A Entresafra Epistemológica

Vejo muita gente intuindo sobre Consciência Coletiva, Nova Era, Terceiro Milênio entre outros chavões que tentam explicar a transição cognitiva em curso. Mas poucos se arriscam a explicar como isto afetará a ordem mundial -a Aldeia Global e os Eixos de Poder. paradoxos_(ESCHER).

Como exigência intelectual para os mais ansiosos, é preciso compreender que não dá pra tratar de um assunto árido como este em poucas linhas. Talvez com imagens (*), quem sabe?

Há muitos paradoxos. As sociedades avançam porque o conhecimento avança, porque você avança. Paciência, caro leitor. Se está com preguiça mental, este post não vai lhe agradar…

Para quem vai em frente, eu pergunto: O que foi o Renascimento, há mais de 4 séculos?

Justamente o movimento histórico de convergência que levou ao irrompimento de novos valores, centrados no desafio de formar novos sujeitos - cidadãos livres, ativos, protagonistas da história e não mais elementos passivos, submissos, vassalos - pensamento que propiciou novos tipos de associações entre indivíduos e possibilidades de saber e conhecimento, negligenciados até então, produzindo mudanças no cenário das decisões mundiais, ao questionar as bases do poder em vigor: o Sistema Feudal Decadente e o Teoterrorismo da Inquisição Católica.

Nos dias de hoje, há uma super-expectativa em relação ao conhecimento técnico-científico e uma sub-expectativa negligente em relação ao conhecimento autoconsciente (autoconhecimento, conhecimento de si mesmo). A chamada “Ciência de Impacto” tornou-se um novo eixo de poder, pois alinha-se majoritariamente aos governos e orçamentos oficiais, e deles sobrevive.

A Ciência, a Mídia e a Internet fazem explodir a quantidade de informações circulantes, mas o ser humano, via de regra, quando alfabetizado, continua sem saber como filtrar essa avalanche, como distinguir o que interessa do que não agrega valor, como separar o joio do trigo, como ser seletivo (no bom sentido).

Há uma clivagem entre o conhecimento das chamadas Humanidades e o conhecimento haurido pelas Ciências Exatas, subproduto do debate sobre o paradigma mecanicista - ainda dominante, mas em vias de esgotamento, e de uma nova forma para pensar a vida, o homem e o universo que o cerca. contrastes_(ESCHER).jpg

Todos sabemos que para minimizar as atuais lacunas entre Individualismo-Coletividade, Ser-Ter, Egoísmo-Solidariedade, Ocidente-Oriente, Fé-Razão, Filosofia-Ciência, entre muitas outras dicotomias, é preciso avançar no conhecimento multicultural, que implica rever os sistemas políticos e econômicos que sustentam uma convivência tão desigual como a que atualmente se verifica.

E rever sobretudo preconceitos e fronteiras do saber. Einstein dizia que “é mais fácil quebrar um átomo que um preconceito”. Mas seria então necessário um Novo Humanismo? Novo Antropocentrismo? Novo Renascimento?

Eis meu conceito de entresafra epistemológica: Uma série de evidências indicam que a mola-propulsora da Sociedade do Futuro está na Nova Epistemologia, que vai fundamentar um alicerce muito mais profundo sobre o ser humano - indivíduo e espécie, capaz de inaugurar, assim espera-se, uma nova ética. concavo_convexo_(ESCHER).jpg

A primeira evidência é que o edifício da Psiquê Humana ainda não está completo, como dissemos. O Renascimento proporcionou um “andaime” neste edifício - a busca do centramento sociopolítico dos sujeitos.

A partir de uma atitude multi-inter-transdisciplinar e transcultural, abre-se a possibilidade de avançar o estudo da mente humana, em seu potencial adormecido, sem os preconceitos de raça, cor, sexo e cultura. Um passo decisivo à própria compreensão da vida é que a perspectiva da evolução vá além de meras mudanças anátomo-morfológicas nos corpos biológicos.

(Re)centramento. Eis o nome provisório para o novo momento. fragmentacao_(ESCHER).jpg

O mundo moderno trouxe inúmeras fragmentações sobretudo a de identidades.

