Expurgos de Planos Econômicos - A Vergonha Continua

Essa semana, volto ao assunto dos expurgos dos planos econômicos. Os mais de 5,5 Mil acessos e 48 comentários, em dois meses de publicação, indicam que a importância que dei ao tema tinha sua razão de ser. Confira ao final, na seção “Posts Relacionados”, o que já escrevi sobre o assunto.

Desta vez, em destaque, o depoimento contundente do Sr. Décio - um leitor deste blog, relatando indignado a lamentável série de dificuldades criadas pelo BANCO BRADESCO, dizendo que não havia saldo na conta dele no mês solicitado (sendo que ele tinha em casa guardado o extrato anual), que o obrigou a uma saga judiciária extra. Pelo visto, o “Banco das 120 razões” ignora que basta uma para tornar seu cliente incompleto!!!

Fila no BancoEm um artigo para o Overmundo, eu já chamava a atenção para a possível estratégia do abafa, motivada pelas relações promíscuas da grande mídia com o lobby bancário, um de seus grandes anunciantes.

Falei especialmente do papel da GLOBO, maior emissora do país. Esta emissora só veiculou o assunto ao grande público, em TV Aberta, dia 29/MAIO, faltando dois dias para o prazo final inicialmente estabelecido. Ridículo!!!

O pesadelo só fez aumentar com esse grave depoimento, que transforma a má-vontade e o empurra-empurra dos Bancos em omissão. Está muito além do que supus, mesmo estando eu informado da voracidade e da “esperteza” do sistema financeiro.

Parabéns ao Sr. Décio pela decisão de compartilhar seu relato e os procedimentos que utilizou para resolver seu problema de falta de comprovação documental e extratos, mostrando que informação e lucidez são ótimos instrumentos da cidadania.

Sem a documentação, muitos clientes que não lembravam direito se tinham ou não saldo na época, foram induzidos a desistir de processar os Bancos, que acabaram agradecendo com um “sorriso amarelo”.

O cheiro de tramóia ainda está no ar. Pela quantidade de perguntas e comentários que recebi, via Blog, extensivo a outros Bancos, parece que essa suposição configurou-se como uma vergonhosa lambança, no limite da ilegalidade.

Espero que as autoridades bancárias responsáveis, que têm muito a perder com escândalos desse tipo, obviamente, tomem ciência do caso e possam dar uma explicação convincente ao Sr. Décio e aos leitores deste modesto espaço privado, que por ser virtual, é também um bem público.

J? Soares - O GardelonE, igualmente importante, que possam se organizar antecipadamente ao ponto de reverterem a situação para os Planos Verão e Collor.

A continuar assim, só mesmo convocando a Polícia Federal para a Operação “Mui Amigo”, em referência ao hilário bordão do Gardelón, personagem do Jô Soares na década de 80.

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Conscientização Política Faz Bem a Saúde?


Ontem fui surpreendido no Blog com a pesquisa insólita acima. Simpson Davinci

Fiquei curioso com a sincronicidade do Mello com dois “L”s, e acabei indo atrás procurar, com estes fragmentos, quem seria o meu xará da Internet.

Achei o Notas Provisórias, um título trocadilhesco, no Blog do Dr.Alexandre Mello, Hematologista do RJ.

Fuçando descobri sua dupla identidade: nas horas vagas, ele é baterista amador, e percussionista de Carnaval.

Em comum, talvez, o mesmo cuidado com o idioma e o olhar atento sobre os vícios de (des)informação, apesar de que ele se aborrece (mais que eu) com a ignorância alheia.

Também em comum as críticas de quem acompanha o triste momento político nacional. Absurdos como as tentativas de prorrogar a CPMF, a anistia alucinada do amigo do rei e as LuLices e canalhices do Caso Renan demonstram a sua indignação.

Pior é a foto de O GLOBO que ele utiliza para ilustrar o péssimo estado de humor da população brasileira pra tamanhas bizarrices.

Mais um Alexandre boqui-aberto. Com razão.

Congresso - Crise Pol?ticaDa minha parte, faz exatamente 1 mês que perguntei: que país é esse?

Hoje acrescento: que democracia é essa, que elege “autoridades” que não estão a altura do ofício, do que se lhes exige a ética.

Alguém que não recebe Bolsa-Miséria, que seja capaz de somar 1 mais 1, ainda se sente representado por essa gente?
(Crédito da imagem, blog do Josias de Souza)

Perguntaria eu ao Doutor: Falar mal das hipocrisias e desmandos do governo faz bem a saúde? Na lógica hematológica, não sei o que ele responderá, mas na lógica psicológica, não tenho dívidas. Ora bolas, alguém quer contestar?

