Uma visão sobre educação e humanidade

Este vídeo foi garimpado no Youtube.

Está sintonizado com a proposta do Nova Sinapse, por isso reproduzimos aqui.

Um ótimo trabalho de produção do Professor Sérgio Motta.
Música: Dias Melhores, do Jota Quest.

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Caminhos da não violência

Se o pacifismo é um devir coletivo, por que as campanhas pela paz têm tanta dificuldade de ser efetivas? Por que o debate sobre a paz ainda é tão insignificante, tão superficial?

Seria o fascínio da mídia, ao “vender” uma violência onipresente, o culpado por obscurecer e banalizar o debate anti-violência? Ou seria porque outros debates são mais importantes? A nova economia é mais importante? O futuro do planeta? O desmatamento, a ecologia? O que mais entraria como “desculpa”?

Em uma sociedade como a nossa, em que a violência é tão arraigada, uma transição de mentalidade se faz necessária para que se atinja a paz. O ponto é que não basta dizer não à violência. Não basta pedir em público que se acabe com a violência. Isso é chover no molhado.

Uma educação para a não-violência…

Tanto a violência quanto a não-violência podem ser comportamentos aprendidos, desde muito cedo. A família, a escola e a mídia são os nossos professores. Esses comportamentos são reforçados ao longo do tempo, tornando-nos mais ou menos violentos, mais ou menos pacíficos. De qualquer sorte, mesmo com todas as influências parentais e sociais, aprender a não-violência é sempre uma opção.

Ora somos sujeitos ativos, ora passivos no cenário da violência. Ora a violência aparece como explícita, ora implícita. Ora é conosco, ora com quem amamos. São muitos os focos e, como não é possível abarcar todos de uma só vez, a solução é trabalhar o indivíduo, para que ele mesmo não seja um replicador do modelo da violência, para que, pelo menos, ele não continue “alimentando” a violência.

Reconhecer que o problema não está nos outros, mas em si mesmo é o primeiro passo. É preciso encarar com franqueza: Não é só uma sociedade violenta que gera como herança pessoas violentas mas, sobretudo, pessoas violentas que (re)produzem uma sociedade igualmente violenta. Sempre a solução começa com os sujeitos…

Atitudes ou escolhas pessoais?

A não-violência é uma postura íntima e atitude pessoal de pacifismo perante os conflitos e injunções da vida. Diante de uma agressão verbal, física, moral, compreendendo ou não os porquês, das duas uma: ou partimos para o revide, retribuindo na mesma moeda – o princípio de talião, do “olho por olho, dente por dente” – ou reagimos contrariamente a agressão, confrontando-a de modo pacífico.

Confrontar não quer dizer gerar mais agressão. Não significa atacar o argumentador mas sim seus argumentos. A técnica é ser racional e lógico, para evitar alimentar desentendimento. Lembremos que violência gera violência.

Assim, a não-violência como atitude, representa uma reação, uma “luta”, uma oposição ou resistência a todo e qualquer tipo de violência. E a não-violência como escolha de valores, significa buscar uma maturidade de participação sem imposição, representa a conscientização de que a não-violência é um valor de cidadania, ou seja, para se viver bem em sociedade, ou con+viver, é preciso respeitar as diferenças e poder interagir com dignidade e respeito.

Um contraponto final…

A pessoa que é a favor da violência acaba por torná-la uma linguagem, um meio de comunicar-se. Seus comportamentos tornam-se parte de uma rede de ataques e defesas incessantes, como se a vida fosse uma guerra ou um jogo, pois a pessoa é incapaz de reagir sensatamente, com a razão ou bom senso.

A pessoa que é a favor da não-violência tem como princípio a busca da conciliação, da harmonia com as pessoas e com os ambientes. Não é uma mosca morta, um murista omisso. Muito pelo contrário, sabe se expressar na hora certa, e procura compreender as motivações das pessoas enquanto interagem, podendo assim ajudá-las a se perceber e se conscientizar de seus atos.

Sociedades não têm o poder de se questionar, mas indivíduos sim. É aceitável que o desenvolvimento e o progresso das nações ocorram à custa da desumanização e da intolerância? O que a violência nos tem ensinado a todos? A sermos mais egoístas, mais pessimistas, mais competitivos…

Voltamos à figura-síntese do post. Qual a menor distância entre a violência de hoje e a verdadeira paz de amanhã? Seria a não-violência o caminho mais seguro? E vocês, quais casos de sucesso do seu dia-a-dia gostariam de nos relatar? Estão dispostos a (re)aprender a não-violência?