Pode-se dizer que a consciência do centramento atual é cognitiva - a nova fronteira do saber, o debate a ser enfrentado por aqueles para quem não basta apenas o saber (fatual, categórico) mas sim saber como souberam o que já sabem e como saber o que ainda não sabem (processual, fenomênico).

Todo brasileiro, por exemplo, bem que poderia orgulhar-se do trabalho em curso no Instituto Internacional de Neurociências de Natal, capitaneado por Miguel Nicolelis - um cientista brasileiro, que abre as portas para este estudo, no formato multidisciplinar e transcultural, que é o que interessa para o avanço do conhecimento. Lá se desenvolve ciência com enfoque social. Ponto pra eles !

A entresafra atual não é mera condição herdada do paradigma dominante. Vejo mais como uma transição necessária até que as abordagens epistemológicas amadureçam, o que permitirá reinterpretar a abundante fenomenologia disponível. Não se muda a História, mas a visão que dela temos.

Com a “subjetividade”, a vilã do paradigma mecanicista, considerada variável indesejada no meio científico mais ortodoxo, a “realidade” desloca-se de eixo. Deixa de ser a realidade exterior, e torna-se o ponto de vista subjetivo último da realidade, antes exterior (dita “objetiva”), que passa a ter sentido só quando desfragmentada e filtrada por você, tornando-se portanto interior.

Ou seja, a realidade que interessa é a que você compreende e a que você está apto e disposto a moldar. Dito de outra forma, num mundo em evolução, ao fazermos escolhas, a nossa realidade, a subjetividade deveria (ou poderia) ser exaltada, por incorporar a moral e responsabilidade atribuída a cada um de nós, na construção dos alicerces pessoais e sociais do futuro.

Se a Ciência não se propuser a interagir com o Social, se não incorporar a dimensão íntima do sujeito cognitor, então será como o aleijão desavisado, correndo a maratona. Nesse sentido, podemos dizer que falta autocrítica ao cientista e, por extensão, à própria Ciência, ou a boa parte dela. percepcoes_(ESCHER).Jpg

Se o ser humano possui a capacidade inata de acesso e trânsito entre várias dimensões e estados de consciência, tendo explorado muito pouco (ou quase nada) tais capacidades, bem como formas avançadas de cognição e (auto)compreensão, porque não estudar isso pra valer? Porque submeter-se à ditadura dos sentidos, quando idéias geniais ocorrem mesmo durante sonhos ou estados de contemplação criativa?

Porque não fazer como MASLOW (1954, 1968), um dos pioneiros da Psicologia Transpessoal, que se preocupou em estudar indivíduos sadios, ao invés de indivíduos doentes e psicologicamente instáveis, alicerce da Psicopatologia e de toda Psicologia Clínica? Quem são os sujeitos por trás dos estados de consciência elevados, em experiências culminantes, mencionados por MASLOW (1968)? O que têm para nos ensinar?

Ao invés de querer anular a “praga da subjetividade”, porque não aprender com as idiossincrasias dos sujeitos diferenciados - as locomotivas da evolução? Não seria mais inteligente que a classe científica se debruçasse sobre esses indivíduos e seus saberes, aproveitando-se da alta capacidade de sua síntese crítica, de anos de labuta profissional, para avançar no conhecimento a respeito do saber intuitivo, do saber multidimensional?

De carona no ceticismo einsteiniano, há o desafio de saber como rever crenças profundamente arraigadas por milênios…

o_que_ha_do_outro_lado_(ESCHER).jpgNeste ponto, apelo para o modelo khuniano (KHUN, 1962), segundo o qual após a “gestação”, veríamos a “oposição” dos novos paradigmas seguida da “consolidação” de algum deles, em torno do qual novo consenso se estabeleceria, para dar suporte à ruptura paradigmática da magnitude da “superação” do materialismo, como realidade última.

