os ajustes se façam sempre que necessários.

Para a sabedoria evolutiva, toda vida importa. Todos nascemos destinados a melhorar, e a nos realizarmos. Só não se pode cair na armadilha de condicionar sua gratificação ao resultado obtido. O tempo de ser feliz é agora.

“Se aqui escrevo, é porque vivencio, pois sou autopesquisador, um pesquisador de mim mesmo”


Para aprofundar:

Confira a excelente entrevista de Silvio Meira sobre “Os 6 Cs do futuro do trabalho“. Revista HSM Management, março/2010. O novo paradigma não será o do trabalho em casa, como desejam muitos, e sim o de empresas deslocalizadas e de profissionais moldados segundo 6 Cs das competências.

Alexandre Mello

digital por formação │ pós-graduado em educação a distância │ curador de acervo audiovisual │ produtor executivo │ documentarista │ autor │ conteudista

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