“A paz é algo além da mera ausência de guerra. É um processo ativo de cooperação, pelo qual os seres humanos assumem uma responsabilidade direta pelas soluções dos problemas que enfrentam” (Naomi DREW, A paz também se aprende, SP, Gaia, 1990)

Boas reflexões.

Karine e Alexandre


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A Nova Cultura e a Desamericanização da Vida

Aceleração da História

Há 150 anos, a História ensaiava um grande salto. Nos países primeiro-mundistas, o pensamento econômico apostava suas fichas na Indústria como mola-propulsora das Sociedades. O Desenvolvimentismo passou a depender do Consumismo, e tornara-se sinônimo de Industrialização e Produção de Bens de Massa – a chamada segunda onda (TOFFLER, 1980).

Chaplin - Tempos ModernosO discurso modernista bastava para justificar a espoliação dos recursos naturais. O mundo se (re)inventava.

Na linha-de-produção, “inventa-se” o dejeto fabril. Nas florestas “inventava-se” o desmatamento e nas fornalhas, a poluição, para gerar carvão.

Enquanto isso, no chão de fábrica, “inventava-se” o homem-máquina e a nova “neurose”.

(Chaplin, filme Tempos Modernos)

Na virada para o Séc. XX, o pensamento ecológico praticamente não existia. O pensamento psico-humanista resignava-se com a marginalidade dentro da academia. Época em que despontavam FREUD e seu pensamento desafiador do senso comum, e JUNG, seu interlocutor mais preparado, então uma jovem promessa.

Ascensão e Queda das Ideologias

Pois bem, mais de um século depois, chegamos ao Séc. XXI. Diante do reconhecimento de que o modelo é autofágico, ganham importância os pensadores – a luz no fim do túnel – que sustentam a necessária reconciliação do pensamento econômico com o pensamento eco-humanista.

Na esteira do esgotamento de recursos, a crítica (eco)nômica enfim começa a questionar o materialismo aquisitivo – que era o valor supremo emergente da industrialização – e começa a incorporar a intenção da (eco)sustentabilidade e da (eco)eficiência nas práticas e no discurso.

Mas a promessa do futuro ainda falha porque a crise humanista igualmente resultante do mesmo modelo, infelizmente, é pouco compreendida. A ideologia que dá “carta-branca” a alguns (cultura dominante) para produzir felicidade a custa de muitos, é a mesma que até a pouco ignorava a força de muitos (contra-cultura interconectada) para reinventar o próprio modelo e, na sequência, questionar as bases na qual se estabelece a felicidade.

A alguém que ache que a Sociedade é viável do jeito que está, recomendo a leitura nos jornais diários. Facilmente lê-se sobre a crise de lideranças (política), a explosão demográfica, a concentração de riqueza, o problema básico da ética, a manipulação da informação, a violência urbana e o terrorismo. Assuntos que não saem das pautas. Daí se vê que o gargalo civilizatório vai muito além do G-7. E não é de hoje.

Em toda a história civilizatória, nunca houve um instrumento capaz de organizar e interligar seres humanos em larga escala. Com a Internet, a perspectiva é outra.

Ciclos de Aprendizagem e Mudança Coletiva

Há pesquisas em Economia Evolucionária (DEVEZAS e MODELSKY, 2004) que compreendem o momento atual como co-evolução de três transições: a mudança da onda tecno-econômica (ascensão das biociências), uma viragem no ciclo geopolítico (fim da Pax Americana) e inclusive, também, a provável mudança num ciclo muito mais longo que alguns designam de afirmação da “opinião mundial” (Onda do Interacionismo inaugurada com a “Galáxia da Internet”).

Por estes motivos, o momento atual seria único.

Ciclos Históricos Longos

Ao “reler” o passado com os óculos de vários tipos de ciclos de longa duração (Millenial Learning Process), Devezas & Modelsky tratam a dinâmica histórica como um processo “evolucionário” baseado na aprendizagem coletiva transmitida pelas mudanças geracionais (tecnicamente de 30 em 30 anos).

Utilizam um modelo físico-matemático, baseado em princípios da teoria da evolução, usando algoritmos e robustez científica, para afirmarem que os ciclos “aninham-se uns nos outros” e “evoluem em conjunto”. Nas descontinuidades da Ascensão e Queda das Civilizações, para cada ciclo de longa duração, que corresponde a mudanças de valores, um novo eixo precisa emergir.