O horizonte para um aporte cognitivo desta natureza já se pode conceber, pois a Ciência ensaia estudar o que está além dos 5 sentidos - os espectros de energia sutilizada que interagem a todo instante, produzindo sensações, cognição e memórias, de formas inusitadas e insuspeitas.

encontro_de_opostos_(ESCHER).jpgUm paradigma sustentado pela experimentação pessoal e pela valorização do amadurecimento permitiria rever a ética e a conviviologia de opostos desse nosso mundo caótico - uma generalização auto-evidente, penso eu.

A boa notícia é que há estudos sérios (poucos, mas relevantes) sobre o assunto, nas Universidades e mesmo fora delas, merecedores de crédito pelo pioneirismo. Nada mais ético que proporcionar o Direito à informação, o Direito à experimentação e o Direito à busca da verdade.

Se considerarmos a Aceleração da História, seria a quarta transição, não mencionada por Devezas & Modelsky?

É preciso que a nossa inteligência social seja capaz de questionar nossas “prisões intelectuais”, antes de questionar o poder instituído. Pior que a ditadura do poder econômico é a ditadura da ignorância evolutiva.

É preciso também fugir das armadilhas reducionistas do tipo Individual x Coletivo, Desenvolvimento x Evolução, Criacionismo x Evolucionismo. Quem defende cegamente seu moral e seu esquema mental, na prática fechou-se para o saber. A este, a experimentação pessoal nada pode ensinar.

a_origem_(ESCHER).jpgA dialética parece não funcionar nesta hora, privilegiando a heterocrítica em detrimento da autocrítica. Perde-se as sutilezas, como na crítica radical de uma doutorando em Biotecnologia Molecular Estrutural/USP. ao pretender desconstruir a Teoria da Evolução. Sobram verdades e argumentos aos dois lados, mas faltam as vivências pacificadoras.

Quer mais? Há muita ambiguidade no desenvolvimento, seja social ou científico. Avanços e ameaças se sucedem, ora contrapondo-se, ora contradizendo-se. E há a imensa lacuna a ser superada da velha ética, já falida, e da nova ética - a dos sujeitos autoconscientes, expoentes da evolução.

Questionemos: não seria um tremendo mata-burro a ambição cega, a exploração das fragilidades alheias e o nonsense anti-ecológico?

olhar_para_si_(ESCHER).jpgApesar de meu balanço não ser favorável para a capacidade de governos e organizações de propiciar esta autocrítica e de trazer no curto prazo mais benefícios que mazelas aos sujeitos - a esta altura na casa dos 6,5 bilhões, quero dizer que sou mais otimista que a maioria dos caladões por aí.

Há um alinhamento por afinidade entre os que desconhecem seu poder (aos milhões) e os que o conhecem, mas usam mal: vivem relações co-dependentes de manda-quem-pode-obedece-quem-tem-juízo. Esta é a conclusão a que chego.

Poucos são os que disciplinaram o pensamento para uso do poder pessoal em benefício do coletivo, seja escrevendo, pensando ou produzindo, cuja ação costuma ter profundidade e amplo alcance, ainda mais numa sociedade de hierarquias abertas (com exceções, naturalmente) e em rede, onde o conhecimento relevante está cada vez mais disponível (quando bem filtrado).

Mas não vou gastar meus fosfatos cerebrais para saber quanto tempo vai demorar para essa ficha cair. Se já caiu pra você, está bom demais !!! Pensando bem, melhor gastar o tempo arregaçando a manga e colocando a mão na massa. E Então?

(*) As imagens que ilustram esse post são todas do artista ESCHER.

A Nova Cultura e a Desamericanização da Vida

Aceleração da História

Há 150 anos, a História ensaiava um grande salto. Nos países primeiro-mundistas, o pensamento econômico apostava suas fichas na Indústria como mola-propulsora das Sociedades. O Desenvolvimentismo passou a depender do Consumismo, e tornara-se sinônimo de Industrialização e Produção de Bens de Massa - a chamada segunda onda (TOFFLER, 1980).

Chaplin - Tempos ModernosO discurso modernista bastava para justificar a espoliação dos recursos naturais. O mundo se (re)inventava.

Na linha-de-produção, “inventa-se” o dejeto fabril. Nas florestas “inventava-se” o desmatamento e nas fornalhas, a poluição, para gerar carvão.

