Planjamento Familiar E Economia Domestica

Como melhorar a economia doméstica

Se você insiste que economia doméstica é algo para “donas de casa”, além de revelar seu lado machista, pode começar a repensar tudo. O pensamento econômico não é algo teórico, mas prático, que auxilia a gerir de residências a empresas, de cidades a países.

Economia doméstica e orçamento

O principal problema das famílias que se endividaram é a falta do orçamento. Tudo começa nesse planejamento financeiro, um exercício de compatibilizar as despesas obrigatórias (aluguel, supermercado, etc) com as metas de poupança, de investimentos e os desejos de compra para os meses seguintes.

Fazer orçamento é pretexto para pensar nas metas profissionais, pessoais. Vale a pena pesquisar alguma planilha financeira ou aplicativo mobile com o qual você se adapte bem.

Conversem, conversem, conversem com seus cônjuges. Os adultos assumem o planejamento orçamentário, mas o casal deve considerar as necessidades dos filhos nesse movimento. Lembrando que necessidade é diferente capricho, e esse tema é um gancho para falar de educação financeira dos pequenos.

Entradas e saídas de dinheiro

Tendo em vista o planejado, isto é, as restrições e limites do orçamento de acordo com a renda familiar, começa um controle “canino” sobre os gastos e desembolsos. Tudo bem comprar a prazo, se a parcela está prevista no orçamento. Cuidado com a compra por impulso. Tudo bem gastar em um fim de semana a mais, e compensar no seguinte.

Por incrível que pareça, conheço gente que se endividou porque quando o dinheiro na conta acabava, começava a usar o cartão de crédito. Não façam isso, no mês seguinte o salário já começa comprometido, haverá juros sobre juros, e tudo se complica. Orçamento é uma coisa só, independente se o desembolso será a vista ou parcelado no cartão.

O prêmio por esse autocontrole é a saúde financeira, o orçamento vai funcionar a favor da família, permitindo que mudanças de hábito e pequenos ajustes recoloquem as coisas nos trilhos. Sem esse autocontrole de manter-se no foco, dentro do orçamento, e sem previsão de novos ingressos (aumento de salário, projetos aprovados, etc), os riscos são o descontrole financeiro, os juros, a inadimplência e o nome sujo.

Economia doméstica e mudança de hábito

Com o aperto nos cintos e a crise econômica, torna-se vital para a família brasileira identificar o que é um gesto inteligente e o que é um gasto supérfluo. O que você pode fazer por si mesmo, tipo lavar o carro, serviços do lar e pequenos reparos cai nessa categoria.

Empregada doméstica ou faxineira?

A nova legislação que regula o trabalho doméstico no Brasil parece ter gerado um choque de realidade na classe média. Já se observa a tendência de que estes serviços sejam substituídos por serviços de caráter não contínuo, sem o vínculo empregatício, à semelhança de outros países mais desenvolvidos, onde o serviço doméstico fixo somente é utilizado pela população da classe A.

As famílias que abrem mão da profissional do lar fixa, tem que reorganizar obviamente suas rotinas, e promover formas salutares de revezar com a faxineira a execução dessas tarefas para racionalizar o orçamento.

Trabalhar de carro ou de metrô?

O carro é um conforto inegável, mas uma pequena mudança estratégica pode ajudar a superar o momento de crise. Com a Petrobras tendo perdas consecutivas, o governo vem soltando o freio de mão das tarifas públicas, entre elas, o preço da gasolina. Toda a indústria está impactada.

Se você ou a família estão apertados, considere vender o carro. O custo anual, somando-se IPVA, seguro, combustível, pequenas avarias, trocas de filtro, óleo, gás do ar-condicionado, lavagem e manutenções em geral, fazem com o que o automóvel seja uma verdadeira segunda família, em termos de gasto.

Supermercado sem mistério

Entrar em um supermercado de barriga vazia, e com crianças “ajudando” a encher os carrinhos, pode não ser uma boa ideia. A lista prévia ajuda a ser objetivo na compra, pois há uma previsão de quanto se pode gastar. Comparar preços nas gôndolas é básico. Por isso, se a carne de boi aumentou, pega a promoção do frango. Se algum sabão em pó está em oferta, experimenta. O exercício importante é respeitar o orçamento porque economia doméstica não é só “dentro de casa”, ok?

As tecnologias do desperdício zero

A TV e a mídia têm se esforçado para mostrar a população os efeitos da crise hídrica e do enorme aumento na conta de luz que estamos vivendo. Não importa agora falar dos motivos, mas ressaltar que é possível utilizar tecnologia e uso racional para diminuir a conta no fim do mês.

Telefonia

Utilize de preferência as operadoras com política de custo zero nas ligações para clientes da mesma operadora. Isto implica que se seu pai, mãe e amigos têm a mesma operadora, melhor pra todos, descubra os números e só ligue para eles através da operadora em comum. Ainda que seja prático pegar o telefone fixo na cabeceira, use o celular se a operadora em comum for a da telefonia móvel.

Para racionalizar ainda mais sua conta de telefone, instale aplicativos no celular que permitem troca de informações rápidas sem custo extra, tipo skype, whatsup, line, gtalk, twitter, facebook ou quaisquer outros que achar válido. Com essas medidas, eu garanto que sua conta de telefonia fixa vai despencar.

Luz, eletricidade

Acabe com os desperdícios como luz acesa pela casa toda, e gastos “invisíveis” como stand by dos eletrodomésticos. Só isso pode reduzir sua conta em até 7%. Atenção com os 2 vilões do consumo de energia: se puder, troque chuveiro elétrico por chuveiro a gás e trate o ar-condicionado como item de luxo, para momentos especiais e não como uso banal, cotidiano. Isso realmente vai diminuir sua conta.

Com a nova isenção de impostos na importação e o barateamento dos sistemas de geração solar, eólico, é possível que já esteja compensando para você, ou seu condomínio, este tipo de projeto. Procure o especialista. Atualize-se!

Água

Economizar água não tem segredo, só boa vontade e bom senso. Atenção para vazamentos nas torneiras, a hora do banho e de lavar louça. Lavar pátios e calçadas com água limpa sem pensar em reaproveitar água da chuva, é irracional e incoerente.

Os moradores de prédios onde o hidrômetro é individualizado tem a vantagem de ver de imediato os efeitos da redução do consumo. Se seu sistema é coletivo, procure o síndico, descubra a média mensal de gastos, faça campanhas e exponha o problema nas reuniões de condôminos. A união faz a força.


Fontes:
Guarde Dinheiro, por Ciristiane Gouget.
Como economizar dinheiro com energia doméstica, por Zolton Cohen.

Planilha Financeira:
Planilha de orçamento doméstico do IDEC, o Instituto de Defesa do Consumidor

Alexandre Mello

Multitarefas │ digital por formação │ pós-graduado por convicção │ empreendedor social │ autor │ conteudista

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