Ouvindo de alguns que os conceitos de esquerda e direita estariam superados, propus-me o desafio de investigar o assunto para responder à questão.
Notei que a natureza humana comporta 2 polaridades psicológicas básicas: conservação e mudança. Ambas as polaridades têm acompanhado os homens, caracterizando diferenças individuais; e até no mesmo indivíduo as 2 tendências coexistem.
São usadas para a sobrevivência e adapatação da espécie ao meio: às vezes, o conservadorismo é útil na adaptação ao meio, e às vezes a mudança é igualmente necessária à sobrevivência, por pressão de transformações ambientais e outras, vinculadas ao próprio desenvolvimento interno dos indivíduos, ou evolução pessoal. Ao menos no nível psicológico-evolutivo da espécie, portanto, justificam-se as 2 tendências referidas.
Passando ao nível sócio-político, desde a época da Revolução Francesa, convencionou-se associar Esquerda à contestação e à mudança, e Direita à tendência oposta, segundo a posição ocupada pelos opositores ou apoiadores do Antigo Regime na Reunião dos Estados Gerais.
Observando a dimensão histórica, nota-se na Humanidade a coexistência entre o medo à mudança (neofobia) e o tédio com o velho associado à ânsia ética e intelectual pelo novo (neofilia). Novamente, os 2 opostos coabitam o mesmo indivíduo.
Novamente, ambos aspectos são reais e sua existência se justifica, pois são necessários à sobrevivência humana. E a História vem mostrando revoluções e contrarrevoluções, intercaladas com períodos variáveis de estabilidade.
Em termos psicológicos, em parte dos indivíduos a Mudança caracterizará sua personalidade - as cargas individuais de conservadorismo associado a medos e apegos estarão preponderantemente reprimidas e recalcadas no inconsciente – e vice-versa, produzindo a variedade psicológica humana.
Conscientes politicamente, e socialmente responsáveis, considerando ainda as necessidades evolutivas individuais, a questão é saber equilibrar e usar tanto a tendência à conservação quanto o anseio de mudança que nos caracterizam, com serenidade, reflexão e risco calculado (experimentação científica).
O fato de se justificarem, no presente contexto humano, as noções de esquerda e direita, não obriga aderir a nenhuma das partes. É preferível analisar, filosófica, histórica e politicamente, todos os lados e posições possíveis antes de qualquer ação, decisão e posicionamento perante o contexto correspondente: estejam, as idéias propostas, mais ao centro, mais à direita ou mais à esquerda; sem qualquer conotação partidária ou sectária.
É optar pelo que mais beneficiar a Coletividade em cada momento, com perspetiva renovadora, mas realista do futuro, para o combate à desigualdade e pela inclusão social.
Abraços,
Marcelo



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Marcelo
Saudações
“(…) a questão é saber equilibrar e usar tanto a tendência à conservação quanto o anseio de mudança que nos caracterizam, com serenidade, reflexão e risco calculado (experimentação científica).”
Acho que esse trecho resume bem o artigo, no sentido de fazer um balanceamento do que é a esquerda e do que é a direita. Esse texto, me lembra de uma filósofa alemã, a Hanna Arendt, que tem um livro “Da Revolução”. Nele, ela trata do conceito de revolução e suas implicações. Inclusive, estuda sobre a Rev. Francesa, citada acima.
O legal, desse artigo é que ele aborda duas visões da natureza humana: a que tem vontade de mudança e aquela que presa pelo mantimento da ordem, das coisas como estão.
Fiquei interessado em ler o que escreveu sobre o socialismo na América Latina.
Abraços
Pedro D.
Oi Marcelo, muito bom e esclarecedor seu texto!!