Enquanto isso, no chão de fábrica, “inventava-se” o homem-máquina e a nova “neurose”.

(Chaplin, filme Tempos Modernos)

Na virada para o Séc. XX, o pensamento ecológico praticamente não existia. O pensamento psico-humanista resignava-se com a marginalidade dentro da academia. Época em que despontavam FREUD e seu pensamento desafiador do senso comum, e JUNG, seu interlocutor mais preparado, então uma jovem promessa.

Ascensão e Queda das Ideologias

Pois bem, mais de um século depois, chegamos ao Séc. XXI. Diante do reconhecimento de que o modelo é autofágico, ganham importância os pensadores - a luz no fim do túnel - que sustentam a necessária reconciliação do pensamento econômico com o pensamento eco-humanista.

Na esteira do esgotamento de recursos, a crítica (eco)nômica enfim começa a questionar o materialismo aquisitivo - que era o valor supremo emergente da industrialização - e começa a incorporar a intenção da (eco)sustentabilidade e da (eco)eficiência nas práticas e no discurso.

Mas a promessa do futuro ainda falha porque a crise humanista igualmente resultante do mesmo modelo, infelizmente, é pouco compreendida. A ideologia que dá “carta-branca” a alguns (cultura dominante) para produzir felicidade a custa de muitos, é a mesma que até a pouco ignorava a força de muitos (contra-cultura interconectada) para reinventar o próprio modelo e, na sequência, questionar as bases na qual se estabelece a felicidade.

A alguém que ache que a Sociedade é viável do jeito que está, recomendo a leitura nos jornais diários. Facilmente lê-se sobre a crise de lideranças (política), a explosão demográfica, a concentração de riqueza, o problema básico da ética, a manipulação da informação, a violência urbana e o terrorismo. Assuntos que não saem das pautas. Daí se vê que o gargalo civilizatório vai muito além do G-7. E não é de hoje.

Em toda a história civilizatória, nunca houve um instrumento capaz de organizar e interligar seres humanos em larga escala. Com a Internet, a perspectiva é outra.

Ciclos de Aprendizagem e Mudança Coletiva

Há pesquisas em Economia Evolucionária (DEVEZAS e MODELSKY, 2004) que compreendem o momento atual como co-evolução de três transições: a mudança da onda tecno-econômica (ascensão das biociências), uma viragem no ciclo geopolítico (fim da Pax Americana) e inclusive, também, a provável mudança num ciclo muito mais longo que alguns designam de afirmação da “opinião mundial” (Onda do Interacionismo inaugurada com a “Galáxia da Internet”).

Por estes motivos, o momento atual seria único.

Ciclos Históricos Longos

Ao “reler” o passado com os óculos de vários tipos de ciclos de longa duração (Millenial Learning Process), Devezas & Modelsky tratam a dinâmica histórica como um processo “evolucionário” baseado na aprendizagem coletiva transmitida pelas mudanças geracionais (tecnicamente de 30 em 30 anos).

Utilizam um modelo físico-matemático, baseado em princípios da teoria da evolução, usando algoritmos e robustez científica, para afirmarem que os ciclos “aninham-se uns nos outros” e “evoluem em conjunto”. Nas descontinuidades da Ascensão e Queda das Civilizações, para cada ciclo de longa duração, que corresponde a mudanças de valores, um novo eixo precisa emergir.

A Nova Cultura

A História registra que o aspecto humano sempre foi “atropelado” pelo discurso desenvolvimentista. Invasões, saques, exploração, escravagismo. Haja desculpa esfarrapada! Identidade

O novo capítulo desta insensatez chama-se crise de identidades da pós-modernidade.

A Indústria Cultural, nascida com a segunda onda, sustentáculo da sociedade de massa, viveu seu apogeu empacotando o entretenimento, agregando emoção espetaculosa, estereótipos e fascínio pela fama e “vendendo” como fórmula de felicidade para o relax do trabalhador braçal.

A compreensão do efeito da pulverização desses valores por décadas torna-se crítica para estudos relacionados a comunicação social, mídia e educação, por exemplo. O lado perverso da massificação é a Colonização Cultural, ameaçadora do futuro justamente porque escraviza e aliena as mentes.

