Se o pacifismo é um devir coletivo, por que as campanhas pela paz têm tanta dificuldade de ser efetivas? Por que o debate sobre a paz ainda é tão insignificante, tão superficial?
Em uma sociedade como a nossa, em que a violência é tão arraigada, uma transição de mentalidade se faz necessária para que se atinja a paz.
A violência [não é só] dos outros, violência [não é só] externa. O que acontece com os outros também nos afeta, concordam?
O mundo em que vivemos é um só…
O fascÃnio da violência…
Seria o fascÃnio da mÃdia, ao “vender” violência, o único culpado por banalizar o debate anti-violência?
Ou seriam outros debates são mais importantes? A nova economia é mais importante? O futuro do planeta? O desmatamento, a ecologia?
O que mais entraria como “desculpa”?

Uma educação para a não-violência…
Tanto a violência quanto a não-violência são comportamentos aprendidos, desde muito cedo. A famÃlia, a escola e a mÃdia são os nossos professores.
Esses comportamentos são reforçados ao longo do tempo, tornando-nos mais ou menos violentos, mais ou menos pacÃficos. De qualquer sorte, mesmo com todas as influências parentais e sociais, aprender a não-violência é sempre uma opção.
Ora somos sujeitos ativos, ora passivos no cenário da violência. Ora a violência aparece como explÃcita, ora implÃcita. Ora é conosco, ora com quem amamos.
São muitos os focos e, como não é possÃvel abarcar todos de uma só vez, a solução é trabalhar o indivÃduo, para que ele mesmo não seja um replicador do modelo da violência, para que, pelo menos, ele não continue “alimentando” a violência.
Reconhecer que o problema não está nos outros, mas em si mesmo é o primeiro passo. É preciso encarar com franqueza: Não é só uma sociedade violenta que gera como herança pessoas violentas mas, sobretudo, pessoas violentas que (re)produzem uma sociedade igualmente violenta. Sempre a solução começa com os sujeitos…
Atitudes ou escolhas pessoais?
A não-violência é uma postura Ãntima e atitude pessoal de pacifismo perante os conflitos e injunções da vida. Diante de uma agressão verbal, fÃsica, moral, compreendendo ou não os porquês, das duas uma: ou partimos para o revide, retribuindo na mesma moeda – o princÃpio de talião, do “olho por olho, dente por dente” – ou reagimos contrariamente a agressão, confrontando-a de modo pacÃfico.
Confrontar não quer dizer gerar mais agressão. Não significa atacar o argumentador mas sim seus argumentos. A técnica é ser racional e lógico, para evitar alimentar desentendimento. Lembremos que violência gera violência.
Assim, a não-violência como atitude, representa uma reação, uma “luta”, uma oposição ou resistência a todo e qualquer tipo de violência.
E a não-violência como escolha de valores, significa buscar uma maturidade de participação sem imposição, representa a conscientização de que a não-violência é um valor de cidadania, ou seja, para se viver bem em sociedade, ou con+viver, é preciso respeitar as diferenças e poder interagir com dignidade e respeito.
Um contraponto final…
A pessoa que é a favor da violência acaba por torná-la uma linguagem, um meio de comunicar-se. Seus comportamentos tornam-se parte de uma rede de ataques e defesas incessantes, como se a vida fosse uma guerra ou um jogo, pois a pessoa é incapaz de reagir sensatamente, com a razão ou bom senso.
A pessoa que é a favor da não-violência tem como princÃpio a busca da conciliação, da harmonia com as pessoas e com os ambientes. Não é uma mosca morta, trepado no muro da omissão.
Muito pelo contrário, sabe se expressar na hora certa, e procura compreender as motivações das pessoas enquanto interagem, podendo assim ajudá-las a se perceber e se conscientizar de seus atos.
Sociedades não têm o poder de se questionar, mas indivÃduos sim. É aceitável que o desenvolvimento e o progresso das nações ocorram à custa da desumanização e da intolerância?
O que a violência nos tem ensinado a todos? A sermos mais egoÃstas, mais pessimistas, mais competitivos…
Voltamos à figura-sÃntese do post. Qual a menor distância entre a violência de hoje e a verdadeira paz de amanhã? Seria a não-violência o caminho mais seguro?
E vocês, quais casos de sucesso do seu dia-a-dia gostariam de nos relatar? Estão dispostos a (re)aprender a não-violência?
“A paz é algo além da mera ausência de guerra. É um processo ativo de cooperação, pelo qual os seres humanos assumem uma responsabilidade direta pelas soluções dos problemas que enfrentam” (Naomi DREW, A paz também se aprende, SP, Gaia, 1990)
Boas reflexões.
Karine e Alexandre



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