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Jornalismo: digestão com discernimento

A atividade de jornalismo apresenta intrigante desafio.

Em escala menor, podemos compará-la, com certo tom de preocupação e pejoratividade, ao trabalho da cozinha.

Metaforicamente, somatório de ideias e relato de fatos (nutrientes frescos) e glutões (leitores, pensadores, debatedores) e a premente necessidade de nutrição intelectual e compartilhamento de críticas e choque de percepções, sabores e atualizações, incluindo é claro às críticas e observações associados a quem faz a comida, de onde ela provém, e como é colocada à mesa.

Vejamos mais alguns pontos…

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A prática jornalística

O bom jornalista, sabe caminhar no contrafluxo. Objetiva não o entorpecimento, mas o despertamento para a realidade.

Neste caso, é ainda mais delicada a atuação do repórter e do jornalista pró-reflexão:

- por envolver críticas sobre o que se lê no cotidiano;
- por promover muitas vezes a reflexão forçada;
- destaque para algumas personalidades em vez de outras;
- remexe forçosamente o processo do dia-a-dia, com interpretações nem sempre simpáticas ou convencionais.

Vale estar ciente dos benefícios do jornalismo, que favorecem tanto ao leitor como ao repórter.

Valores magnos no jornalismo

consciência comunitária, valores coletivos, reflexão sobre a realidade, desalienação, ampliação da erudição, análise crítica, utilidade pública, interatividade e participação, cosmovisão, atualização, dialogicidade, consciência histórica e libertação pelo esclarecimento.

Desafios na realização do jornalismo

Se a missão é esclarecer fatos, eis aqui um rol não-exaustivo, com alguns pontos para exame e debate:

1) síndrome da dispersão e superficialidade;

2) hipercriticismo (que inclui as “tricas e futricas”), sensacionalismo e sinistrose;

3) falta de financiamento para reportagens de interesse público e educacional em contraposição com a indústria dos achacadores profissionais – com isso o jornalismo fica sem recursos e base de sustentabilidade, levando ao atrelamento político espúrio;

4) jornalobbismo, associado a falta de credibilidade e ética, quase sempre associado a acomodação e a acídia derivando no plagiato;

5) Vedetismo e vaidade, com foco excessivo no egocentrismo e na automistificação (cabotinismo);

6) falta estima e de profissionalismo ao jornalista convencional;

7) conflitos internos derivados de equívocos, choque de egos, disputa de poder, distanciamento dos valores magnos do jornalismo do esclarecimento.

Em resumo, o bom jornalismo de hoje, no Brasil e no mundo, pode gerar até indigestão em qualquer um!

Um abraço
Cláudio C.L. Monteiro

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