Pobre homo fabris…

Com a chegada da Sociedade da Informação, a sociedade se segmenta. O modelo que dissociava produção (bem-material) e cognição (bem-imaterial) do início da industrialização está tendo que ser repensado. A ideologia das “pessoas-máquinas” deteriora-se rapidamente.

Torna-se necessária a emergência de uma nova cultura, não para transmitir conceitos em escala industrial e massiva como a anterior, mas identificada com a terceira e quarta onda tecno-econômica, capaz de organizar pessoas por redes de afinidades e nichos de interesses comuns, a fim de possibilitar sua emancipação e com isso, a transição da sociedade.

Saída da “Matrix”

Não existe uma só resposta correta. É preciso avaliar as consequências das escolhas. Não se aprende sobre ética em cartilhas, do tipo: “isso eu posso, isso eu não posso”. Crianças usam cartilhas. Para adultos, é desperdício de aprendizagem. É preciso aprender a questionar os porquês das coisas.

É completamente diferente dizer “faço porque há uma Lei que me obriga” e “faço porque meu discernimento me diz que isto tem que ser feito e é o melhor para todos”.

Em síntese, aprender sobre ética é aprender a fazer melhores escolhas pessoais. O homo sapiens precisa urgentemente aprimorar sua ética, para que se possa iniciar um revisionismo histórico capaz de (re)aprumar o sentido da evolução para todos.

O princípio é de que não faz sentido conceituar uma Sociedade do Conhecimento sem a contraparte do conhecimento auto-referente, ou conhecimento de si mesmo (autoconhecimento).

Neste ponto, o humano tem que caminhar junto com o social e não submisso como está, vivendo na “Matrix”, sem o saber. Daí porque a necessidade de mudança no perfil de liderança. Da ancestral liderança pela força e pelo dinheiro para a força de determinadas lideranças.

O que se pode esperar?

E é de se esperar que a mudança venha de fora do eixo anglo-euro-americano. Por que? Porque estas sociedades e suas Instituições estão atoladas demais com o modelo atual para que se disponham à tamanho (auto)enfrentamento.

De fato concreto mesmo, penso que uma das dificuldades para estes países liderarem a renovação, fora o modelo mental cristalizado, paradoxalmente seria a barreira do estilo de vida ao qual se acostumaram e não querem rever (Money Society), pois consideram natural a riqueza estar assentada na pobreza alheia, criando pesados estigmas perante as massas e suas legítimas pretensões por uma nova sociedade.

E sem essa neutralidade, difícil assumir a responsabilidade à qual me refiro, capaz de superar a onda de insatisfação e protestos. A Globalização não é só um movimento econômico. Carece de consenso. MILTON SANTOS, em uma entrevista que virou documentário, a vê como ameaça mais do que solução.

Menos concreto, mas nem por isso desprezível, a expectativa mundial pelo que vai acontecer com a China, na hibridização de sua Filosofia e conjunto de Saberes Orientais Milenares com a abertura definitiva da sociedade chinesa, a despeito de um pós-Comunismo, ao longo das próximas 2 ou 3 décadas.

Quando isso amadurecer, teremos possivelmente uma lógica mundial (Knowledge Society) bem diferente da que existe hoje e, por isso, talvez, tão difícil de conceber, que dirá explicá-la, agora.

Teria a América do Sul alguma contribuição específica? E o Brasil, o gigante pela própria natureza? Talvez, quem sabe, depende…

Tem Lógica?Um pensamento a mais: Pergunto e questiono porque para mim, isto é mais importante do que ser o primeiro a responder.

Se minhas perguntas têm algum valor para você, então considere meu esforço e disponha-se a questioná-las. Em debates, importa mais os argumentos que o certo/errado.

Diante do exposto, convém acrescentar: como você lida com os (de)Formadores de Opinião e de Novas Sinapses que influenciam sua vida?


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Hubble - Cosmologia ou Ufologia?

Somos mesmo minipeças neste imenso maximecanismo universal. De foto em foto, de missão em missão, há muito o que se investigar.