A Nova Cultura

A História registra que o aspecto humano sempre foi “atropelado” pelo discurso desenvolvimentista. Invasões, saques, exploração, escravagismo. Haja desculpa esfarrapada! Identidade

O novo capítulo desta insensatez chama-se crise de identidades da pós-modernidade.

A Indústria Cultural, nascida com a segunda onda, sustentáculo da sociedade de massa, viveu seu apogeu empacotando o entretenimento, agregando emoção espetaculosa, estereótipos e fascínio pela fama e “vendendo” como fórmula de felicidade para o relax do trabalhador braçal.

A compreensão do efeito da pulverização desses valores por décadas torna-se crítica para estudos relacionados a comunicação social, mídia e educação, por exemplo. O lado perverso da massificação é a Colonização Cultural, ameaçadora do futuro justamente porque escraviza e aliena as mentes.

Pobre homo fabris…

Com a chegada da Sociedade da Informação, a sociedade se segmenta. O modelo que dissociava produção (bem-material) e cognição (bem-imaterial) do início da industrialização está tendo que ser repensado. A ideologia das “pessoas-máquinas” deteriora-se rapidamente.

Torna-se necessária a emergência de uma nova cultura, não para transmitir conceitos em escala industrial e massiva como a anterior, mas identificada com a terceira e quarta onda tecno-econômica, capaz de organizar pessoas por redes de afinidades e nichos de interesses comuns, a fim de possibilitar sua emancipação e com isso, a transição da sociedade.

Saída da “Matrix”

Não existe uma só resposta correta. É preciso avaliar as consequências das escolhas. Não se aprende sobre ética em cartilhas, do tipo: “isso eu posso, isso eu não posso”. Crianças usam cartilhas. Para adultos, é desperdício de aprendizagem. É preciso aprender a questionar os porquês das coisas.

É completamente diferente dizer “faço porque há uma Lei que me obriga” e “faço porque meu discernimento me diz que isto tem que ser feito e é o melhor para todos”.

Em síntese, aprender sobre ética é aprender a fazer melhores escolhas pessoais. O homo sapiens precisa urgentemente aprimorar sua ética, para que se possa iniciar um revisionismo histórico capaz de (re)aprumar o sentido da evolução para todos.

O princípio é de que não faz sentido conceituar uma Sociedade do Conhecimento sem a contraparte do conhecimento auto-referente, ou conhecimento de si mesmo (autoconhecimento).

Neste ponto, o humano tem que caminhar junto com o social e não submisso como está, vivendo na “Matrix”, sem o saber. Daí porque a necessidade de mudança no perfil de liderança. Da ancestral liderança pela força e pelo dinheiro para a força de determinadas lideranças.

O que se pode esperar?

E é de se esperar que a mudança venha de fora do eixo anglo-euro-americano. Por que? Porque estas sociedades e suas Instituições estão atoladas demais com o modelo atual para que se disponham à tamanho (auto)enfrentamento.

De fato concreto mesmo, penso que uma das dificuldades para estes países liderarem a renovação, fora o modelo mental cristalizado, paradoxalmente seria a barreira do estilo de vida ao qual se acostumaram e não querem rever (Money Society), pois consideram natural a riqueza estar assentada na pobreza alheia, criando pesados estigmas perante as massas e suas legítimas pretensões por uma nova sociedade.

E sem essa neutralidade, difícil assumir a responsabilidade à qual me refiro, capaz de superar a onda de insatisfação e protestos. A Globalização não é só um movimento econômico. Carece de consenso. MILTON SANTOS, em uma entrevista que virou documentário, a vê como ameaça mais do que solução.

Menos concreto, mas nem por isso desprezível, a expectativa mundial pelo que vai acontecer com a China, na hibridização de sua Filosofia e conjunto de Saberes Orientais Milenares com a abertura definitiva da sociedade chinesa, a despeito de um pós-Comunismo, ao longo das próximas 2 ou 3 décadas.

Quando isso amadurecer, teremos possivelmente uma lógica mundial (Knowledge Society) bem diferente da que existe hoje e, por isso, talvez, tão difícil de conceber, que dirá explicá-la, agora.

Teria a América do Sul alguma contribuição específica? E o Brasil, o gigante pela própria natureza? Talvez, quem sabe, depende…

Tem Lógica?Um pensamento a mais: Pergunto e questiono porque para mim, isto é mais importante do que ser o primeiro a responder.

