Lolita é daquelas palavras que mexem com a cabeça dos homens. Na origem moderna do termo (déc 50), um romance polêmico de Vladimir Nabokov narrando a paixão de um adulto por sua enteada, chamada por ele simplesmente Lolita.
Anos depois, Kubrick leva o assunto pra telona e “Lolita” entra definitivamente para o imaginário popular masculino, juntamente com “Ninfeta”, ambas designando o estereótipo das jovens adolescentes sedutoras, sexualmente ativas.
Na Literatura:
Lolita Pille é uma francesa cujo nome já diz tudo. Estreou na literatura com apenas 19 anos. Seu livro Hell retrata uma jovem bela, rica e sedutora, com a vida lentamente destroçada pela futilidade e pelas drogas.
Num trecho, lê-se “Eu sou o mais puro produto da geração Think Pink, meu credo: seja bela e consumista. Mergulhada na loucura policefálica das tentações ostentatórias, sou a musa da deusa Aparência, no altar da qual eu imolo alegremente todo mês o equivalente ao que você recebe como salário”.
Lolita Pille que esteve no Brasil em 2005, para a 12ª Bienal do Livro, acha que sua precocidade é um atrativo irresistÃvel para a mÃdia. O clima de seduçao é onipresente, desde a frase de abertura: “Eu sou uma putinha”. Sua obra é confessadamente “semi-autobiográfica”. Ah tá!
Na Música:
Outra francesa, de nome Alizée, parece que já nasceu “Lolita”. Sua primeira música de trabalho vendeu mais de 1,5 Milhões de exemplares na Europa. Dois de seus vÃdeos J’en Ai Marre e Moi Lolita no Youtube, já contabilizam juntos mais de 2,5 Milhões de acessos.
Sempre produzida e vestida como a “eterna” adolescente, Alizée não escapou de ser clicada grávida de seu primeiro filho. Coisa de gente grande!
Se ficou curioso com o zi-ri-gui-dum da moça, clique para conhecer um pouco mais do Alizée World.
Na Telinha:
Acreditem se quiserem! Descobri que Mel “Anita” Lisboa mora num prédio, coincidentemente batizado EdifÃcio Anita. A minisérie “Presença da Anita” estreou em 2001, com alto Ibope. Na época, com 19 anos, seduziu metade do Brasil. A outra metade só escapou porque não quis dormir tarde para vê-la…
Até hoje, o povão não esqueceu a fantasia. Numa enquete com 6 Mil votantes, em 2005, Mel Lisboa foi a escolhida pelos internautas para viver no cinema, Bruna Surfistinha, uma ex-prostituta carioca, que relata suas aventuras (e desventuras) no livro autobiográfico “O Doce Veneno do Escorpião”.
Mel, em entrevista recente, disse acreditar ter aprendido a lidar melhor com a sua sensualidade: “Sou sedutora, mas não do tipo femme fatale“. Sobre ser ou não sex symbol, diz ela “Não me vejo assim, mas, se as pessoas pensam em mim dessa maneira, tudo bem”.
Este ano, Mel Lisboa participa da novela “Sete Pecados”, já que sua última passagem pela telinha, na novela “Desejos de Mulher” (2002), foi inóqua. Talvez uma necessária desintoxicação da sua personagem mais famosa.
Na Telona: 
Dia desses, a revista QUEM publicou uma matéria sobre lolitas famosas.
Lá estão as Anitas do Cinema, ingênuas, e inconsequentemente sensuais, deixando os bichos-homens enlouquecidos.
Vale a pena conferir também a galeria de imagens da matéria.
Daà que a (auto)exploração da imagem e da beleza feminina é um mercado de trilhões. Faz tempo que os singelos Concursos de Beleza eram o ápice do glamour.
Existem questões mais atuais e urgentes, tais como: mercado do corpo; prostituição de luxo; modismo do retouching e da cirurgia plástica ornamental; incentivo descabido à cultura da aparência e à s “perigosas” indústrias da beleza e da magreza, afora outras.
O que há por trás desses valores? A mitologia em torno da questão feminina será assunto cada vez mais presente em rodas de debates. Oxalá!
A pergunta que não quer calar: Seria o Lolitismo um movimento antimachista, de desrepressão, ao modo de uma reação contra-cultural tardia ou, no fundo, no fundo, apenas mais um capÃtulo do famoso “se não pode com eles, junte-se a eles”?


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