Logo após denunciar a malandragem dos Bancos e o descaso do Governo com os expurgos dos planos econômicos, foi demitida. O caso Salete Lemos, teria algo a nos ensinar? Parece que sim.
São 2 as perguntas: Qual a força do mercado para calar um(a) jornalista, numa situação com essa? Como reagiu a dita cuja e seus colegas de categoria profissional?
…e uma reflexão: Seria o BOM jornalismo uma miragem utópica?
Publicamos no inicio do ano, aqui mesmo no website, uma postagem-denúncia, de utilidade pública, onde explicamos abertamente à população, inclusive com entrevista de advogado especialista, o porquê do assunto Direitos sobre os Expurgos de Poupança estar sendo vergonhosamente abafado pela mÃdia.
Jornalista faz denúncia e é demitida
O mais novo capÃtulo dessa história, ao que parece, foi a demissão de Salete Lemos da emissora onde trabalhava. No vÃdeo, a jornalista aparece comentando a “má-fé” generalizada (roubalheira mesmo, no bom português) dos Bancos perante tais expurgos.
Deu no que deu. Foi demitida. Agora vamos à reflexão por trás da notÃcia.
Ela se diz vÃtima de censura e de covardia. Sua versão é que o BRADESCO a pressionou (com dinheiro? com imposições?) para uma retratação ao vivo e que, motivado pela sua negativa, este Banco teria pressionado a TV CULTURA (via FEBRABAN – Federação Brasileira de Bancos).
Como se sabe, ameaças de retirar as verbas milionárias da propaganda poderiam realmente causar um efeito dominó para qualquer mÃdia onde o sistema financeiro anuncie e a TV CULTURA não seria diferente.
Na lógica pessimista que SALETE desenha, seu ex-chefe – o PAULO “Covarde” MARKUN, presidente da Fundação Padre Anchieta -, cedendo a pressões, demitiu-a.
Ou seja, ela vende a tese de que o jornalismo-patronal é o algoz. É a tese do “manda quem pode, obedece quem tem juÃzo”. Venceu a chamada Lógica da Plutocracia – o poder do dinheiro, (des)governando a vida das pessoas.
Os bastidores da notÃcia
Ao buscar os bastidores da notÃcia, tive a primeira ressaca. No PORTAL COMUNIQUE-SE, o debate sobre a demissão de Salete Lemos tinha virado teoria da conspiração: vilões invisÃveis, interesses não-manifestos, a mão temÃvel do anti-lulismo PSDBista em São Paulo e por aà seguiu.
Tomei um “Engov Cerebral” e fui em frente, na leitura. Mais adiante, a pior constatação: De que nesse debate, assim como em outros, o falatório polÃtico acaba imperando, com ou sem racionalidade.
Na hora de deixar a “inteligentsia” falar, o coração passional não se esquiva. É pedir demais pra esse povo sair do “zero a zero”? Ou como se diz no interior, Êta povo marrento, num sabe que mulher, polÃtica e futebol num se discute?“…
Também não faltaram comentários para endossar a tese da mordaça:
…Algum jornalista, como ela, que tiver coragem e quiser dar a sua opinião pessoal que atinja interesses desses grupos, no mÃnimo ficar? desempregado…
…Quem critica governo, toda podridão que comanda este paÃs, é jogado aos leões pelos patrões…
…A Salete gritou e foi golpeada na sequência, sem piedade, parabéns Salete, continue assim, enquanto houver a coragem de falar, talvez haja esperança para nosso paÃs…
…A censura existe, não mata, mais demite…
A tese do comentário descuidado não me convence porque uma profissional tarimbada como ela não ficaria improváveis um minuto e pouco denunciando ingenuamente os Bancos, sem esperar represália. A irritação dela no vÃdeo certamente não era TPM!!!
Fico então com a hipótese do comentário premeditado.
No caso da profissional em questão, inteligente que é, estrela de primeira grandeza do jornalismo econômico televisivo que é, discÃpula assumida de BÓRIS “Boca Nervosa” CASOY, alguém acredita que ela foi silenciada a força?
O mais provável não seria uma tentativa de saÃda triunfal, por cima, para marcar um pioneirismo, um certo estilo, digamos independente, daqui para frente?
O dever de todo jornalista
EUGÊNIO BUCCI, na série sobre a Ética e Imprensa, comenta que “o jornalismo só tem sentido quando posto a serviço do direito à informação – de tal modo que qualquer outro interesse que ele abrace o corrompe”.
Na lógica de Bucci, para o jornalista, o “Dever da Liberdade” vem em primeiro lugar. Eu pergunto: Estamos preparados para esse nÃvel de posicionamento coletivo e atuação cidadã?
Pegando carona no Caso Salete, para chegar na sonhada condição de liberdade de imprensa, é imprescindÃvel a liberdade de empresa? Ou como disse lá em cima, seria ainda o jornalismo independente uma miragem utópica?
Para os que acham que a demissão é o pior da vida profissional, só tenho a lamentar, e só posso desejar que, se algum dia, você se encontrar diante de um dilema moral, você possa se lembrar de ter lido este post e de ter feito esta reflexão comigo
habemus SALETE LEMOS !!!
habemus liberdade?
Abraços
Alexandre


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