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Mídia comunitária e o tempo da cidadania

Qual a importância social e editorial da mídia comunitária e das inúmeras revistas alegres, inovadoras, em qualquer cidade do país?

Recebo no condomínio vários jornais gratuitos, com matérias até que bem interessantes. Formam uma verdadeira rede de promoção de cidadania na cidade.

Como isso é possível?

Vejamos o caso de Brasília, onde moro…

Brasília, capital federal, é ponto de convergência de decisões que afetam todo o país. Aqui a mídia-comunitária é bastante difundida, na contra-mão da mídia oficia, essa bem prostituída – acaba se atendo às fofocas e os disse-me-disse do planalto.

Lógica da mídia comunitária
Como são edições pagas por anunciantes, circulam sem custo. Selecionei a Revista Saúde em Primeira Página, uma publicação alternativa para ilustrar a postagem.

O editor, Eduardo Vergara, é meu amigo. Profissional multitalentoso – experiente, empreendedor e com capacidade criativa muito acima da média.

Essa revista é um de seus projetos, que vi nascer. Com conteúdo despojado, aborda assuntos relevantes de forma leve, atenta, original e com toques de irreverência. Sem falar no design campeão!

A venda do espaço publicitário nem sempre fecha 100% e já vi o Eduardo colocar a mão no bolso para financiar alguma edição.

Outro dia, na TV Educativa, tinha gente do meio jornalístico comunitário dizendo que esse tipo de mídia é complementar à grande mídia. A diferença não é de qualidade, mas de abrangência, cabendo às mídias comunitárias as coberturas locais.

Eu acho que o modelo é válido, porque aborda poucos fatos, mas os aborda bem de perto. E também porque existe o tempo da cidadania, que é o tempo necessário para a cidadania florescer.

Exige muita leitura, estudo e percepção de ações possíveis. É também o tempo da mobilização.

Lógica da mídia convencional
O espaço que a grande mídia concede às mazelas sociais é desproporcional à compreensão popular, ao cidadão comum, perdido no meio do noticiário de violência, crimes, escândalos. Em Brasília, tudo se agrava.

O que o cidadão mais quer, o que mais precisa, complementarmente a pífia Educação que o Estado lhe dá, é ampliar seu mundo particular.

É poder ler em paz, constatando o valor de si próprio, da pessoa comum, as soluções viáveis para serem postas em prática já, para melhorar seu dia a dia. Enfim, seu papel no mundo, os fragmentos de mundo que ele entende.

E a grande mídia, o que faz?

Elimina o tempo. Trata tudo rapidamente e superficialmente. Tempera o discurso da podridão com o discurso do salvacionismo.

Sempre tem que ter na TV muita gente doida, louca, muito medo e insegurança e em seguida, meia-dúzia de figurões falando das teses e causas coletivas.

Uma das lógicas possíveis é que o cidadão que ouviu aquilo, renova a esperança e, se aceita, acaba achando bom e vai dormir “tranquilo”. É incrível, né. Primeiro a mídia azucrina a sanidade geral pra depois empurrar o discurso mágico.

E qual a outra lógica? Que a celebrização de [políticos] envolvidos em escândalos é implacável com a reflexão do cidadão comum, que pensa:  “Uai, se eles que estão no poder só aprontam, o mundo tá perdido mesmo”.

O valor da leitura
Por que não se discute o conceito de leitura útil?

Por que a grande mídia não faz sua autocrítica pra valer, para entender porque suas receitas vêm caindo ano após ano? Quem sabe podiam bancar a revisão de valores necessária à construção da nova cidadania…

O caminho mais fácil, engana. Difícil é mudar a mentalidade e o velho hábito de ficar ‘cozinhando’ notícia velha, como diria meu amigo Daniel Muniz, jornalista esforçado em promover a inclusão nos seus textos.

Crédito da imagem – SPP – Saúde em Primeira Página

Abç. Alexandre

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