O contra-argumento dos burocratas é que quando se está alienado, nada incomoda. No limite, viveríamos mais “felizes”, quanto mais alienados fôssemos… Banana pra eles… Arght !!!

Beb? AlucinadoConverse com algum psicólogo bem informado e ele lhe dirá que quem é capaz de elaborar sua dor, suas angústias, promovendo uma reciclagem emocional, é capaz de fazer a sua catarse.

Ao escrever e opinar conscientemente, a partir da autocrítica, conseguimos pensar nosso papel no mundo. A vitimização, destruidora de mentes e de ideais, perde sua razão de ser.

Nesse sentido, certo está o Dr. Alexandre que, como ele mesmo diz, por não ter paralisia cerebral, põe pra fora “aquilo” que já não aguenta mais esconder dentro de si.

tem_logica.jpgÉ óbvio que Política e Politicagem não são sinônimos. Óbvio também que nem todo político é lambão, como parece. Assim como é óbvio que a (des)alienação política não pode se dar só na Universidade, ou só pelo massacre diário da mídia, ou mesmo pela corrida quadrianual pelo voto. Perante os muitos matizes do falatório político, o cidadão está mais para vítima que para aprendiz.

O começo, portanto, é no contexto local, na comunidade, assumindo alguma liderança, entre os pares, aprendendo o básico sobre poder pessoal, ética e relações de poder, e partir desse aprendizado para não cair nas armadilhas da política, sobretudo quando a Política vira Profissão, mais do que Vocação.

Essa é minha aposta intelectual para formação de cidadania qualificada. Registro também a visão do importante pensador da globalização, o francês Robert de Herte (pseudônimo de Alain de Benoist), no texto La Hora de la Micro-Política (em espanhol).

dica.JPGSó não entendo como o Dr. Alexandre, esse autor bacana, insiste em editorar (e se irritar) com o Blogger sendo que já existe opção mais inteligente. Essa nem Freud explica!!!


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A Revolução da Geração “C” - Você conhece? Você confia?

É inegável que a aceleração da História tráz dificuldades para pensar o mundo. A impermanência parece ser a única coisa permanente. O tempo analógico (pais, avós) parece atrasado em relação ao tempo digital (filhos, netos).
pais.JPG filhos.JPG
Eis o sério conflito: Se a cada nova geração, menos previsibilidade, como reciclar “as cabeças”, sem se perder na aflição desses tempos? É o que quero refletir, com os dois vídeos que ilustram o post.

A liberdade do mundo online, do free browsing e da conectividade omnipresente propiciam experimentar fórmulas e interesses novos a cada dia, a atenção saltuária aqui e ali, falando com gente de tudo que é canto. É de deixar qualquer sexagenário doido. Por outro lado, poucos são os jovens de 15 ou 16 que encaram a boa monotonia de um livro ou a seriedade da fidelidade no namoro (auto-denominados “ficantes”). Nem mesmo as badaladas “baladas” são páreo para a ansiedade virtual desta geração.

A Internet e as novas mídias formam um paradigma social. Um divisor de águas. Não adianta negar. Apesar das distâncias diminuírem e das pessoas mais cedo ou mais tarde se conectarem, ainda faltará o passo mais importante: as mentes se aproximarem.

Assista aos vídeos que acabei de pinçar no caos da web. Comente, se quiser. Dois modelos diferentes de ação coletiva. Um contraponto, que faz pensar.

Geração “C” - de Conteúdo, Colaboração, Conexão

Segundo o vídeo, a liberdade da tecnologia do jovem típico se reflete na liberdade comportamental e o desprezo aos limites se reflete na destruição criativa. O clima é de uma geração privilegiada, que se expressa com uma sociabilidade instrumentalizada, turbinada em megabytes por segundo. O compartilhamento é o novo carro-chefe cultural. A regra é a misturada, que junta a mordomia dos tubes, as melodias do futuro e a autoria eventual. Não há tempo a perder. Há muito a se fazer, muito a ser conhecer e muito a se aproveitar, embora pouco a se conquistar. Na hierarquia das necessidades, as escolhas que importam já estão acessíveis, sem custo e à distância de um clique. Enfim, a revolução está na nova forma de interagir com a diversão, a educação e o trabalho, cada vez mais self-service, cada vez mais à distância.

