Há 40 dias das Eleições 2010, as pessoas se perguntam: Teremos afinal uma mulher no comando?
Seria lembrada como a Eleição da Primeira-Mulher (sic), após décadas de Primeiras-Damas. Rarará…
Podem rir, mas hoje será sem moleza.
Em destaque, as cinco características que, teoricamente, inviabilizariam a candidatura líder das pesquisas e como o marketing político vem driblando as objeções.
Características essas que circulam pela internet em correntes intermináveis de spam-mails. Mas, não se pode negar, as pesquisas de intenção de voto estão aí, indicando a tendência.
O que, para mim, era um interessante estudo de mudança cultural tornou-se, também, pelo lado do marketing político, uma peça de ocasião.
Aos fatos…
1) a impopular e a “mãe” dos pobres
Pela regra do marketing do “coração”, quem não chora, não mama. Mãe é quem dá colo, quem protege. O truque é mediocre, mas funciona.
Colo de mãe é acolhedor? Nem sempre, né pessoal, mas vamos aqui pular a exceção. Com o bolsa-família, o colo abriga mais de 12 milhões. Funciona? Funciona…
No Brasil, A miséria e a miséria absoluta vem caindo, segundo o IBGE. Os otimistas falam em superação da miséria até 2016. Diz-se que só no governo PT, algo em torno de 20 milhões saíram da miséria. Beleza, né. Sinceramente, será que algum deles se importará em não saber pronunciar corretamente o nome da “mãe”?
O gaiato vai logo dizer: pra facilitar, se o Luis virou Lula, porque a Mãe não vira Mula? Rarará…
2) a desconhecida e a “mãe” do PAC
Não é brinquedo não, pessoal. Esse negócio de mãe funciona…
Quando não funciona, eles inventam uma biografia de aluguel. Sério, uma inovação. Com Mestrado e Doutorado (sic.) incompletos, seu academicismo andou um tempo “ajeitado” discretamente nos websites de perfil oficial.
E as atuações à época do PLANO REAL, 1994? Pensa que o PT apoiava o Plano de Estabilização? Boicotaram 100%… Esse mês, num debate, um branco de memória e uma confusão de ocasião, “salvaram-na” de admitir tal incoerência. Quando a biografia não favorece, melhor apropriar-se das realizações alheias. Deve ter aprendido com o padrinho, que denunciava o populismo e a despolitização por trás das “bolsas” e “cestas” básicas, em 2000.
O cúmulo no vale-tudo da candidata foi terem posto no ar uma fotografia de engajamento “turbinado”, como se fosse dela, na base do “parece mas não é”, usada como foto de capa no blog pró-candidatura, blog este que foi denunciado como propaganda indevida, por ter sido colocado no ar muito antes da data permitida….
Aliás, como ela é desconhecida das massas, o PT tem forçado a barra, colocando no ar propagandas eleitoreiras irregulares, fazendo uso político do espaço partidário gratuito a que tinha direito, mas isso já é outro assunto…
3) a truculenta e a realizadora.
Nos bastidores, sobram reclamações do pessoal que trabalha(ou) diretamente com ela. Agressividade, truculência, e uma propensão ao cinismo.
Aliás, no episódio do Dossier, logo após uma sindicância responsável e a eficaz perícia técnica, ficamos conhecendo o responsável pelo vazamento, o secretário de controle interno da Casa Civil, que lá estava por indicação Zé Dirceu.
O do mensalão? É, o próprio… por muitos apontado como “verdadeiro” sucessor no PT que, até hoje, continua influenciando nos bastidores os rumos do partido e quiçá, do governo. Daí porque o goela abaixo faz sentido…
Mas, com o jogo de palavras, tudo fica côr de rosas… Truculência torna-se “comando enérgico” e, na voz do chefe e padrinho – conhecido internacionalmente como “o cara” – ela é a “força capaz de reunir os contrários e unificar a ação do governo”. Então tá, né.
4) a doente e o slogan da “superação”
Ninguém chega doente e sai saudável do governo, porque lá a pressão é total. Mas o contrário, é comum. Doença é motivo de afastamento, de tratamento. Não há como contestar.
Nas mãos habilidosas dos estrategistas marketeiros, o “ela supera tudo” transcende a doença, generaliza-se qual metástase e incorpora-se a biografia. Eis, assim, o apelo para fabricar uma “vencedora”.
5) a ex-guerrilheira e o “era preciso mudar o país”
Slogan sem-vergonha esse. Mantra oportunista, de ocasião, é um sofisma de baixa categoria. Mesmo sem a devida denúncia da oposição, não há como apagar o passado revolucionário e a ambição comunista para o continente.
