Liberdade de Imprensa ou Liberdade de Empresa?

icone_antes.jpgPara quem está por fora, denunciei aqui no blog há 8 meses atrás o descaso “oficial” com os expurgos dos planos econômicos que milhares de brasileiros têm direito. Os quase 10 Mil acessos que o assunto recebeu até hoje, no blog, sinalizam a seriedade do caso.

icone_durante.jpgVídeo da jornalista SALETE LEMOS denunciando a “má-fé” generalizada (roubalheira, no bom português) dos Bancos perante tais expurgos.

icone_depois.jpgDeu no que era mais provável de dar mesmo: foi demitida… E daí?

Vou direto ao fato. A mim interessa a reflexão, a análise e as possíveis lições. Salete se diz duplamente vítima. De censura e de covardia. Sua versão é que o BRADESCO a pressionou (com dinheiro? com imposições?) para uma retratação ao vivo e que, motivado pela sua negativa, este Banco teria pressionado a TV CULTURA (via FEBRABAN - Federação Brasileira de Bancos).

Como se sabe, ameaças de retirar as verbas milionárias da propaganda poderiam realmente causar um efeito dominó para qualquer mídia onde o sistema financeiro anuncie e a TV CULTURA não seria diferente.

Na lógica pessimista que SALETE desenha, o PAULO “Covarde” MARKUN, presidente da Fundação Padre Anchieta, cedendo a pressões, demitiu-a. Ou seja, ela vende a tese de que o jornalismo-patronal é o algoz, do “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. A chamada Plutocracia - o poder do dinheiro, (des)governando a vida das pessoas.

Ao buscar os bastidores da notícia, tive a primeira ressaca. No PORTAL COMUNIQUE-SE, o debate sobre a demissão de Salete Lemos tinha virado teoria da conspiração: vilões invisíveis, interesses não-manifestos, a mão temível do anti-lulismo PSDBista em São Paulo e por aí seguiu.

Tomei um “Engov Cerebral” e fui em frente, na leitura. Mais adiante, a pior constatação: De que nesse debate, assim como em outros, o falatório político acaba imperando, com ou sem racionalidade. Ou seja, nem mesmo na hora de deixar a “inteligentsia” falar, o coração passional não se esquiva. É pedir demais pra esse povo sair do “zero a zero”? Ou como se diz no interior, Êta povo marrento, num sabe que mulher, política e futebol num se discute?“…

Também não faltaram comentários para endossar a tese da mordaça:

…Algum jornalista, como ela, que tiver coragem e quiser dar a sua opinião pessoal que atinja interesses desses grupos, no mínimo ficar? desempregado…

…Quem critica governo, toda podridão que comanda este país, é jogado aos leões pelos patrões…

A Salete gritou e foi golpeada na sequência, sem piedade, parabéns Salete, continue assim, enquanto houver a coragem de falar, talvez haja esperança para nosso país…

…A censura existe, não mata, mais demite…

A tese do comentário descuidado não me convence porque uma profissional tarimbada como ela não ficaria improváveis um minuto e pouco denunciando ingenuamente os Bancos, sem esperar represália. A irritação dela no vídeo certamente não era TPM!!!

Fico então com a hipótese do comentário premeditado. No caso da moça em questão, inteligente que é, estrela de primeira grandeza do jornalismo econômico televisivo que é, discípula assumida de BÓRIS “Boca Nervosa” CASOY, alguém acredita que ela foi silenciada a força ou o mais provável foi uma tentativa de saída triunfal, por cima, para marcar um pioneirismo, um certo estilo, digamos independente, daqui para frente?

EUGÊNIO BUCCI, na série sobre a Ética e Imprensa, comenta que “o jornalismo só tem sentido quando posto a serviço do direito à informação - de tal modo que qualquer outro interesse que ele abrace o corrompe”. Na lógica de Bucci, para o jornalista, o “Dever da Liberdade” vem em primeiro lugar. Eu pergunto: Estamos preparados para esse nível de posicionamento coletivo e atuação cidadã?

e_dai.jpgPegando carona no Caso Salete, para chegar na sonhada condição de liberdade de imprensa, é imprescindível a liberdade de empresa? Ou seria ainda o jornalismo independente uma miragem utópica?

tem_logica.jpgPara os que acham que a demissão é o pior da vida profissional, só tenho a lamentar, e só posso desejar que, se algum dia, você se encontrar diante de um dilema moral, você possa se lembrar de ter lido este post e de ter feito esta reflexão comigo :-)

habemus SALETE LEMOS !!! habemus liberdade?

