Orgulho de não ser orgulhoso…


O que os olhos não vêem… o coração sente sim… e como…”

Para quem não sabe, o orgulho é um dos sete pecados capitais. Por que? O que faz dele um dos defeitos-raiz? Por que é considerado subproduto direto do egoísmo?

Seguimos a sábia linguagem popular visitando alguns tipos dessa “praga” que nos assola. Aqui e ali, podemos ver seus rastros e danos potenciais ao convívio social.

1- Estar por cima da carne seca. No filme clássico, Conduzindo Miss Daisy, de 1989, a já falecida Jessica Lange contracena com Morgan Freeman. Ambos com atuações impagáveis, ela exibe de início o “fino e sofisticado” orgulho aristocrático. O ar de superioridade, a ostentação da soberba e uma “leve” arrogância no semblante, que mantém o queixo sempre incrivelmente empinado para cima. Seu orgulho é sustentado pela vaidade insana e o desprezo aos demais.

2- Não dar o braço a torcer. Há pessoas que se consideram sempre certas. Os outros estão sempre errados. É o orgulho da teimosia. Também conhecido como “carne de pescoço”, “osso duro de roer”, “comigo ninguém tasca”. Não abre mão dos seus pontos de vista mesmo quando sabe que está potencialmente errado. Mesmo que as evidências, os argumentos e provas induzam ao contrário. Há um custo de proteção da auto-imagem inflada, maior do que simplesmente perceber sua fragilidade e dificuldade humana. Como não reconhecem a própria ignorância, tornam-se presas do medo, reféns da vaidade e do jogo de poder ufanista.

3- Cuspir no prato que já comeu. Sabe aquele seu amigo, que já recebeu auxílio em momento crítico de necessidade, e depois, ao superar a questão, esqueceu de agradecer? Ou pior, menosprezou o que recebeu? Pois é, ele(a) é um típico orgulhoso de memória fraca. Instinto humano, temperamento pessoal, falta de educação? Mero orgulho da ingratidão? Essas são as famosas personas non gratas que, em qualquer lugar por onde vão, são evitadas, quando não literalmente dispensadas.

Acha difícil conviver com pessoas assim? Símbolos da arrogância, da teimosia e da ingratidão, esses perfis de orgulho são, em essência, nuances do egoísmo. Querem estar sempre por cima, sentir-se superiores, acham que estão com a bola toda, que são os reis ou rainhas da cocada preta e, ainda por cima, não reconhecem aquilo que os outros lhes fazem. Certamente, não é dos cenários mais promissores em termos de relacionamento pessoal…

E, no fundo, no fundo, esses perfis nos colocam em uma circularidade viciosa, que volta a estaca zero, pois, quem cospe no prato que já comeu, gostaria de estar, na verdade, por cima da carne seca, pra não ter que dar o braço a torcer… quem aguenta?

E o orgulho bom? Como tudo na vida tem os dois lados…

Morgan Freeman (Free + man), no filme citado, faz o contraponto do orgulho ruim. Embalado nos discursos libertários de Martin Luter King, revelando o lado bom do orgulho, refletido pela auto-estima sadia e da dignidade da própria raça.

O que representa na prática o sentimento de orgulho bom? Seria uma satisfação pessoal? Uma espécie de valorização ou estima pelos feitos próprios e/ou alheios? Ou simplesmente a preservação da identidade e da auto-expressão social? Seja lá o que for, em se tratando de orgulho, os olhos devem estar sempre atentos, abertos… porque a única coisa que vale a pena mesmo em ter orgulho…. é de não ser orgulhoso.

Bons estudos a todos

Karine e Alexandre


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Caminhos da não violência

Se o pacifismo é um devir coletivo, por que as campanhas pela paz têm tanta dificuldade de ser efetivas? Por que o debate sobre a paz ainda é tão insignificante, tão superficial?

Seria o fascínio da mídia, ao “vender” uma violência onipresente, o culpado por obscurecer e banalizar o debate anti-violência? Ou seria porque outros debates são mais importantes? A nova economia é mais importante? O futuro do planeta? O desmatamento, a ecologia? O que mais entraria como “desculpa”?

Em uma sociedade como a nossa, em que a violência é tão arraigada, uma transição de mentalidade se faz necessária para que se atinja a paz. O ponto é que não basta dizer não à violência. Não basta pedir em público que se acabe com a violência. Isso é chover no molhado.

Uma educação para a não-violência…

Tanto a violência quanto a não-violência podem ser comportamentos aprendidos, desde muito cedo. A família, a escola e a mídia são os nossos professores. Esses comportamentos são reforçados ao longo do tempo, tornando-nos mais ou menos violentos, mais ou menos pacíficos. De qualquer sorte, mesmo com todas as influências parentais e sociais, aprender a não-violência é sempre uma opção.

Ora somos sujeitos ativos, ora passivos no cenário da violência. Ora a violência aparece como explícita, ora implícita. Ora é conosco, ora com quem amamos. São muitos os focos e, como não é possível abarcar todos de uma só vez, a solução é trabalhar o indivíduo, para que ele mesmo não seja um replicador do modelo da violência, para que, pelo menos, ele não continue “alimentando” a violência.

Reconhecer que o problema não está nos outros, mas em si mesmo é o primeiro passo. É preciso encarar com franqueza: Não é só uma sociedade violenta que gera como herança pessoas violentas mas, sobretudo, pessoas violentas que (re)produzem uma sociedade igualmente violenta. Sempre a solução começa com os sujeitos…

Atitudes ou escolhas pessoais?