Geração “C” - de Conscience, Commute, Care

O vídeo mostra três jovens cujo sentido de vida atravessou fronteiras para se realizar. A inspiração veio de fora, de longe, mas com a força de quebrar a monotonia da rotina tecnocêntrica e egocêntrica. O expertise universitário afinal fez a ponte inter-cultural. O empreendedorismo social que soube driblar a ansiedade do tempo e da idade, ao ancorar o ímpeto juvenil na coragem de agir, sem a qual, não colheria frutos. A mobilização e a campanha “Invisible Childrens” sugerem a diferença que fez a experiência da solidariedade na vida desses jovens, auto-denominados revolucionários, cuja carência não era material, mas cívica. Enfim, a revolução do eu-comigo-mesmo, que despertou o outro-consigo-próprio, aqui e acolá.

Com qual desses modelos você sentiu mais empatia? Por que?


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Antropo-Exo-Cidadania e a Emancipação Comunitária

Historicamente, o Direito à cidadania é uma conquista das Sociedades Modernas, democráticas. Mas, entre o reconhecimento do Direito e sua plena utilização, a distância é enorme.
Cidadania Delegada
Há uma acepção envelhecida (e empobrecida) para o conceito de cidadania que a vê como algo delegado pelo Estado, uma benesse, uma concessão, quase uma “obrigação”.

A concepção é de uma cidadania de fora para dentro, talvez espelho da indissociável visão de poder que acompanha as elites, inclusive as intelectuais.

Na acepção moderna (ou pós-moderna, segundo alguns), em uma Sociedade que se pretende “do Conhecimento”, na medida em que melhor se distribui e compartilha informações, relativizam-se hierarquias e descentraliza-se o “poder”, força-se uma revisão (e ampliação) conceitual.

Cidadania ConquistadaUma pessoa para ser agente transformador, precisa antes formar a si próprio, se instrumentalizando e se capacitando. É uma incubação necessária.

A cidadania plena exige um conjunto de inteligências e habilidades. Só tem força quando acompanhada da educação emancipadora, capaz de impactar a autonomia efetiva, a capacidade de proceder a melhores escolhas e melhores oportunidades, e a capacidade (auto)crítica para atuar coletivamente e em relação ao meio.

2 Candangos - Brasilia/DFOu seja, na desejada Psico-Eco-Socio-Emancipação, a nova concepção é de uma cidadania de dentro para fora, partindo da vontade e da qualificação dos sujeitos (portanto, antropocêntrica, no melhor sentido da expressão).

Mas, na realidade do mundo pós-Internet, amplia-se a possibilidade desses sujeitos atuarem em redes sociais, com maior ou menor mediação tecnológica. Basta um se qualificar para iniciar a onda no grupo. E, como tudo indica, quanto mais exclusão no grupo, qualquer onda assistencial já causaria um bom impacto.

A atitude-cidadã começa, como dissemos, na auto-educação, e prossegue na “filiação” espontânea a uma ou mais redes sociais, que podem estar associadas ou não à sua comunidade de origem.

Eis portanto, a Antropo-Exo-Cidadania, ancorada em indivíduos (antropos) capazes de refletir-se positivamente no grupo (prefixo exo quer dizer “para fora”). Este pensamento define, de imediato, novos papéis e novos agentes políticos, e até uma nova Política - a micro-política, cujo objeto de prestigio não é tanto o “poder” mas o “conhecimento”, de preferência prático, que flui através das relações internas às redes sociais.

A mudança no patamar emancipatório dependerá da maior ou menor conscientização dos cidadãos inseridos naquele contexto, para que eles mesmos assumam pensar e propor novas formas de atuar. Nos Estados Unidos, projetos de jornalismo cidadão e de solução de problemas locais já começam a ter financiamento das grandes Fundações. No Brasil, muitos patrocinadores estão atentos à movimentação dos Projetos Sociais.

Qualquer Política de Governo, ainda que bem intencionado, que não leve em conta a micro-política e os projetos embrionários nascidos nas comunidades, corre o risco de prestar um deserviço. Há uma diferença óbvia da assistência para o assistencialismo. A primeira aproveita o que tem de bom, trabalha em cima e ainda promove independência, incentivando o empreendedorismo social e voluntário. A segunda, é uma visão distorcida e manipuladora da solidariedade, pois “se alimenta” da dependência alheia.

distancia.jpg
Importante é que a(s) comunidade(s) se organize(m), porque todos ganham quando se consegue um ciclo sustentado de mais conscientização e mais emancipação.


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