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Perspectivas da TV brasileira - garimpar vale a pena

Existe vida útil na TV brasileira em 2008?

Muito além da centralidade de celebridades e seus programas-estrela, o que me importa é perceber o que não dá tanto ibope, mas que tenha valor intrínseco, que seja capaz de extrapolar o modelo e por isso inovar.

Em Marketing, estrela é o produto badalado, do qual se espera muito, onde há grande alvorosso, não necessariamente o que rende mais lucros. Já a inovação é a possibilidade de avançar no modelo, de lançar algo que ninguém tem, de sair na frente e se destacar pelo pioneirismo. Nem toda invação vira estrela e nem toda estrela é invadora. Meu desafio intelectual de hoje é estudar isso.

As TVs Abertas no Brasil são vítimas há 5 décadas de uma contradição intrínseca. Concebidas como veículo de comunicação de massa, são concessões estatais estagnadas no paradigma da Sociedade de Consumo do pós-guerra. Há quem pergunte se, fora o jornalismo, realmente prestam algum serviço essencial à população…

Minha percepção é que as TVs arriscam pouco. Importam modelos. E repetem, repetem, repetem. Prevalece a crise de criatividade. Ao visarem um entretenimento barato, fútil, de consumo imediato, nivelam por baixo suas programações. Quase sempre, apelam e compactuam com a baixaria o que, para todos os efeitos morais, afasta anunciantes e patrocinadores. E daí perdem receita e, no longo prazo, se endividam.

Tripé da Baixaria na TVSó mesmo a lógica do quanto-pior-melhor para fazer de um Big-Brother a sensação do ano. E o povo ainda paga com as ligações no 0300. Esse é o Brasil do vale-tudo.

Enquanto o LUCIANO reflete o papel da mídia na baixaria, eu completo o tripé com a miserável relação anunciante-celebridade, que só faz eternizar o circuito-viciado e de dependência mútua.

E o povão? Invariavelmente, ardilosamente e historicamente manipulado no labirinto da Indústria Cultural…

Tábua de salvação? O messianismo dos programas vaca leiteira, Futebol por exemplo, que tem chamada regular no horário nobre, um verdadeiro campeão de audiência nas noites de 4ªf. e tardes de domingo.

Para além do mundinho das celebridades de TV, tenho observado um tipo de programa-tendência que gostaria de destacar: na linha da auto-ajuda, para adultos e para adolescentes. Vou comentar ambos:

Formato auto-ajuda adulto (pessoas reais, problemas reais) - Essa linha é a antítese da ficção e do novelão. Nada de celebridades, de aparências ou de caricaturas. Apenas pessoas e seus problemas. As profundezas da natureza humana, os dramas, as dificuldades de relacionamento, as carências e as pequenas angústias do dia a dia.

Para alguns, o formato é o buraco-sem-fundo da super-exposição. Para outros, meros programas apelativos, classe “C”, ancorados na curiosidade mórbida com as fragilidades das pessoas. Há ainda os que vêem nesses programas uma catarse-morna, a Tele-ajuda Modernizada, versão amena dos Telebarracos de outrora, conveniente para o horário vespertino.

Para mim, que gosto de Estudar os Meandros da Psiquê Humana, peso na balança e vejo o retrato ao vivo de uma sociedade que antes só conhecia pelo andei-lendo-que ou pelo ouvi-dizer-que.

Quem sabe emergirá do povão o ensaio da autocrítica coletiva? Bom seria não mais abrir o jornal e confundir os Casos de Política com os Casos de Polícia. Já imaginou os políticos, administradores e legisladores, que não conseguem nem passar a limpo sua própria ética, assistindo e se inspirando nos Casos de Família, programa do SBT, na grade da emissora desde 2004?

No formato talk-show, apresentado pela jornalista e duble de psicóloga popular Regina Volpato - a musa das 17h30, atrai audiência majoritária de mulheres. Uma espécie de tribunal de autocrítica e de conciliação para pequenas causas improváveis.

Os “convidados” entram mudos, mas não saem calados. A maioria entra insatisfeita e sai emburrada, reforçando o já esperado comportamento de resistência às mudanças. No entanto, ganha a pessoa com a reflexão sobre sua problemática e ganha o público com o debate. Não se pode esperar uma catarse profunda, nem seria o caso, mas um embalo no (auto)questionamento. Se a pessoa depois vai dar continuidade, daí é com ela.

