Fatores Essenciais Ecossistema De Startups

Ecossistema de startups brasileiras

O país vive um curioso paradoxo de ter um povo naturalmente empreendedor mas com baixo nível de preparo dentro de todo o ecossistema de startups brasileiras. Discutiremos alguns dos fatores.

Tipos de Empreendedores no Brasil

Parte da explicação para esse paradoxo está na pesquisa da Endeavor. A vontade de empreender é alta e 61% dos entrevistados declaram ter planos para abrir o próprio negócio nos próximos cinco anos. Entretanto, apenas 33% fizeram algum curso de empreendedorismo para se capacitar.

A pesquisa identificou que mais da metade dos brasileiros tem o perfil empreendedor “situacional” (31%) empreendem por oportunidade, não gostam muito de risco ou “busca do milhão” (25%) movidos pela ambição. Cerca de 1/4 dos perfis são os que empreendem do “seu jeito” (14%) típico profissional liberal, pouco preparado para empreender junto com os “idealistas” (12%) movidos por uma causa. Os empreendedores “natos” (12%) assumem comportamento empreendedor mesmo assalariado e os “herdeiros” (7%) ainda são raridade.

Tipos de Investidores no Brasil

Outra parte da explicação do paradoxo credita-se ao “amadorismo” do investidor. Francisco Jardim, da SP Ventures, diz que o maior termômetro dessa inexperiência é a ausência de gestores com ciclos de investimentos completos ou ampla experiência operacional, sendo a esmagadora maioria dos investidores em startups brasileiras marinheiros de primeira viagem, first time funds,.

Como a indústria de venture capital no Brasil é nova e como os ciclos de realização de um fundo são bastante longos — por volta de 10 anos –, só captam dinheiro os gestores que demonstram histórico de investimentos positivo, mas só conseguem demonstrar um histórico positivo quem captou. Essa formidável situação darwiniana faz com que quem não acerta de primeira, só tenha perspectiva de nova captação na década seguinte. Por isso, são gerações até que este mercado amadureça.

Ecossistema de startups brasileiras

O StartupBase é o cadastro de empresas de tecnologia brasileiras, mantido pela Associação Brasileira de Startups (ABStartups). Têm 20 mil perfis de empreendedores, empresas, investidores, incubadoras e aceleradoras. É um capital humano que pode gerar muitos bons frutos.

No âmbito da StartupBrasil, além da desburocratização, a capacitação é vista como um dos grandes gargalos, no destaque de Felipe Matos, Chief Operating Officer, e precisa ser vista como prioridade. Quanto à formação dos clusters de startups inovadoras, segundo relatório da UP Global junto com o Google Empreendedor, 5 fatores essenciais são:

1- Talento

Não somente a educação, mas a criação de mercados de trabalho flexíveis, que atraiam pessoas com uma gama variada de habilidades e experiências.

2- Densidade

Muito importante conscientizar os meios de comunicação, construir redes de mentores e ligar universidades e redes de pesquisa com as empresas. Nos hubs locais, é preciso entender o estágio e necessidades próprias do seu ecossistema local.

Pesquisa do Sebrae identifica 5 estágios diferentes, que exigem ações diferentes. Startups T0 “curiosidade” e T1 “ideação” não constituem uma empresa ainda. Na fase T2 “operação” e T3 “tração”, há toda uma preparação, onde geralmente entram os fundos de investimento e as aceleradoras, para alavancar o negócio para a fase T4 “estrela”, a fase que marca o crescimento acelerado da startup.

3- Cultura

Fácil verificar como a cultura nacional precisa se renovar, no sentido de tornar o empreendedorismo um bem cultural para o povo brasileiro. Não só exaltar suas mulatas, seus artistas e seus jogadores de futebol, mas também seus empreendedores. Faz sentido mais entrevistas nas TVs, rádios.

Também é importante não reinventar a roda. Fazer alianças gasta menos energia que ficar competindo. E saber que o empreendedorismo é um processo em rede. Um projeto pode ter mais de 30 instituições envolvidas, entre aceleradoras, ministérios, entidades de fomento, associações do setor e empresas apoiadoras. Dá mais trabalho, mas o resultado é muito mais efetivo. Formar essa rede para apoiar as startups brasileiras dá mais longevidade, credibilidade e legitimidade para as iniciativas.

Igualmente importante é adotar a pedagogia do erro. A culpa que recai sobre o empreendedor pelo eventual fracasso (o erro), além dos prejuízos, em hipótese alguma está compatível com o risco que assume, o serviço que presta e as oportunidades que cria.

4- Capital

O capital inteligente pode realmente fazer a diferença porque investidores experientes ajudam os fundadores como mentores ao longo de sua jornada.

5- Ambiente regulatório

A “burrocracia” irrita, causa prejuízos e impede que o país avance. É preciso se concentrar na facilidade de abrir e fechar um negócio, na política fiscal, na responsabilidade de intermediários, na manutenção de uma web mundial e aberta, em uma proteção de patentes que apoie a inovação, na formalização de modelos alternativos de financiamento e em investimentos em P&D.


Fontes:
Os 6 tipos de empreendedores mais comuns no Brasil, por Camila Lam. Exame, 5.11.2014.
Investidores Amadores, por Francisco Jardim. Revista PEGN, 23.07.2014.
5 elementos para formar uma comunidade de startups, por Tony Celestino. Revista PEGN, 17.9.2014
8 passos para desenvolver o ecossistema de startups, por Felipe Matos. Revista PEGN, 5.5.2015.

Pesquisas / Reports:
Os Perfis dos Empreendedores Brasileiros, por Endeavor 2013.
White Paper: Announcing 5 Ingredients For ‘Fostering A Thriving Startup Ecosystem’, por Up Global. 2014.
Pesquisa sobre etapa de negócios, por Sebrae Like a Boss. 2014.

Alexandre Mello

Multitarefas │ digital por formação │ pós-graduado por convicção │ empreendedor social │ autor │ conteudista

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