Que avanços instrumentais seriam necessários, por exemplo, para que o Hubble pudesse auxiliar na pesquisa de vida em outros Planetas? O “gargalo” é só instrumental ou seria moral também? É isso que quero abordar nesse texto…

Durante séculos, se cristalizou na cultura uma verdade conveniente - de que a Terra possui o monopólio da vida no Cosmos. Nada mais estapafúrdio - uma improbabilidade estatística, diante de tamanha imensidão cósmica. Nesse campo, a ciência apenas especula sobre a verdade.

As teorias onde a vida é obra do “acaso” não explicam nada. Tampouco resolve dizer que a vida é obra de uma “mutação provocada por certas condições”.

Dizer então que a vida (matéria animada) deu um salto ontológico direto da matéria inanimada (o início dos tempos, a grande explosão) é o mesmo que dizer que a inteligência, a autoconsciência e toda a complexidade orgânica deriva da pedra. É de “lascar” (sem trocadilho). Melhor dizer que nâo sabe…

Numa linha alternativa, tem a “Panspermia”, teoria que considera a vida tendo chegado a Terra através de micro-organismos espaciais, viajando junto com algum cometa que colidiu conosco há milhares de anos e que, aqui, teriam encontrado “condições especiais” para se desenvolverem. Teoria razoável, apenas, apesar de incorrer também em duas dificuldades: explicar como esses micro-organismos teriam surgido e explicar como derivaram na complexidade, como a conhecemos hoje.

É uma pena que esta civilização esteja imersa no antropocentrismo preconceituoso (problema moral, mais do que científico) para compreender hipóteses bastante razoáveis e plausíveis, de que: existem inúmeras formas de vida, e nem todas são biológicas (teoria dos corpos imateriais); os seres situados na escala evolutiva além do homo sapiens são raros neste planeta, o que não quer dizer que não existam ou não atuem anonimamente, de alguma forma; há inúmeros planetas habitados, sendo este Planeta apenas mais um; e que, além do mais, já é visitado (e auxiliado) por outros seres desde sua origem.

Só para lembrar, a Ufologia já fez aniversário de 60 anos. Não é mais mistério para quem se dispõe a estudar o que os governos não querem admitir. Há centenas de casos, depoimentos e relatos pessoais, que não podem ser classificados como mera fraude.

Contrastes: Em mais uma atitude vanguardista que lhe é peculiar, a França anunciou recentemente que abriria seu banco de dados de pesquisas ufológicas à comunidade, via Internet. Mas ainda há os que preferem a pseudo-segurança do auto-engano ao enfrentamento da verdade relativa de ponta.

Essa geração convive com uma pressão que é cada vez maior para que as informações “oficiais” sejam liberadas (em inglês).

Do ponto de vista psicológico, apesar da exploração do medo e do catastrofismo pelo cinema ficcional, também se pode alegar que foi esta mídia que em âmbito mundial tomou para si o papel da desensibilização das massas para a fenomenologia ufológica, na medida em que, de dose em dose, vai preparando as mentes para a catarse emocional do “primeiro encontro”.

Do ponto de vista da Exopolítica, que examina as implicações políticas da presença extraterrestre (em inglês), já se fala na vanguarda da “futura” política intergalática, que rege(regeria) o intercâmbio entre civilizações.

E, na perspectiva histórica, o correr do tempo favorece a dissipação dos inconvenientes para esta ou aquela testemunha ocular, em geral, “amordaçada à forceps” e vivendo à sombra deste ou daquele poder estabelecido.

Uma observação lógica: Seres mais desenvolvidos, de Planetas longínquos, têm(teriam) todas as razões para olhar com cautela e experienciar de longe a “quarentena cósmica” da Terra, pois além do problema dos anticorpos (ameaça imunológica) num contato mais ostensivo (de lá pra cá e daqui pra lá), existe também a triste realidade ética do modelo cultural em vigor.