Pontos fortes: a mediação sóbria e contida da apresentadora-facilitadora, uma excessão dentre os Egões que povoam a TV; a presença de pessoas visivelmente humildes que, ao desbloquearem a conversação, podem até abrir o caminho da conscientização; a participação “ostensiva” do auditório sem-papas-na-língua; e o(a) psicólogo(a) convidado(a) que, ao final, analisa os “causos” e sugere o encaminhamento.

Pontos fracos: a questionável validade de se discutir problemas pessoais, em público; o questionável constrangimento eventual como fórmula de aprendizagem aperta-pra-ver-se-pega-no-tranco; e a igualmente questionável ética da solidariedade caça-níquel.

Formato auto-ajuda jovem - Outra linha que me agrada é a que coloca voz na boca dos jovens. O megamal da Sociedade de Consumo é descambar para o conformismo-derrotista juvenil. Diante do cenário de alienação, louvável são as iniciativas de debate entre essa galera.

Jovem é outro papo, já dizia Chico Anysio. Jovem é um vir-a-ser adulto. É próprio do jovem querer navegar por mares não navegados. Quer descobrir e descobrir-se. Precisa de espaço para falar tanto quanto para ouvir.

Nesse sentido, meu voto vai para o Atitude.com, programa da TV Nacional apresentado pela jornalista baianíssima Liliana Reis (âncora) em parceria com Patrícia Pinho (externas). Quem vê a desenvoltura da moça, ao vivo, pensa que ela nasceu dentro da TV. Não imagina que a dita cuja é poliglota, autora precoce e inquieta, que adora viajar e “mochilar” mundo afora.

Em entrevista, ao falar de suas experiências de vida, relata que aprendeu a transformar sua agitação em diferencial. A apresentação do programa “Na Carona” foi lhe modificando, aproximando-a da realidade das pessoas. Eis uma ex-’urbanóide rockeira’, de cabelo laranja, que precisou da TV para se melhorar e se encontrar. Quem diria!!! E nessa eu queimei minha língua, pois sempre considerei que a TV era a vilã da modéstia natural das pessoas.

Sobre o Atitude.com, o formato do programa não nega o público-alvo: temas de interesse jovem, convidados descontraídos, entrevistas curtas e muita, muita música.

Pontos fortes: a simpatia e a autenticidade da apresentadora-âncora, que gosta e convida todo tipo de banda jovem, dos mais barulhentos aos mais “cabeças”; a participação do público de casa, via telefone e internet; modo de falar e linguagem giriesca, mas objetiva, sem tabus e não-me-toques, apropriada ao público que se destina; entrevistados convidados que trazem seus depoimentos; e a posição democrática necessária para o jogo do argumento-contrargumento, sem briga de força.

Pontos fracos
: pra não dizer que não critiquei nada, o figurino insistentemente esdrúxulo da moça, em clima de “festa de arraiá”. Tá certo, já sei, já sei, sem censura…

Dito isto, eu pergunto: e você, concorda, discorda, ou muito pelo contrário?

Expurgos de Planos Econômicos - A Vergonha Continua

Essa semana, volto ao assunto dos expurgos dos planos econômicos. Os mais de 5,5 Mil acessos e 48 comentários, em dois meses de publicação, indicam que a importância que dei ao tema tinha sua razão de ser. Confira ao final, na seção “Posts Relacionados”, o que já escrevi sobre o assunto.

Desta vez, em destaque, o depoimento contundente do Sr. Décio - um leitor deste blog, relatando indignado a lamentável série de dificuldades criadas pelo BANCO BRADESCO, dizendo que não havia saldo na conta dele no mês solicitado (sendo que ele tinha em casa guardado o extrato anual), que o obrigou a uma saga judiciária extra. Pelo visto, o “Banco das 120 razões” ignora que basta uma para tornar seu cliente incompleto!!!

Fila no BancoEm um artigo para o Overmundo, eu já chamava a atenção para a possível estratégia do abafa, motivada pelas relações promíscuas da grande mídia com o lobby bancário, um de seus grandes anunciantes.

Falei especialmente do papel da GLOBO, maior emissora do país. Esta emissora só veiculou o assunto ao grande público, em TV Aberta, dia 29/MAIO, faltando dois dias para o prazo final inicialmente estabelecido. Ridículo!!!

O pesadelo só fez aumentar com esse grave depoimento, que transforma a má-vontade e o empurra-empurra dos Bancos em omissão. Está muito além do que supus, mesmo estando eu informado da voracidade e da “esperteza” do sistema financeiro.

Parabéns ao Sr. Décio pela decisão de compartilhar seu relato e os procedimentos que utilizou para resolver seu problema de falta de comprovação documental e extratos, mostrando que informação e lucidez são ótimos instrumentos da cidadania.