Então, o que fazem eles? Distorcem… Só um pouquinho… Ao invés de “revoltar-se” pela cadeia, melhor fazê-la declarar no horário político que é preciso “viver” a cadeia, “entender” como funciona, sentir a “dor” na pele. Sofrer, sofrer, sofrer… ufa… Percebem?
Daí que não creio na influencia do aqui exposto no voto de ninguém. Porque, quem é a favor, vai concordar, e quem é contra, não lerá até aqui mesmo…
Sendo otimista, fiquemos no estudo do gênero, com a reflexão:
A melhor notícia do ano pode até não vingar, mas é muito bacana saber que o protagonismo feminino é necessário sim, e chegou para ficar.
Pena que não possa dizer o mesmo do marketing político…
PS: Crédito da imagem vai para o Jornal da Tarde, pela charge e a interessante postagem.
Abraços
Alexandre


Categorias:
Tags: 







Olá Alexandre
Em acréscimo às suas observações divulgo, por ser de domínio público, a Opinião e Posição de um cidadão que já fez parte da resistência ao movimento de 31 de Março de 1964.
OPINIÕES E POSIÇÕES
(Heitor de Paola – psiquiatra e psicanalista)
O texto abaixo é uma carta que mandei para um jovem debatedor de outro grupo de discussão que me parece um democrata autêntico e sincero, mas submetido ao encantamento gramscista da moda.
Tudo começou quando ele escreveu: “Eu ainda prefiro a democracia petista aos anos de chumbo da ditadura de 64″
Apenas perguntei: “Você vivenciou os chamados “anos de chumbo” para poder afirmar isto”? E ele me respondeu que não precisava, pois também nunca viveu em Cuba e pode dizer que aquilo não lhe serve.
Como eu já estava querendo escrever sobre isto, estou aproveitando para postar neste grupo, também, onde alguém de fora há uns tempos se referiu aos “comunistas arrependidos” com desdém, se referindo a mim.
Caro R
Sabe por que você nunca viveu em Cuba? Porque os militares, a pedido da população, abortaram a tentativa de fazer do Brasil uma Cuba pelos mesmos que hoje, na “democracia petista”, estão no poder e vão tentar de novo, pode ter certeza. A frase do Olavo de que “a democracia leva à ditadura” é o que talvez venhamos a experimentar em breve e são as verdadeiras intenções dos “democratas” Zé Dirceu Genoíno e caterva. Pois eu vivi intensamente aqueles anos: em 64 eu já estava no segundo ano da Faculdade, era Vice-Presidente do Centro Acadêmico e, obviamente, como qualquer babaca daquela época, de esquerda, da AP (a mesma do Serra).
Estive foragido alguns dias, e fiquei dois meses preso. Perdi um ano de estudos. E me desencantei. Com as esquerdas, não com os militares. Em 68, inicio do ano, foi oficialmente lançada a “luta armada”. Eu participei das reuniões com gente vinda de Cuba, não é mentira não, eles estavam aqui fornecendo dinheiro e armas tchecas para tornar o Brasil uma outra Cuba a serviço de Moscou, como a original.
Não era nada de democratas em luta contra uma ditadura como hoje dizem: eram comunistas querendo instalar uma verdadeira ditadura totalitária!
Eu estudei os textos, meu chapa, não ouvi falar nem li em livrecos idiotas escritos por ex-seqüestradores. Sabe o que nos era indicado para ler? Mao Tse Tung, Ho Chi Min, Nguyen Vo Giap, Lenin, Che, Fidel e, como não podia faltar um francês, Régis Debray, o tal da “Revolução na Revolução”. Como descobri que eu era, autenticamente, um democrata- mas sem negar os riscos da democracia -, pulei fora e, acredite meus “companheiros democratas” me ameaçaram, a mim e à minha então namorada.
Como eu sou um ávido leitor de livros policiais e de espionagem inventei uma carta colocada no cofre de três advogados com todos os nomes e esquemas, para ser entregue no quartel mais próximo, caso algo ocorresse comigo ou com ela… e me livrei das ameaças!
Eu frisei que isto ocorreu no início de 68, porque hoje é dito que a luta armada foi desencadeada contra o endurecimento da ditadura com o AI 5, quando foi justo o oposto: o AI 5 foi conseqüência do desencadeamento da luta armada! Você me diz, com toda a sapiência de historiador: “Heitor, história é história”. E eu te respondo: história é um troço escrito por gente e, como tal, cada um puxa a brasa para a sua sardinha. Os reais vencedores de 64 foram os que escreveram estas mentiras que você, como tantos outros democratas sinceros, engole com facilidade!