Eis o que os “ilustres visitantes”, mais evoluídos, poderiam dizer sobre este Planeta, se aqui viessem para observar: a saga do homo sapiens registra surtos de desenvolvimento permeados por culturas imperialistas - o “vale-tudo” do poder - basicamente beligerante, autofágica, (auto)corrupta, de esgotamento de recursos e de desrespeito crônico e cínico pela vida.

Lembremos também da máxima científica: Sempre se pode encontrar evidências que caibam dentro das teorias já aceitas. Difícil é desbravar a nova evidência, para construir a partir dela, as novas teorias.

e_dai.JPGDaí que quem não desafia os paradigmas e as maneiras anacrônicas de pensar, arrisca-se a viver no escuro, como no “Mito da Caverna” (de Platão).

Só mesmo com muita arrogância para achar que o nosso modelo de vida seria referência universal para encontrar todas as possibilidades de vida em outros planetas / galáxias.

[UPDATE] Pesquisa Nacional sobre Percepção Pública em C & T - Ciência e Tecnologia, disponível no site do Ministério de Ciência e Tecnologia

Na pesquisa atual (2007, pág. 24), 41% dizem ter “muito interesse” em C & T. A categoria “Astronomia e Espaço” é a menos votada (7%, ou 2,8% da mostra total), apesar da categoria “Novas Descobertas” ser a segunda melhor rankeada (35%, ou 14,2% da mostra total).

Na comparação com a pesquisa anterior (1987, pág. 21), 31% se dizia “muito interessado” em C & T. Em relação ao interesse sobre a categoria “Ciências Extatas / Astronomia”, apenas 3% da mostra total disseram buscar informações nessa área.

O que essas informações sugerem? Que a avidez popular por novidades não abrange o Cosmos? Que não há nada no Cosmos que justifique curiosidade? Que apenas 3% das pessoas questionam sobre o sentido da vida apenas neste Planeta perante a imensidão do Cosmos? Ou ainda que não se espera da Ciência respostas nesse campo de estudos?

Quem pergunta quer resposta: Qual seria o “peso” da mistificação “oficial” sobre a vida além-Terra no resultado dessas pesquisas de percepção pública? Poderia estar relacionado de alguma forma?

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Sobre pontes e escadas - como fazer o conhecimento avançar?

Pontes são elementos concretos de ligação entre dois lados, inicialmente isolados. São elementos de acessibilidade, que permitem superar barreiras de distância. Se só existe uma ponte, pouco intercâmbio será possível. Com mais pontes, mais intercâmbios e mais interação.

E uma escada? Outro elemento de ligação e de acessibilidade, não para acessar lados distintos, mas patamares distintos, dentro do mesmo lado. Um patamar mais elevado é acessível a partir do patamar que o precedeu. E vice-versa.

e_dai.jpgDaí que, em outra escala, mais abstrata, em uma escala nem sequer física, o pensamento e seus derivados (cultura, informação, aprendizagem, conhecimento, memória, etc.), também carecem de “pontes” e “escadas” para se intercambiarem.

Tendemos a permanecer juntos com pessoas por quem sentimos afinidades. Os semelhantes se atraem. A Lei da Atração impera. Nossas escolhas afetivas se baseiam fortemente nesse componente. Por isso é tão difícil compreender aquilo que difere do nosso mundo mental, entender as diferenças, porque estão distantes “espacialmente” (em outro lado) e “topologicamente” (em outro patamar). É nesse sentido que metaforicamente só pode haver intercâmbio cultural através de “pontes” e “escadas” no pensamento.

O grande desafio (a pedra no sapato) em todos os tempos sempre foi compreender a questão da mente humana, abordada de forma diferente entre diversas culturas e sub-culturas (culturas dentro de culturas). Quem somos nós afinal, qual o significado da vida, da existência, o que é a consciência, qual a natureza da inteligência, como se dá a evolução, mais até do que especular sobre a gênese de tudo e tal. Há quem diga que foi em sete dias…

Atualmente, vivencia-se um dilema na ciência, super-hiper-ultra-especializada, que a despeito de seu grande desenvolvimento e sofisticação técnica, as Big Sciences deixam muito a desejar quando o assunto é a mente humana, pois carecem da visão integradora, à luz de um paradigma igualmente integrador, que possibilite abarcar então esta “nova” realidade.