A não-violência é uma postura íntima e atitude pessoal de pacifismo perante os conflitos e injunções da vida. Diante de uma agressão verbal, física, moral, compreendendo ou não os porquês, das duas uma: ou partimos para o revide, retribuindo na mesma moeda – o princípio de talião, do “olho por olho, dente por dente” – ou reagimos contrariamente a agressão, confrontando-a de modo pacífico.

Confrontar não quer dizer gerar mais agressão. Não significa atacar o argumentador mas sim seus argumentos. A técnica é ser racional e lógico, para evitar alimentar desentendimento. Lembremos que violência gera violência.

Assim, a não-violência como atitude, representa uma reação, uma “luta”, uma oposição ou resistência a todo e qualquer tipo de violência. E a não-violência como escolha de valores, significa buscar uma maturidade de participação sem imposição, representa a conscientização de que a não-violência é um valor de cidadania, ou seja, para se viver bem em sociedade, ou con+viver, é preciso respeitar as diferenças e poder interagir com dignidade e respeito.

Um contraponto final…

A pessoa que é a favor da violência acaba por torná-la uma linguagem, um meio de comunicar-se. Seus comportamentos tornam-se parte de uma rede de ataques e defesas incessantes, como se a vida fosse uma guerra ou um jogo, pois a pessoa é incapaz de reagir sensatamente, com a razão ou bom senso.

A pessoa que é a favor da não-violência tem como princípio a busca da conciliação, da harmonia com as pessoas e com os ambientes. Não é uma mosca morta, um murista omisso. Muito pelo contrário, sabe se expressar na hora certa, e procura compreender as motivações das pessoas enquanto interagem, podendo assim ajudá-las a se perceber e se conscientizar de seus atos.

Sociedades não têm o poder de se questionar, mas indivíduos sim. É aceitável que o desenvolvimento e o progresso das nações ocorram à custa da desumanização e da intolerância? O que a violência nos tem ensinado a todos? A sermos mais egoístas, mais pessimistas, mais competitivos…

Voltamos à figura-síntese do post. Qual a menor distância entre a violência de hoje e a verdadeira paz de amanhã? Seria a não-violência o caminho mais seguro? E vocês, quais casos de sucesso do seu dia-a-dia gostariam de nos relatar? Estão dispostos a (re)aprender a não-violência?

“A paz é algo além da mera ausência de guerra. É um processo ativo de cooperação, pelo qual os seres humanos assumem uma responsabilidade direta pelas soluções dos problemas que enfrentam” (Naomi DREW, A paz também se aprende, SP, Gaia, 1990)

Boas reflexões.

Karine e Alexandre


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Um Dia Você Aprende…

Texto muito bonito de Shakespeare. Música: “Offering” do conjunto Third Day.

(Via Fábio Ferrari)

Está mais para reflexão ou para auto-ajuda? Quem se importa…


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Culinária da sedução – portuguesa, com certeza

Quer idéias para um jantar sedutor? A arte da sedução é questão de treino e aprimoramento. Melhora-se com o tempo. Os 3 D’s da sedução: Desejo, despojamento e desembaraço. Um bom ambiente ajuda muito !!!

Comece convidando para uma noite inesquecível. Crie o clima. Seja gentil e sorria.

Vinho do PortoNo restaurante, peça a carta de vinhos. Os vinhos portugueses são respeitados no mundo. Se preferirem vinhos suaves, podem escolher um Monte das Abertas, um Monte dos Cabaços (Alentejo), um Quinta da Pelada (Dão) ou uma Garrafa de Rapadas (Ribatejo). Se quiserem uma bebida mais encorpada, uma boa opção pode ser o Três Bagos (Douro). Pra botar pra quebrar na noitada, podem ir direto ao Terras do Demo (Beiras).

Vamos ao cardápio sensual. De aperitivo, vá de Punheta de Bacalhau, ou o bacalhau desfiado com cebola, no azeite. Na entrada, sugiro uma Sopa de Grelos servida com Cacetinhos – os famosos pãezinhos portugueses.

O prato principal tem que ser afrodisíaco. Que tal as Pescadinhas de Rabo na Boca? As pescadinhas são molhadas no leite, antes de serem fritas. Servidas com batatas cozidas, dão um toque sublime ao paladar.

Para complementar, podem pedir Arroz de Pica no Chão que, apesar do nome, não tem efeitos colaterais indesejados. È feito à base de frango e toucinho, bastante condimentado. Um prato delicioso, para ser apreciado com moderação.

Licor de MerdaPara finalizar a noite, um digestivo feito à base de leite, baunilha, cacau, canela e frutas cítricas – O Licor de Merda.

Podem acreditar: Quem experimentou diz que é muito gostoso. O produto existe desde 1974 e chega a ser atração turística na região de Cantanhede.

(clique para ampliar)

[UPDATE] Apesar da resistência inicial, o produto foi registrado no INPI em abril/2004, segundo fomos informados por email … INPI se recusar a registrá-lo com esse nome

Para quem não dispensa a sobremesa, os doces portugueses são tradicionais. Não deixe de experimentar as Mamadinhas, delícias surgidas nos conventos ou então o Espera-Marido, um doce simples que se faz com açúcar, ovos e canela em pó.

Se a noite for mesmo inesquecível, não esqueça de passar por aqui novamente, agradecer as dicas e deixar seu depoimento.

É isso a? !!!Casal de Mãos Dadas
(**) Todas as denominações estão corretas. Os pratos estão à venda em qualquer restaurante em Portugal. Dicas do Prof. Feijó.

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