Podemos distinguir duas concepções de redes sociais: as negativas e as positivas.
Aceitando que positiva ou negativa não são juÃzo de valor, mas referencial teórico, terÃamos as redes que privilegiam práticas de compartilhamento, no sentido pró-ativo (positivas), contrastando com as redes de práticas onde fator de composição grupal se dá pelo sentido reativo (negativo).
Vejamos os argumentos aglutinadores e definidores de cada uma delas…
As Redes sociais são ambientes de vivência cidadã. Os argumentos para essa cidadania é que variam. Nessa taxonomia, os dois tipos positivo e negativo não são absolutos, mas relativos.
1º tipo – palavras-chaves: indignação, reclamação, denúncia, cobrança, crÃtica fundamentada e protesto
No meu entendimento, Lisboa Deprimente, Odeio Meu Carro, Tá DifÃcil, Campanha Contra o Caveirão seriam exemplos de cidadania negativa, tendo como fator aglutinador uma angústia ou preocupação comum, em geral, de abrangência local e temporária.
Ao dirigirem seu olhar para a denúncia – o lado doentio da realidade que examinam -, se permitem combater ameaças comuns, e unem forças convenientemente como mecanismo básico de defesa.
Ao focarem a desconstrução, não necessariamente estão propondo algo, mas registrando os ponto de incômodo, pela expectativa da mudança ou simples desabafo.
Veja bem, não estou dizendo que os assuntos não sejam úteis, importantes ou justificáveis, ou que não precisem de solução. O que quero analisar é a práxis e até a ética dessa mobilização.
Tudo indica que as ligações sociais entre os atores nestes casos são fracas, podendo romper-se a qualquer momento, assim que o problema-alvo for resolvido.
Assuntos novos não são bem vindos, pois a rede tem como fio condutor um problema especÃfico bem conhecido e não está aberta para novas idéias (ou novos problemas).
2º tipo – palavras-chaves: debates, pensamento preventivo, planejamento estratégico, consenso possÃvel e priorizações
Comunicação de Interesse Público, Portal da Terceira Idade e Rede de Informações Para o Terceiro Setor seriam iniciativas tÃpicas de cidadania positiva. Fortalecem-se com o passar do tempo, ao invés de perderem força.
As soluções comuns vão surgindo da aglutinação e dos vÃnculos. Há uma necessidade de novas idéias e conexões, que deem vazão à construtividade, essa sim pré-existente. Ao visarem metas sociais comuns, demandam união de esforços, daà o sentido positivo.
Quando interdisciplinares e interculturais, permitem alargar idéias e mentes. Como a aprendizagem é um valor, direta ou indiretamente, a capacidade criativa se libera neste tipo de rede.
Quais as fraquezas?
Nas redes de construtividade, podem ocorrem nas distorções, como na idealização excessiva (perda do senso prático) ou na criticidade inóqua, tipo chapa-branca, onde a conversa-mole passe a dominar o ambiente.
Já nas ações de cidadania negativa, as fraquezas podem descambar para o denuncismo sem pudor (sem lógica, sem provas, sem vergonha) ou para a amplificação da desorientação grupal, incitando ainda mais o fogo da brasa.
A tÃtulo de curiosidade, há um outro tipo de situação que não consegui classificar, apesar de reconhecer que também contribui culturalmente para a reflexão cidadã. São os textos autocrÃticos, solitários.
Em geral, abordam (ou denunciam, ou questionam) a partir do relato, da vivência, a validade de uma ação e, na sequência, mostram algum aspecto que foi superado.
Tem, portanto, a subjetividade do relato associado ao estudo de caso, o filé mignon da experiência, descrita quase sempre como lição aprendida ou mudança de postura.
São autoreflexão, porém públicas, de conotação pessoal, mas dirigida ao público leitor. E esta ambiguidade é que me fez questionar.
No caso de 1 KG de Alimentos Redime a Alma, o PETERSON critica sua própria postura de ação solidária mecânica, no piloto-automático, artificialmente sensÃvel. Quer dizer, o alimento em si doado nada teve de artificial, mas o sentimento solidário, esse sim estava artificializado. E isso o incomodou.
Quer mais um exemplo? O DANIEL fez o Teste do DVD Pirata e se arrependeu. Até aÃ, uma experiência banal, que ele soube tornar interessante ao fazer dela seu estudo de caso autocrÃtico. E isso sim faz a diferença, se amplificado para uma escala maior, de uma rede social.
Por esta lógica, situações-alvo que envolvem catarses pessoais podem até virar exemplos emblemáticos, em nÃvel global, dependendo da força de amplificação da rede social.
Alguém apita ou palpita?
Abç. Alexandre



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Caro Alexandre, estou a fazer um trabalho de pesquisa sobre as redes sociais da internet. será que me pode ajudar recomendando alguma bibliografia?
Agradeço a atenção
Cara Ana Figueiredo
Enviei para você, por email, 4 zipados contendo textos.
Boa Leitura.
Alexandre