7 Vertentes Principais do Conhecimento Humano

No post anterior, Comunicação e Conhecimento, investigamos o papel da comunicação como (meta)elemento na criação da rede sináptica e da forma de pensar.

Aqui investigaremos o papel assumido pela linguagem e de suas relações possíveis, na estruturação dos conhecimentos nas suas principais vertentes culturais.

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As 7 vertentes básicas acima são formas humanas de conhecimento, expressão e compartilhamento de informações que interagem e diferenciam-se entre si.

Vejamos cada uma…

Senso comum.
O modo mais primitivo e natural de apreender o mundo e seus objetos. Surge com o desenvolvimento da Razão e da linguagem, a partir das sensações e emoções experimentadas. A linguagem ajuda a entender, explicar e comunicar os fenômenos do ambiente natural e humano. Tal compreensão inicial propaga-se horizontalmente (massificação) e perpetua-se verticalmente (de geração para geração) na cultura, em suas diversas sociedades. O senso comum e a cultura substituem, em grande parte, o instinto como fonte de segurança nas ações. Exemplo de genialidade empírica do senso comum é a pergunta do ex-jogador da seleção brasileira de futebol ao técnico brasileiro, depois de ouvir a explicação de como a equipe deveria jogar: ele questionou se o treinador já tinha combinado a tática com o time adversário. Exemplos de sabedoria do senso comum encontram-se em provérbios populares de várias culturas do Mundo.

Ideologia.
O senso comum também gera ideologias sociais, um dos tipos de ideologias de grupo ou de massa. A ideologia social cristaliza-se a partir de tradições e costumes de determinada sociedade ou setores sociais, sendo transmitida pela linguagem. A ideologia social é específica para o tipo de sociedade que a produz e reproduz, relacionando-se com seu modo de produção econômico ou funcionamento, a divisão de trabalho e a organização social. Produtos de tal tipo de ideologia são os preconceitos e as visões estereotipadas com que os membros da sociedade se vêem segundo seu papel social, e não enquanto indivíduos dentro de um processo dinâmico de evolução. Por exemplo, o lugar-comum de que o jovem deve aproveitar a vida sem se ocupar com assuntos sérios. Muitas vezes, isso é elogio da irresponsabilidade. Simultaneamente, é maneira de afastar os jovens das decisões políticas, retardando ao máximo as renovações resultantes do conflito de gerações. Diversão não significa apenas atividades exóticas ou perigosas. Aprendizado também diverte, especialmente o autodidatismo. Criam-se ideologias da juventude, separatismo servindo primordialmente a interesses mercadológicos – dividir para conquistar – visando atrair consumidores da moda, despreocupados quanto à utilidade em si das mercadorias. Como dizia Francis Bacon, conhecimento é poder.

Filosofia.
É impossível pensar a Filosofia sem pensar a linguagem e a etimologia. A Epistemologia – um de seus subcampos, é o método multifacetado que se propõe a pensar o conhecimento científico, quaisquer de suas áreas. Na lógica epistemológica, enfatiza-se a “validade”, que é a construção da argumentação, e não a “verdade”, que é a correspondência com a realidade. Obscuridades à parte, os que nunca estudaram minimamente a Filosofia, terão dificuldades de entender a sofisticação do pensamento humano. Entretanto, convém registrar, não se pode negar que o Pensamento Filosófico introduziu o preciosismo, o hermetismo e o elitismo. Ao se desvincular da realidade factual, internalizar seu discurso e seu jargão, e distanciar-se da experimentação, tende à circularidade no pensamento e a viajar no mundo das ideias. Tem horas que o Saber embriaga como cachaça. Em decorrência dos jogos internos de poder, das disputas de egos, a Filosofia se fragmenta, acaba por se dividir em Escolas Inimigas, subjugadas pelas Ideologias, que as diferenciam com suas linguagens características, em detrimento da busca comum pela expansão do conhecimento. Aos que apreciam a riqueza filosófica do Conhecimento Compartilhado, indica-se incrementar a experiência com o pessoal de Filosofia, mas atento ao jogo das “falácias lógicas” e do “argumento da força”. Debater conhecimento no clima do eu-venci-você-perdeu, é pedir para ser nocauteado. Melhor jogar a toalha antes.