Sem a documentação, muitos clientes que não lembravam direito se tinham ou não saldo na época, foram induzidos a desistir de processar os Bancos, que acabaram agradecendo com um “sorriso amarelo”.

O cheiro de tramóia ainda está no ar. Pela quantidade de perguntas e comentários que recebi, via Blog, extensivo a outros Bancos, parece que essa suposição configurou-se como uma vergonhosa lambança, no limite da ilegalidade.

Espero que as autoridades bancárias responsáveis, que têm muito a perder com escândalos desse tipo, obviamente, tomem ciência do caso e possam dar uma explicação convincente ao Sr. Décio e aos leitores deste modesto espaço privado, que por ser virtual, é também um bem público.

J? Soares - O GardelonE, igualmente importante, que possam se organizar antecipadamente ao ponto de reverterem a situação para os Planos Verão e Collor.

A continuar assim, só mesmo convocando a Polícia Federal para a Operação “Mui Amigo”, em referência ao hilário bordão do Gardelón, personagem do Jô Soares na década de 80.

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Mídia no Brasil - Dormindo em Berço Esplêndido?

500 Anos em 5 Capítulos - a Síntese

1- Já na carta de apresentação, Pero Vaz de Caminha, aquele da História, faz nosso primeiro merchandise. Mesmo sabendo que a ação de marketing do “nesta terra, em se plantando, tudo dá” alimentava a ambição portuguesa, cristã-missionarista por um lado, e político-exploratista por outro, arrisco a dizer que nasceu aí a semente do inconsciente coletivo nacional que se crê o herdeiro do futuro.

Hipólito da Costa2- No Tempo da Côrte (1808), o primeiro jornal. Hipólito da Costa, o ideólogo que distribuía clandestinamente por aqui o noticioso, político e independente Correio Braziliense (com “z”).

De estilo opinativo e doutrinário, sua qualidade intelectual, política e humanista não permite questionamento quanto à influência na realidade portuguesa e brasileira. A estratégia de publicá-lo em Londres, permitia driblar o “perigo de falar dos homens poderosos” e as “dificuldades operacionais” de uma publicação no Brasil da época.

Seus ideários iluministas estão por trás do “independência ou morte” e até da interiorização da capital. Eis, enfim, um jornalista que atuava a par e passo com sua época e seu tempo histórico.

3- Início do Século XX. Período de guerras mundiais. Lá fora, o Cinema Hollywoodiano crescia, no vácuo europeu. Quanto mais jovens morrendo nas batalhas, mais musicais, comédias, fanfarras e fantasia para o povo aguentar. Por aqui, na década de 40, vivíamos o sucesso dos romances e histórias açucaradas - as chanchadas, onde o público podia ver no cinema o rosto dos ídolos musicais, que só conhecia pelo rádio, o sistema de comunicação de massa da época.

Em 1946, Getúlio Vargas assina decreto obrigando a exibição de pelo menos três filmes brasileiros por ano, e estabelece as bases para a ação da censura que seria usada adiante pelos governos militares.

4- Um salto na História e chegamos a 1998. As ditaduras caíram. A Internet já existe. Os tempos são outros, os problemas nem tanto. A censura continua, mas disfarçada, incorporada à máquina capitalista midiática. A dificuldade operacional cessara, mas a concentração dos canais era tanta que a barreira para os novos entrantes inviabilizava aventuras nesse mercado.

We, The MediaNeste ano, começam a crescer rapidamente a mídia alternativa e as primeiras comunidades virtuais em torno dos sistemas de publicação autônoma (”Web Log” ou simplesmente “Blog”).

Dan Gilmor, autor e ideólogo do “Nós, a Mídia” (via Google Blogoscoped, em inglês), considera arrogante as “aulas” da velha mídia (Big Media) ao pretender dizer o que é e o que não é notícia.

Na liberdade compartilhada da nova midia, o noticiário do futuro funcionaria mais como “conversas” (em inglês).


5- Outro salto na História e chegamos ao momento atual, na véspera do bicentenário do Correio de Hipólito (2008). A TV sexagenária vive ainda seu apogeu, mas as novas mídias se multiplicaram incrivelmente, trazendo consigo a “explosão” e a “fragmentação” da informação.

A melhor ferramenta de publicação de blogs já criada completou 4 anos de existência. Os pensadores que sempre clamaram por uma mídia que permitisse a cidadania crescer, enfrentam agora “inimigos” de outra natureza:

1.) a (auto)exclusão - Lei do 1% na relação de autores x comentadores x leitores (em inglês) - que é um passivo da cultura de massa, onde as pessoas se acostumaram a consumir informação como mercadoria pronta, e não como processo de elaboração do pensamento;

2.) a exclusão digital - Que engloba falta de equipamentos, conhecimentos técnicos e falta de políticas de acesso, o que ainda inviabiliza a verdadeira mídia democrática.