Relativizar a separação entre sujeito cognoscente e objeto cognoscível, um dos pilares do Positivismo, base do paradigma atual, é assunto comburente em certos círculos (e cátedras). Conceito esse válido e aceito (apesar das restrições) para estudar realidades concretas, torna-se frágil quando o objeto a ser estudado é o próprio conhecimento, a própria consciência. Ao ignorar o que sinto, como poderei estudar o que penso? Eis um fato da vida.

tem_logica.jpgOu será que deveríamos nos contentar com uma ciência sem consciência, uma barreira de jamais podermos estudar metodicamente e criteriosamente as realidades subjetivas que produzimos? Ou o que seria pior, desconsiderá-las só porque são subjetivas e não, válidas universalmente.

Do outro lado da ciência fragmentada, ou da ponte, como queiram, estão as chamadas Humanidades, cuja visão tradicionalmente é integradora. Nesta visão, o ser humano não é só máquina, como revelou a ciência. Genes, células, órgãos e tecidos estão lá, mas sob controle de um meta-elemento que os anima (alma, que vem do latim “ânima”).

Pois bem, eis uma difícil questão: a compreensão meta-biológica da vida, o sentido da existência em um planeta refém da própria cultura autofágica da maioria de seus hóspedes, depende do paradigma que se usa. Paradigmas são modelos mentais, consensuais e, ainda que durem milênios, são finitos. A partir de uma revolução paradigmática em diante (no sentido Khuniano), sustentar o velho paradigma é que se tornaria uma anomalia.

Em períodos de Ruptura Paradigmática iminente, como o que vivemos atualmente, inaugurado no início do Séc. XIX com o fim da ilusão materialista como realidade última, quanto mais se precisa de intercâmbio, mais evidenciam-se duas polaridades de pensamento: o conservadorismo e o vanguardismo.

O conservador vê nas “pontes” uma ameaça ao status a que se acostumou, e trabalha para destruí-las. Vê imposturas em tudo que é canto e, com medo de mudar, sobe e desce a mesma “escada”, especializando-se em cada um dos patamares, desde que se mantenha preso à tradição. Só de pensar em ter que rever todas as suas teorias, todo seu saber e, por extensão, todas a história humana, a luz de novas teorias, prefere mesmo que tudo continue como está.

Já o vanguardista, em geral, cansado de subir e descer a mesma “escada”, adora construir “pontes”, que permitam questionar sua cultura natal, seu saber local e sua filosofia herdada porque sabe que, oxigenando suas idéias, contribui concretamente para o avanço do conhecimento integral. Não se convence facilmente com a noção de que sua cultura é a melhor, e “ganha o mundo” para ver o que mais encontra.

Para mim, a transdisciplinaridade é o grande ensaio, seria o principal movimento capaz de reunir os vanguardistas, com a força de ser uma “escada” e uma “ponte” para a transculturalidade e a cidadania global.

Eis, de volta, a questão central do post (e do próprio blog): se o avanço do conhecimento se dá pelo (auto)conhecimento, facilitado pelo vanguardismo, porque o vanguardista ainda precisa encarar a condição de andar na contra-mão, em contra-fluxo, sempre visto com olhos de desconfiança?

E mais umas perguntinhas inquietantes: Por que não se poderia conceber uma sociedade aberta à mudanças? E por que ao tocar em assuntos polêmicos logo aparece alguém para discriminar e chamar de herege, sonhador, doidivanas, sincrético, utópico e tal?

dica.JPGPara os que nunca se cansam de aprender, eis alguns movimentos interculturais em andamento. Identifica-se com algum?

IASB - Centro de Intercâmbio Acadêmico Sino-Brasileiro - com a missão de realizar intercâmbios culturais e acadêmicos entre a China e a América Latina.

Mind and Life Institute - Trabalho em colaboração e parceria em pesquisas entre a Ciência Moderna e o Budismo.

ISSSEEM - Science And Energy Medicine - Força tarefa de “cientistas com inclinação mística” e “místicos com inclinação científica”, conforme anunciado no site.


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