Arte.
A linguagem artística dá vazão à fantasia, às emoções e ao subjetivismo para transmitir sua mensagem. Não existe a Arte, mas as Artes. A Grande Arte difere bastante da Arte Popular, por exemplo. É difícil explicar a popularidade do Pop, sem considerar seu papel social de entretenimento, distração e fuga do cotidiano, este percebido como gerador de estresse e opressão. Mas também não se pode desprezar como variável a tendência à acomodação, certos padrões de preguiça mental, definitivamente anuladores de potencialidades. O apreciador, quando compulsivo, digere novelas, dramas, pinturas, música, e vive na gangorra, oscilando entre o vício e a carência emocional, ora revivendo a mesma emoção, ora buscando-a para superar sua dor. O artista, muitas vezes, é o intelectual adormecido, que se dedica a explorar seus talentos, sua sensibilidade já mais do que aflorada. Ambos têm dificuldade em se perguntar se poderiam aprender algo com o debate, as Ciências e o Conhecimento Crítico, ou mesmo com as Filosofias. Na Indústria do Pop, a regra para os artistas bem-sucedidos é estarem endinheirados e famosos, não se esforçando em parar de repetir a si mesmos. Como se vê, o mundo artístico empurra para a vaidade e o egocentrismo, pois são atitudes retro-alimentadas na profissão pela legião de fãs, igualmente cultuadores de seus egos megainflados.

Religião.
A linguagem religiosa é codificada e consolidada nas sociedades humanas com a invenção da escrita, possibilitando sua institucionalização. Os textos religiosos, muitos dos quais não escritos por seus mestres, são alegóricos, relativos a realidades multidimensionais até então pouco conhecidas, tornando-se explicáveis para as massas. A interpretação das escrituras literalmente está a serviço da manutenção desse império milenar de fé. A ética religiosa, a pretexto do religare, acabou atuando como instrumento social de poder, infelizmente pouco explicando e muito explorando os temores e medos coletivos, sobretudo da morte, do desconhecido, do além. Embora admitindo que historicamente as Religiões se justifiquem, sendo útil para muitos como código de contenção da primitividade de certos impulsos atávicos, para os estudiosos, a mera conversão-clichê não exclui a necessidade bem mais séria, ulterior, de lidar com suas retratações e conciliações, passando a limpo seus reais princípios, valores e comportamento. Por ser conhecimento hierárquico e dogmático, mantém seu discurso incrivelmente formatado. Tem lá suas contradições, pois ao mesmo tempo que maximiza a intermediação da evolução alheia, assume postura vigilante contra qualquer autoria ou conhecimento crítico que aponte suas fragilidades. A maior delas, é excluir a possibilidade do novo conhecimento, tornando-se fechada em si mesmo, uma eterna defesa do modo de pensar primevo, mistificado e crédulo.

Ciência.
A linguagem científica baseia-se na razão, na clareza e na objetividade. Nem por isso se deve esquecer que os cientistas são falíveis, pois métodos podem ser falíveis. Às falhas, em geral, na Ciência, contrapõe-se a possibilidade de refutação. É assim que se renova, admitindo apenas verdades relativas e temporárias. A Ciência faz predições e demonstrações que o senso comum consideraria insensatas ou impossíveis: por exemplo, pilotar objetos mais pesados do que o ar. A Ciência usa a Heurística na elaboração de hipóteses para explicar e compreender fatos ainda desconhecidos – ao contrário do senso comum, que busca, a partir de ensinamentos populares tradicionais, unicamente a compreensão do já existente ou aparente. A linguagem científica também cria termos técnicos ou neologismos para designar novos fenômenos descobertos.