Um paradoxo radical - a Análise

A TV, herdeira de audiência das demais mídias tradicionais, que sem sombra de dúvidas ainda é a principal interface da comunicação na Sociedade Moderna, tem feito, historicamente, uma opção pela cidadania negativa.

De Olho no BrasilAo reagir aos escândalos políticos e de corrupção que se sucedem, tal qual capítulos de novela, acaba produzindo dois efeitos perniciosos (ingenuamente?): 1.) a audiência cativa de escândalos - produtora de letargia, indiferença e desestímulo político do povo, sem esquecer do estresse pela fadiga noticiária; 2.) a distorção da agenda - que “rouba” o espaço para os grandes debates, as macro-análises, as macro-oportunidades e as macro-renovações fundamentais.

A nova Cultura da Mídia

Não vejo saída para os pensadores da comunicação que insistirem em ignorar um fato óbvio: a Era da Internet e do Saber Globalizado vai universalizar a ânsia natural do ser humano em buscar informação útil, em crescer como indivíduos, em compartilhar idéias, na busca de sentido para suas vidas.

E é bastante razoável que esse movimento vá além das “fórmulas prontas ou já conhecidas”. Lefebvre dizia que a História se repete, mas como “cópia e colagem”, fraudando a si mesma. Os verdadeiros movimentos socialmente transformadores precisam de inovação e originalidade.

Muitos jornalistas e comunicadores vêem a “opinião” como interferência na notícia. Parece ser esta uma herança positivista no paradigma do jornalismo atual. Levado ao pé da letra, as notícias perdem em profundidade, contexto, valor social e associação de idéias. A prevalecer esta ética, suponho, reforça-se a ansiedade pela informação, que só faz aumentar a cada dia, sem valorizar o que realmente importa: a síntese esclarecedora e a reflexão ponderada.

Eu reflito, tu refletes, nós refletimos. Por que eu me furtaria disso, já que a interatividade é que faz a diferença fundamental no avanço do conhecimento, justamente pelo debate consistente, pelos contra-argumentos e pelo confronto sadio de idéias?

Me parece ilógico que a mídia queira se manter agarrada a “vida de aquário” a que se acostumou, sendo que agora já há outras opções para a população. Sinal dos tempos? Talvez. O que poderá ser do jornalismo cidadão daqui a 10 anos? Tenho a opinião de que a vida inteligente vai encontrar abrigo na Autoria Web - o negócio editorial do futuro, mais que na Cultura de TV ou na Cultura de Auditório.

Tampouco enxergo consistência em debates baseados em celebridades e cultura midiática. Simplesmente porque o timming audiovisual não permite o raciocínio apurado e, além do mais, na lógica das celebridades, raros são os que aceitam sacrificar a verdade do personagem (o que a audiência, ainda que não precise, quer ouvir) em função da verdade do ser humano, sem a máscara (o que a audiência, ainda que precise, pode não gostar de ouvir).

Espera-se muito da TV pública - esboçante mas promissora. Uma fusão da Radiobrás com a TVE, ao que tudo indica. Alternativa que, supostamente, começará a vigorar no Brasil, em dezembro próximo. Só não se sabe quanto tempo vai durar o ímpeto. Apresenta a fórmula da TV socio-educativa responsável, sem subsídios propagandísticos nem baixaria, só mesmo conteúdo de qualidade.

Espero que, de fato, abram-se espaços para a educomunicação e para as idéias avançadas, integrado com a formação de cidadania, e não que esteja surgindo mais um palco para o proselitismo (tele)político.

tem_logica.jpgO Google não discrimina cor, raça e sexo e condição social, na hora de indexar conteúdo. Só isso já é uma importante lição democrática. Mas também é fato que a autoria ganha consistência quando é capaz de refletir sobre si mesma.

Me atrevo a escrever sobre mídia brasileira, mas não corro do escrutínio. É um convite sincero à reflexão sobre o Paradigma Hipólito. Que o Brasil é um gigante pela própria natureza, todo mundo sabe. Entretanto, a sonolência dos que, deitados em berço esplêndido, parecem ignorar o que têm nas mãos, me espanta.

Extrapolações desse tipo são questionáveis, lógico! Mas assumo os riscos. Afinal, do Brasil, sabem os brasileiros. E olhe lá!


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