Se minhas perguntas têm algum valor para você, então considere meu esforço e disponha-se a questioná-las. Em debates, importa mais os argumentos que o certo/errado.

Diante do exposto, convém acrescentar: como você lida com os (de)Formadores de Opinião e de Novas Sinapses que influenciam sua vida?


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Banana, Criatividade, Ética e Brasilidade – Fórmula da Despoluição da Água

Brasileira, 25 anos, pesquisadora em química, professora e filha de pais preocupados com o meio-ambiente. Um descrição pra lá de objetiva para descrever MILENA RODRIGUES, que acaba de receber o Prêmio Jovem Cientista 2006 por sua pesquisa: “Uso da casca de banana para o tratamento de efluentes radiotóxicos”.

milena.jpgEis a simpática MILENA, do Brasil para o Mundo, recebendo sua justa homenagem na Faculdade Oswaldo Cruz.

Mas as características que mais se sobressaem nela são justamente as subjetivas. Mistura de juventude, feminilidade, simpatia, criatividade, simplicidade e ética, com tempero de brasilidade inconfundível.

Mais do que isso, sabe compartilhar conhecimento sem pompa, sem se achar a tal. Tomara que continue assim. E olha que foi premiada e tá dando uma entrevista atrás da outra…

Sua participação no Programa Sem Censura, da TVE (reexibido em 30/abril) é um show de entrevista, arrancando um “tô impressionada com essa moça” da apresentadora LEDA NAGLE.

Vejamos alguns dos tabus que ela desconstrói, em 15 minutos de entrevista, não mais do que isso:

  • Ciência não é lugar de mulher;
  • Mulheres não são lógicas;
  • Inteligência feminina não é privilegiada como a masculina;
  • Lugar de mulher é em casa;
  • Pessoas comuns não compreendem a ciência;
  • É difícil popularizar a ciência;
  • TV não serve para fazer divulgação científica;
  • Soluções importantes são soluções caras;
  • Grandes problemas se resolvem de forma pontual (quando é justamente o contrário, pois a visão integrada é que permite abordá-los da forma correta);
  • Reciclagem é luxo;
  • Lixo é sempre um problema;
  • Poluição da água é problema ambiental apenas;
  • Aquecimento global é irremediável e irreversível.

Na rotina científica, o conhecimento (base teórica) conduz sua aplicação (prática), que retro-alimenta o conhecimento. A informação científica de ponta, resultante desse processo, fica então a disposição de quem souber ou puder empregá-la.

No lado ético, em geral, justificam-se os deslizes com argumentações do tipo “não se pode impedir o progresso”, “a ciência é neutra” ou “a humanidade não evolui sem a ciência”, esquecendo que “a ciência também não evolui sem humanidade”.

No caso da MILENA (veja bem, não a conheço pessoalmente, só pela entrevista, que infelizmente não gravei), parece que a rotina laboratorial em nada prejudicou sua sensibilidade ou amoleceu suas convicções, seus ideais, que ela coloca a serviço do seu potencial. Sua frase “a Faculdade me mostrou o caminho das pedras e a minha curiosidade me impulsionou a ir atrás dos meus ideais” exemplifica este ponto.

Na entrevista, expôs seu assunto, mostrou serviço, pediu o patrocínio, argumentou sobre os benefícios, alertou sobre a urgência e, mais do que isso, mostrou o valor da educação para estimular e libertar o pensamento, ao contrário da visão convencional, que se preocupa com fórmulas, decorebas e enfiar conteúdo goela abaixo.

Um libélulo, que merece ser visto e ouvido, de como a boa didática pode motivar e cativar os aprendentes e ajudar a superar a tão falada (e tão pouco compreendida) Crise da Educação Tradicional.

Já até pedi que coloque a entrevista do Sem Censura no Youtube, pra linkar aqui. Por hora, podem assistir a moça no laboratório, dando entrevista para o Programa Repórter Eco, e com aquele sutaquinho paulistano que agente conhece de loooonge :)

Quem disse que cientista tem que falar igual a jornalista de horário nobre, todo sério, sem expressão e sem maneirismos? Seria este mais um tabu que a moça veio para quebrar? Seria bom mesmo, porque a ciência fica muito menos pomposa (e muito mais atraente) assim!

Pra ganhar Nota 10 (rs.), só fica faltando agora criar um blog e vir pra blogsfera compartilhar suas idéias…


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