Autovivência.
Experiência de vida também é linguagem, cujo domínio importa para a qualidade das relações no grupo de convivência. O conhecimento haurido dessa fonte é um conhecimento sobre si mesmo, sobre comportamento, valores ou desejos. É um autoconhecimento, que se qualifica com o passar do tempo. Quanto maior a base idiomática, a cultura geral e a criticidade sadia do agente cognitor, mais tal fonte torna-se prioritária, e menos suscetível estará a pessoa à influências ideológicas. E isso distingue “pessoas que pensam” das que “são pensadas”. Quanto maior o grau da liberdade do pensamento do observador-experimentador, mais saberá selecionar o que existe de melhor em cada linha do conhecimento humano e sintetizá-lo para si, para seu amadurecimento e crescimento pessoal. Por exemplo, o realismo do senso comum unido ao rigor da Ciência, a sensibilidade da dramatização unida a comunicação social de dilemas morais, éticos e filosóficos. O Trinômio que sintetiza essa liberdade cognitiva-evolutiva: Vivência, Reflexão e Experimentação.

E você, caro leitor, já descobriu qual a linha de conhecimento que mais mexe com você? Por quê será?

Um abraço,
Marcelo e Alexandre


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Comunicação e Conhecimento

Todos somos receptores e emissores de comunicação. A interação é a base das trocas informacionais, da aprendizagem, do conhecimento. Sem essa relação com o ambiente não haveria reciclagem nem evolução. Apenas uma longa estagnação…

Estudar a Comunicação é, portanto, fundamental. Utilizamos a linguagem, os símbolos, os gestos, as expressões e a nossa energia. Até as pausas e o silêncio pertencem ao “ato de comunicar”. A mensagem comunicada fará mais ou menos efeito, a depender do grau de afinidade no par emissor-receptor.

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A percepção
Fator-chave na boa comunicação, pois dela depende a observância do conteúdo (palavras, sentidos, relações) e forma (expressões, sinais, etc.) empregados. O que ficar abaixo do limiar de excitação e não chegar à consciência, são os estímulos subliminares.

A compreensão
A compreensão do percebido permite a decodificação da mensagem efetivamente transmitida. A falta de compreensão impede a Comunicação. Os fatores de “ruído” na Comunicação podem ser a linguagem (idioma ou vocabulário, por exemplo), a ausência de códigos compartilhados (expressões idiomáticas, por exemplo) ou o desconhecimento do assunto, entre outros.

Quando há estabelecimento, cognição e interpretação dos símbolos comunicativos, estamos no âmbito da linguagem, que pode ser verbal / escrita. Esquematicamente, temos:

informação –> expressão –> percepção –> compreensão

Há estudos sobre telepatia, psicografia, sonhos lúcidos, projeções de consciência fora do corpo humano e outros meios de comunicação avançada, muitos dos quais não simbólicos, que nos permitem inferir, em tese, que é possível chegar a um nível alto de abstração do mundo das formas e privilegiar o conhecimento direto, comunicado em bloco, que prescinda inclusive do uso de palavras.

A auto-imagem

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O fator isolado mais importante que afeta a comunicação entre pessoas é a auto-imagem. Enquanto as situações podem variar em função do momento ou do lugar, as crenças que as pessoas possuem acerca de si próprias estão sempre determinando seus comportamentos na comunicação.

A Comunicação é, enfim, uma área de estudo ampla e se desdobra nesse vasto espectro de relações.

O Conhecimento
Comunicação relaciona-se também com Conhecimento, pois todo o conhecimento tácito humano ao se formalizar, ou seja, quando é expresso (autoria, criatividade, produção mental), acaba fixando-se em algum multimeio, tornando-se conhecimento explícito ou registrado, e utiliza para isto uma base linguística, permitindo sua cognição (educação) e compartilhamento (cultura).

Einstein dizia que “A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original“. De certa forma, o cérebro virgem é igual ao fósforo sem uso. Tem o elemento potencial, mas lhe falta o atrito do desafio, a ignição do saber. E o cérebro malhado é que nem fósforo usado, sua estrutura anterior já se modificou para acomodar o novo saber.

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O conhecimento e a comunicação são (meta)elementos modificadores-estruturais das sinapses cerebrais. Para investigar esta relação, leia o post 7 Vertentes Básicas do Conhecimento Humano.

Você, caro leitor, já descobriu qual a forma de comunicação que mais mexe com você? Por quê será?

