Felicidade E Bem Estar Subjetivo

Felicidade e bem-estar subjetivo

Post Series: A ciência da felicidade

O campo científico da Psicologia Positiva funda uma nova epistemologia ao apontar sua pesquisa para o bem-estar — o funcionamento saudável e adaptativo do ser humano –, interessando-se pelos traços psicológicos e experiências consideradas positivas.

Esta mudança de foco na Psicologia abre espaço para o estudo das “habilidades positivas”, como defende Martin Seligman, o criador dessa vertente científica, redirecionando o enfoque para a promoção da qualidade de vida.

Bem-estar e felicidade

Há uma relação de complementaridade entre o bem-estar e a felicidade. A pessoa que sente-se bem, que se exercita, que ama, que mantém a saúde em dia, se alegra com as experiências da vida e irradia a felicidade.

E também a pessoa intimamente feliz, resiliente e adaptativa a despeito de eventuais crises — as superações da vida –, angaria para si um bem-estar subjetivo, que torna-se parte de sua estrutura enquanto ser.

Bem-estar: uma escolha pessoal

Uma maneira de encarar os fatos é tratar o bem-estar como escolha pessoal. Não implica cair na alienação, usar lentes cor de rosa, visão poliana nem o extremo da autocobrança doentia ou da vitimização. Se uma experiência ruim torna-se aprendizado para próximas oportunidades, o sentimento que fica é bom, a superação torna-se autocura e a energia parada se recicla, transmuta.

A maturidade se consolida com a pedagogia do erro. Sentir-se culpado é a negação da mudança possível. Bem-estar é, enfim, fruto deste bem estar subjetivo, que se reapruma diante das intempéries, que aprendeu o sentido de ser resiliente.

Por outro lado, bem-estar não é uma quantia, uma meta ou um resultado. Porque o bem-estar não é um fim em si mesmo. É necessário esse crescimento para lidar com a vida e com os fatos e aprender com eles, sem querer controlá-los todos.

Só é possível conscientizar para o funcionamento saudável e adaptativo do ser humano através dos traços psicológicos potenciais e das experiências consideradas positivas. Esperar um quadro desfuncional para só então atuar na problemática é mais doloroso e mais incerto.

Fórmula da felicidade e do bem-estar?

Pelas pesquisas científicas, a felicidade depende 50% da genética, 40% das atividades e somente 10% das circunstâncias. A conclusão dos estudos é que ser feliz depende muito mais de nós mesmos que das circunstâncias, que passam.

Há uma distinção clara entre prazer (alegria) e felicidade (bem-estar subjetivo). O prazer é momentâneo, ligado aos sentidos. Dificilmente a mera satisfação de uma necessidade física, emocional e/ou intelectual produzirá felicidade. Uma pessoa irritada, com fome, que acaba de se alimentar, pode relaxar com a dopamina que o cérebro libera. Um estado de “estar feliz” que difere do estado de “ser feliz”.

A felicidade é ligada a prazeres duradouros, que tem relação direta com valores e sentido de vida. Ser feliz implica capacidade para lidar com os altos e baixos da vida sem que isso impossibilite a sensação de que a vida vale à pena. Se para ser feliz não pudéssemos jamais vivenciar uma perda, sofrimento ou momento desagradável, jamais alguém seria feliz. Nunca!

Felicidade não é ausência de tristeza.

Um bom percentual de nossa felicidade (40%) depende diretamente de nossa vontade. Algumas ações vão levar ao prazer e outras a felicidade. Prazeres costumam ser intensos e imediatos, surgindo facilmente e indo embora de forma rápida, sem deixar realizações ou algo construído. São mero consumo de energia.

Por outro lado, a felicidade exige esforço e habilidade no uso de nossas forças pessoais. Embora os resultados sejam duradouros e conquistados a médio e longo prazo, estes são fontes constantes de felicidade. Quanto menos atalhos, melhor!


Fontes:
Psicologia Positiva, por Patricia Nunes, 2007.
Psicologia Positiva: uma nova abordagem para antigas questões, por Simone dos Santos Paludo & Sílvia Helena Koller. UFRGS, 2007
Essa tal felicidade. Entrevista com Mônica Portella, por Lucas Vasques. Revista PSIQUE, Ed. 100, 2014.

Pesquisas:
A fórmula da felicidade existe? por Frederico Porto. Metacognição.
Qual é a fórmula da felicidade? Angelita Scardua, Blog, 8.4.2011.
A fórmula da felicidade. por Adriano Adriano, Psi+, 13.6.2013.

Alexandre Mello

digital por formação │ pós-graduado em educação a distância │ curador de acervo audiovisual │ produtor executivo │ documentarista │ autor │ conteudista

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