Pois no Governo Castelo Branco – que hoje reputo como o maior estadista brasileiro do Século XX (tenho engulhos quando ouço dizerem que este idiota pomposo do FHC é estadista!) – e também nos primeiros anos do Costa e Silva, o Brasil era uma efervescência cultural. No teatro surgiram grupos como o Opinião que atacava publicamente o regime. A peça “Liberdade, Liberdade” era um libelo contra a”ditadura”. Surgiu “O Pasquim” que ironizava os “milicos” e o Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto) com seu FEBEAPÁ (Festival de Besteiras que Assola o País – como faz falta hoje em dia!) que não poupava ninguém. Juca Chaves, ácido crítico dos militares (sua modinha “Brasil já vai à guerra” devia irritá-los profundamente), cantava à vontade.
Aliás, ainda em 70 (Governo Médici), ele dizia o que bem entendia no Circo Irmãos Sdruws, no Parque da Catacumba, na Lagoa Rodrigo de Freitas, Rio. Isto não é história escrita, eu fui a três shows.
Ocorreram os Festivais da Canção, com as músicas anti militaristas de Geraldo Vandré – hoje um puxa-saco dos “milicos” da FAB – e as do Chico Buarque, entre muitas outras.
O Caio Prado Jr, comunista de carteirinha, publicava em sua Editora o que bem queria, bem como a Ed. Civilização Brasileira. A velha editora do PCB, a Editorial Vitória Ltda, editava e distribuía livros de Marx, Engels e Lenin. Sua sede ficava na antiga Rua das Marrecas (hoje voltou a se chamar assim), à época Rua Juan Pablo Duarte, no Centro do Rio, num sobrado que tinha sido a sede do Partidão no Estado da Guanabara. Isto, meu caro, não é história, fui à minha estante agora mesmo buscar um livro editado em 64 e que eu comprei livremente, em livraria aberta, em 1970 (Médici): “A origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado”, do Engels, de quem Marx era gigolô Em 1971, comprei da Editora Saga, também de orientação comunista, “A História da Revolução Russa” de Leon Trotski, em 3 volumes de lombada vermelha, como sói!
Se você não me chamar de mentiroso, ou como fez com a A. e o P., levar no sarcasmo hostil, vê se abre a tua cachola para algo que não seja a “história oficial”.
Houve sim uma guerra revolucionária em que ambos os lados mataram. Porque raios só os de um lado hoje recebem comendas, indenizações e aposentadorias milionárias, status de pobres vítimas; e os do outro são desmoralizados, suas corporações são sucateadas – como se mantê-las fosse só do interesse deles e não da Defesa Nacional cáspite! – têm seus soldos achatados e suas aposentadorias ameaçadas de serem tungadas para sobrar dinheiro para o BNDES mandar para a Venezuela?
Adiantando-me a algumas idiotices que já ouvi: não, meu caro, não sou puxa-saco de milicos nem o Olavo de Carvalho é meu guru Estou numa situação curiosa na qual a “tchurma” da esquerda me chama disto aí, e os nacionalistas de direita me chamam de entreguista porque não concordo com anti-americanismo obsessivo reinante. Incrível, não?
Para terminar, um pouco só de teoria histórica. Hanna Arendt – que já não é lida, sequer conhecida dos modernos “historiadores” – fez uma diferenciação entre regimes autoritários e totalitários, diferenciação esta que as esquerdas execram, pois põe a nu suas mentiras: “Os primeiros são regimes [como o de 64] em que alguns são perseguidos, mas não se impõem o pensamento único [tanto que a esquerda venceu no terreno "intelectual"]. Os outros são aqueles em que se impõe o pensamento único do qual não pode haver a mínima discordância [...senão, paredón!]. Nos primeiros, a imprensa é censurada [o que ocorreu aqui]; nos segundos, a imprensa é totalmente destruída só sobrando o órgão do Partido condutor das massas [seja o Pravda, o Granma, o Vöelkischer Beobachter ou o Popolo d'Italia].”
Leia algo mais dos que as cartilhas oficiais, que você só tem a se beneficiar.
Atenciosamente.
Heitor de Paola
Olá…
Apesar de achar “Revisionismo Histórico” e “História Não-Oficial” temas por demais importantes – eu mesmo tenho no acervo muito material sobre isto-, não tive a pretensão de abordá-los nesta postagem.
Considerando que o escriba citado é um tanto quanto “empolgado”, sem desmerecer que o faz com bons argumentos, pois escreve como insider, gostaria de ressaltar a importância da memória seletiva.
História, sobretudo a oral, é memória.
E é inegável que a História nunca é contada na perspectiva de quem não tem o poder, até porque a conveniência está presente na autobiografia…
Assim como a idealização (ainda que desconectada da verdade), o desejo (ainda que reprimido), a possibilidade (ainda que megalomaniaca), o medo (ainda que reativo) – enfim, o confronto do “imaginado” com o “encontrado”.
O fato é que para passar a história a limpo, é preciso saber que, dialeticamente, todos têm razão. Ainda que seja, apenas, pelas suas razões.
Abç Alexandre