Um abraço,
Marcelo e Alexandre


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A Entresafra Epistemológica

Vejo muita gente intuindo sobre Consciência Coletiva, Nova Era, Terceiro Milênio entre outros chavões que tentam explicar a transição cognitiva em curso. Mas poucos se arriscam a explicar como isto afetará a ordem mundial -a Aldeia Global e os Eixos de Poder. paradoxos_(ESCHER).

Como exigência intelectual para os mais ansiosos, é preciso compreender que não dá pra tratar de um assunto árido como este em poucas linhas. Talvez com imagens (*), quem sabe?

Há muitos paradoxos. As sociedades avançam porque o conhecimento avança, porque você avança. Paciência, caro leitor. Se está com preguiça mental, este post não vai lhe agradar…

Para quem vai em frente, eu pergunto: O que foi o Renascimento, há mais de 4 séculos?

Justamente o movimento histórico de convergência que levou ao irrompimento de novos valores, centrados no desafio de formar novos sujeitos – cidadãos livres, ativos, protagonistas da história e não mais elementos passivos, submissos, vassalos – pensamento que propiciou novos tipos de associações entre indivíduos e possibilidades de saber e conhecimento, negligenciados até então, produzindo mudanças no cenário das decisões mundiais, ao questionar as bases do poder em vigor: o Sistema Feudal Decadente e o Teoterrorismo da Inquisição Católica.

Nos dias de hoje, há uma super-expectativa em relação ao conhecimento técnico-científico e uma sub-expectativa negligente em relação ao conhecimento autoconsciente (autoconhecimento, conhecimento de si mesmo). A chamada “Ciência de Impacto” tornou-se um novo eixo de poder, pois alinha-se majoritariamente aos governos e orçamentos oficiais, e deles sobrevive.

A Ciência, a Mídia e a Internet fazem explodir a quantidade de informações circulantes, mas o ser humano, via de regra, quando alfabetizado, continua sem saber como filtrar essa avalanche, como distinguir o que interessa do que não agrega valor, como separar o joio do trigo, como ser seletivo (no bom sentido).

Há uma clivagem entre o conhecimento das chamadas Humanidades e o conhecimento haurido pelas Ciências Exatas, subproduto do debate sobre o paradigma mecanicista – ainda dominante, mas em vias de esgotamento, e de uma nova forma para pensar a vida, o homem e o universo que o cerca. contrastes_(ESCHER).jpg

Todos sabemos que para minimizar as atuais lacunas entre Individualismo-Coletividade, Ser-Ter, Egoísmo-Solidariedade, Ocidente-Oriente, Fé-Razão, Filosofia-Ciência, entre muitas outras dicotomias, é preciso avançar no conhecimento multicultural, que implica rever os sistemas políticos e econômicos que sustentam uma convivência tão desigual como a que atualmente se verifica.

E rever sobretudo preconceitos e fronteiras do saber. Einstein dizia que “é mais fácil quebrar um átomo que um preconceito”. Mas seria então necessário um Novo Humanismo? Novo Antropocentrismo? Novo Renascimento?

Eis meu conceito de entresafra epistemológica: Uma série de evidências indicam que a mola-propulsora da Sociedade do Futuro está na Nova Epistemologia, que vai fundamentar um alicerce muito mais profundo sobre o ser humano – indivíduo e espécie, capaz de inaugurar, assim espera-se, uma nova ética. concavo_convexo_(ESCHER).jpg

A primeira evidência é que o edifício da Psiquê Humana ainda não está completo, como dissemos. O Renascimento proporcionou um “andaime” neste edifício – a busca do centramento sociopolítico dos sujeitos.

A partir de uma atitude multi-inter-transdisciplinar e transcultural, abre-se a possibilidade de avançar o estudo da mente humana, em seu potencial adormecido, sem os preconceitos de raça, cor, sexo e cultura. Um passo decisivo à própria compreensão da vida é que a perspectiva da evolução vá além de meras mudanças anátomo-morfológicas nos corpos biológicos.

