Escuto muita coisa sobre convergência na comunicação digital.
Por hora, me parece mais concreto a convergência de aparelhos. Celulares tendem a dominar como interface, unindo mobilidade, praticidade e disponibilidade ao acesso imediato às funcionalidades da Internet.
A repercussão para o jornalismo, para a comunicação social e para a cidadania também não é despresÃvel. O acesso a blogs, wikies, networks e etc, permite sair do anonimato, abrir nosso espaço de participação cidadã e construir nossa rede convergente de conhecimentos compartilhado.
A geração web 2.0, que se utiliza da interatividade para expressar seus valores de liberdade, voluntarismo, compartilhamento e solidariedade, vai mudando a cultura digital e abrindo espaço para uma mudança maior, uma mutação social.
As inovações tecnológicas influenciam a cultura, mas não são externas a ela. Ao contrário, fazem parte das mesmas. As opções tecnológicas só fizeram aumentar nossa expectativa e exigência quanto ao formato e ao conteúdo daquilo que consumimos de informação.
Agora podemos lidar com a comunicação horizontal (entre os pares) tanto quanto com a vertical (com a midia, em geral). Se uma não está suprindo, podemos recorrer a outra, e vice-versa. Vivemos a Era da Intercomunicação Individual (Mass Self Communication), um conceito de MANUEL CASTELS. É preciso uma dose de rebelião crÃtica, como ele menciona, para compreender que se pode influenciar a grande midia.
E isso é liberdade. É abertura para o novo. Mas também é o desafio de lidar com o excesso de informações e de ideologias que circulam por aÃ. Parece que muitas pessoas se preocupam mais em ‘falar o que pensam’ que ‘pensar sobre o que falam’, uma ameaça que dilui o valor daquilo que tem qualidade. Afinal, não dá para ficar vagando em busca de uma filosofia para se viver.
E aà entra a outra convergência, a convergência ética, a mais difÃcil, cujo desafio é formar a massa crÃtica para colocar a cultura digital (como fazer, saber fazer) a serviço da cultura humanÃstica (o que fazer, para que fazer), para que tenha realmente valor de transformação social sustentada.



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