(Re)centramento. Eis o nome provisório para o novo momento. fragmentacao_(ESCHER).jpg

O mundo moderno trouxe inúmeras fragmentações sobretudo a de identidades.

Pode-se dizer que a consciência do centramento atual é cognitiva – a nova fronteira do saber, o debate a ser enfrentado por aqueles para quem não basta apenas o saber (fatual, categórico) mas sim saber como souberam o que já sabem e como saber o que ainda não sabem (processual, fenomênico).

Todo brasileiro, por exemplo, bem que poderia orgulhar-se do trabalho em curso no Instituto Internacional de Neurociências de Natal, capitaneado por Miguel Nicolelis – um cientista brasileiro, que abre as portas para este estudo, no formato multidisciplinar e transcultural, que é o que interessa para o avanço do conhecimento. Lá se desenvolve ciência com enfoque social. Ponto pra eles !

A entresafra atual não é mera condição herdada do paradigma dominante. Vejo mais como uma transição necessária até que as abordagens epistemológicas amadureçam, o que permitirá reinterpretar a abundante fenomenologia disponível. Não se muda a História, mas a visão que dela temos.

Com a “subjetividade”, a vilã do paradigma mecanicista, considerada variável indesejada no meio científico mais ortodoxo, a “realidade” desloca-se de eixo. Deixa de ser a realidade exterior, e torna-se o ponto de vista subjetivo último da realidade, antes exterior (dita “objetiva”), que passa a ter sentido só quando desfragmentada e filtrada por você, tornando-se portanto interior.

Ou seja, a realidade que interessa é a que você compreende e a que você está apto e disposto a moldar. Dito de outra forma, num mundo em evolução, ao fazermos escolhas, a nossa realidade, a subjetividade deveria (ou poderia) ser exaltada, por incorporar a moral e responsabilidade atribuída a cada um de nós, na construção dos alicerces pessoais e sociais do futuro.

Se a Ciência não se propuser a interagir com o Social, se não incorporar a dimensão íntima do sujeito cognitor, então será como o aleijão desavisado, correndo a maratona. Nesse sentido, podemos dizer que falta autocrítica ao cientista e, por extensão, à própria Ciência, ou a boa parte dela. percepcoes_(ESCHER).Jpg

Se o ser humano possui a capacidade inata de acesso e trânsito entre várias dimensões e estados de consciência, tendo explorado muito pouco (ou quase nada) tais capacidades, bem como formas avançadas de cognição e (auto)compreensão, porque não estudar isso pra valer? Porque submeter-se à ditadura dos sentidos, quando idéias geniais ocorrem mesmo durante sonhos ou estados de contemplação criativa?

Porque não fazer como MASLOW (1954, 1968), um dos pioneiros da Psicologia Transpessoal, que se preocupou em estudar indivíduos sadios, ao invés de indivíduos doentes e psicologicamente instáveis, alicerce da Psicopatologia e de toda Psicologia Clínica? Quem são os sujeitos por trás dos estados de consciência elevados, em experiências culminantes, mencionados por MASLOW (1968)? O que têm para nos ensinar?

Ao invés de querer anular a “praga da subjetividade”, porque não aprender com as idiossincrasias dos sujeitos diferenciados – as locomotivas da evolução? Não seria mais inteligente que a classe científica se debruçasse sobre esses indivíduos e seus saberes, aproveitando-se da alta capacidade de sua síntese crítica, de anos de labuta profissional, para avançar no conhecimento a respeito do saber intuitivo, do saber multidimensional?

De carona no ceticismo einsteiniano, há o desafio de saber como rever crenças profundamente arraigadas por milênios…

o_que_ha_do_outro_lado_(ESCHER).jpgNeste ponto, apelo para o modelo khuniano (KHUN, 1962), segundo o qual após a “gestação”, veríamos a “oposição” dos novos paradigmas seguida da “consolidação” de algum deles, em torno do qual novo consenso se estabeleceria, para dar suporte à ruptura paradigmática da magnitude da “superação” do materialismo, como realidade última.

O horizonte para um aporte cognitivo desta natureza já se pode conceber, pois a Ciência ensaia estudar o que está além dos 5 sentidos – os espectros de energia sutilizada que interagem a todo instante, produzindo sensações, cognição e memórias, de formas inusitadas e insuspeitas.

encontro_de_opostos_(ESCHER).jpgUm paradigma sustentado pela experimentação pessoal e pela valorização do amadurecimento permitiria rever a ética e a conviviologia de opostos desse nosso mundo caótico - uma generalização auto-evidente, penso eu.

A boa notícia é que há estudos sérios (poucos, mas relevantes) sobre o assunto, nas Universidades e mesmo fora delas, merecedores de crédito pelo pioneirismo. Nada mais ético que proporcionar o Direito à informação, o Direito à experimentação e o Direito à busca da verdade.

Se considerarmos a Aceleração da História, seria a quarta transição, não mencionada por Devezas & Modelsky?

É preciso que a nossa inteligência social seja capaz de questionar nossas “prisões intelectuais”, antes de questionar o poder instituído. Pior que a ditadura do poder econômico é a ditadura da ignorância evolutiva.

É preciso também fugir das armadilhas reducionistas do tipo Individual x Coletivo, Desenvolvimento x Evolução, Criacionismo x Evolucionismo. Quem defende cegamente seu moral e seu esquema mental, na prática fechou-se para o saber. A este, a experimentação pessoal nada pode ensinar.

a_origem_(ESCHER).jpgA dialética parece não funcionar nesta hora, privilegiando a heterocrítica em detrimento da autocrítica. Perde-se as sutilezas, como na crítica radical de uma doutorando em Biotecnologia Molecular Estrutural/USP. ao pretender desconstruir a Teoria da Evolução. Sobram verdades e argumentos aos dois lados, mas faltam as vivências pacificadoras.

Quer mais? Há muita ambiguidade no desenvolvimento, seja social ou científico. Avanços e ameaças se sucedem, ora contrapondo-se, ora contradizendo-se. E há a imensa lacuna a ser superada da velha ética, já falida, e da nova ética – a dos sujeitos autoconscientes, expoentes da evolução.

Questionemos: não seria um tremendo mata-burro a ambição cega, a exploração das fragilidades alheias e o nonsense anti-ecológico?

olhar_para_si_(ESCHER).jpgApesar de meu balanço não ser favorável para a capacidade de governos e organizações de propiciar esta autocrítica e de trazer no curto prazo mais benefícios que mazelas aos sujeitos – a esta altura na casa dos 6,5 bilhões, quero dizer que sou mais otimista que a maioria dos caladões por aí.

Há um alinhamento por afinidade entre os que desconhecem seu poder (aos milhões) e os que o conhecem, mas usam mal: vivem relações co-dependentes de manda-quem-pode-obedece-quem-tem-juízo. Esta é a conclusão a que chego.

Poucos são os que disciplinaram o pensamento para uso do poder pessoal em benefício do coletivo, seja escrevendo, pensando ou produzindo, cuja ação costuma ter profundidade e amplo alcance, ainda mais numa sociedade de hierarquias abertas (com exceções, naturalmente) e em rede, onde o conhecimento relevante está cada vez mais disponível (quando bem filtrado).

Mas não vou gastar meus fosfatos cerebrais para saber quanto tempo vai demorar para essa ficha cair. Se já caiu pra você, está bom demais !!! Pensando bem, melhor gastar o tempo arregaçando a manga e colocando a mão na massa. E Então?

(*) As imagens que ilustram esse post são todas do artista ESCHER.

A Nova Cultura e a Desamericanização da Vida

Aceleração da História

Há 150 anos, a História ensaiava um grande salto. Nos países primeiro-mundistas, o pensamento econômico apostava suas fichas na Indústria como mola-propulsora das Sociedades. O Desenvolvimentismo passou a depender do Consumismo, e tornara-se sinônimo de Industrialização e Produção de Bens de Massa – a chamada segunda onda (TOFFLER, 1980).

Chaplin - Tempos ModernosO discurso modernista bastava para justificar a espoliação dos recursos naturais. O mundo se (re)inventava.

Na linha-de-produção, “inventa-se” o dejeto fabril. Nas florestas “inventava-se” o desmatamento e nas fornalhas, a poluição, para gerar carvão.

Enquanto isso, no chão de fábrica, “inventava-se” o homem-máquina e a nova “neurose”.

(Chaplin, filme Tempos Modernos)

Na virada para o Séc. XX, o pensamento ecológico praticamente não existia. O pensamento psico-humanista resignava-se com a marginalidade dentro da academia. Época em que despontavam FREUD e seu pensamento desafiador do senso comum, e JUNG, seu interlocutor mais preparado, então uma jovem promessa.

Ascensão e Queda das Ideologias

Pois bem, mais de um século depois, chegamos ao Séc. XXI. Diante do reconhecimento de que o modelo é autofágico, ganham importância os pensadores – a luz no fim do túnel – que sustentam a necessária reconciliação do pensamento econômico com o pensamento eco-humanista.

Na esteira do esgotamento de recursos, a crítica (eco)nômica enfim começa a questionar o materialismo aquisitivo – que era o valor supremo emergente da industrialização – e começa a incorporar a intenção da (eco)sustentabilidade e da (eco)eficiência nas práticas e no discurso.

Mas a promessa do futuro ainda falha porque a crise humanista igualmente resultante do mesmo modelo, infelizmente, é pouco compreendida. A ideologia que dá “carta-branca” a alguns (cultura dominante) para produzir felicidade a custa de muitos, é a mesma que até a pouco ignorava a força de muitos (contra-cultura interconectada) para reinventar o próprio modelo e, na sequência, questionar as bases na qual se estabelece a felicidade.

A alguém que ache que a Sociedade é viável do jeito que está, recomendo a leitura nos jornais diários. Facilmente lê-se sobre a crise de lideranças (política), a explosão demográfica, a concentração de riqueza, o problema básico da ética, a manipulação da informação, a violência urbana e o terrorismo. Assuntos que não saem das pautas. Daí se vê que o gargalo civilizatório vai muito além do G-7. E não é de hoje.

Em toda a história civilizatória, nunca houve um instrumento capaz de organizar e interligar seres humanos em larga escala. Com a Internet, a perspectiva é outra.

Ciclos de Aprendizagem e Mudança Coletiva

Há pesquisas em Economia Evolucionária (DEVEZAS e MODELSKY, 2004) que compreendem o momento atual como co-evolução de três transições: a mudança da onda tecno-econômica (ascensão das biociências), uma viragem no ciclo geopolítico (fim da Pax Americana) e inclusive, também, a provável mudança num ciclo muito mais longo que alguns designam de afirmação da “opinião mundial” (Onda do Interacionismo inaugurada com a “Galáxia da Internet”).

Por estes motivos, o momento atual seria único.

Ciclos Históricos Longos

Ao “reler” o passado com os óculos de vários tipos de ciclos de longa duração (Millenial Learning Process), Devezas & Modelsky tratam a dinâmica histórica como um processo “evolucionário” baseado na aprendizagem coletiva transmitida pelas mudanças geracionais (tecnicamente de 30 em 30 anos).

Utilizam um modelo físico-matemático, baseado em princípios da teoria da evolução, usando algoritmos e robustez científica, para afirmarem que os ciclos “aninham-se uns nos outros” e “evoluem em conjunto”. Nas descontinuidades da Ascensão e Queda das Civilizações, para cada ciclo de longa duração, que corresponde a mudanças de valores, um novo eixo precisa emergir.

A Nova Cultura

A História registra que o aspecto humano sempre foi “atropelado” pelo discurso desenvolvimentista. Invasões, saques, exploração, escravagismo. Haja desculpa esfarrapada! Identidade

O novo capítulo desta insensatez chama-se crise de identidades da pós-modernidade.

A Indústria Cultural, nascida com a segunda onda, sustentáculo da sociedade de massa, viveu seu apogeu empacotando o entretenimento, agregando emoção espetaculosa, estereótipos e fascínio pela fama e “vendendo” como fórmula de felicidade para o relax do trabalhador braçal.

A compreensão do efeito da pulverização desses valores por décadas torna-se crítica para estudos relacionados a comunicação social, mídia e educação, por exemplo. O lado perverso da massificação é a Colonização Cultural, ameaçadora do futuro justamente porque escraviza e aliena as mentes.

Pobre homo fabris…

Com a chegada da Sociedade da Informação, a sociedade se segmenta. O modelo que dissociava produção (bem-material) e cognição (bem-imaterial) do início da industrialização está tendo que ser repensado. A ideologia das “pessoas-máquinas” deteriora-se rapidamente.

Torna-se necessária a emergência de uma nova cultura, não para transmitir conceitos em escala industrial e massiva como a anterior, mas identificada com a terceira e quarta onda tecno-econômica, capaz de organizar pessoas por redes de afinidades e nichos de interesses comuns, a fim de possibilitar sua emancipação e com isso, a transição da sociedade.

Saída da “Matrix”

Não existe uma só resposta correta. É preciso avaliar as consequências das escolhas. Não se aprende sobre ética em cartilhas, do tipo: “isso eu posso, isso eu não posso”. Crianças usam cartilhas. Para adultos, é desperdício de aprendizagem. É preciso aprender a questionar os porquês das coisas.

É completamente diferente dizer “faço porque há uma Lei que me obriga” e “faço porque meu discernimento me diz que isto tem que ser feito e é o melhor para todos”.

Em síntese, aprender sobre ética é aprender a fazer melhores escolhas pessoais. O homo sapiens precisa urgentemente aprimorar sua ética, para que se possa iniciar um revisionismo histórico capaz de (re)aprumar o sentido da evolução para todos.

O princípio é de que não faz sentido conceituar uma Sociedade do Conhecimento sem a contraparte do conhecimento auto-referente, ou conhecimento de si mesmo (autoconhecimento).

Neste ponto, o humano tem que caminhar junto com o social e não submisso como está, vivendo na “Matrix”, sem o saber. Daí porque a necessidade de mudança no perfil de liderança. Da ancestral liderança pela força e pelo dinheiro para a força de determinadas lideranças.

O que se pode esperar?

E é de se esperar que a mudança venha de fora do eixo anglo-euro-americano. Por que? Porque estas sociedades e suas Instituições estão atoladas demais com o modelo atual para que se disponham à tamanho (auto)enfrentamento.

De fato concreto mesmo, penso que uma das dificuldades para estes países liderarem a renovação, fora o modelo mental cristalizado, paradoxalmente seria a barreira do estilo de vida ao qual se acostumaram e não querem rever (Money Society), pois consideram natural a riqueza estar assentada na pobreza alheia, criando pesados estigmas perante as massas e suas legítimas pretensões por uma nova sociedade.

E sem essa neutralidade, difícil assumir a responsabilidade à qual me refiro, capaz de superar a onda de insatisfação e protestos. A Globalização não é só um movimento econômico. Carece de consenso. MILTON SANTOS, em uma entrevista que virou documentário, a vê como ameaça mais do que solução.

Menos concreto, mas nem por isso desprezível, a expectativa mundial pelo que vai acontecer com a China, na hibridização de sua Filosofia e conjunto de Saberes Orientais Milenares com a abertura definitiva da sociedade chinesa, a despeito de um pós-Comunismo, ao longo das próximas 2 ou 3 décadas.

Quando isso amadurecer, teremos possivelmente uma lógica mundial (Knowledge Society) bem diferente da que existe hoje e, por isso, talvez, tão difícil de conceber, que dirá explicá-la, agora.

Teria a América do Sul alguma contribuição específica? E o Brasil, o gigante pela própria natureza? Talvez, quem sabe, depende…

Tem Lógica?Um pensamento a mais: Pergunto e questiono porque para mim, isto é mais importante do que ser o primeiro a responder.

Se minhas perguntas têm algum valor para você, então considere meu esforço e disponha-se a questioná-las. Em debates, importa mais os argumentos que o certo/errado.

Diante do exposto, convém acrescentar: como você lida com os (de)Formadores de Opinião e de Novas Sinapses que influenciam sua vida?


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