Tem aparecido nesta década uma leva de presidentes latino-americanos se dizendo socialistas.
Afora o necessário debate ideológico, a busca de uma sociedade mais justa, importa analisar a retórica e o comportamento populista não facilmente identificados.
Aos fatos:
1. Honduras.
O presidente hondurenho pretendia modificar a Constituição para permitir reeleições indefinidas e foi deposto por golpe militar na véspera de plebiscito sobre a questão. Comentário: ambições políticas do presidente eleito e dos golpistas fazem a população refém, causando mortes. Os golpistas agem pior do que os populistas, ameaçando a estabilidade democrática e o estado de direito no continente, dado seu histórico de ditaduras militares. Os EUA, com a retórica progressista do atual governo democrata, não parecem ter mudado sua Política de Estado que, historicamente, apoiou golpes militares no continente, antes da atual democratização.
2. Venezuela.
Dizendo-se socialista, o presidente venezuelano imita o falador companheiro fardado de Cuba; não pratica a rotatividade do poder; cerceia a imprensa; promove o terrorismo de Estado ao sustentar narco-terroristas colombianos; ameaça a paz continental e a segurança das populações com suas bravatas. Comentário: presidente populista certamente, mas socialista? Retórica à parte, dois terços dos venezuelanos estão abaixo da linha da pobreza.
3. Equador.
O presidente equatoriano abrigou em seu território sequestradores, torturadores e traficantes das FARC. Comentário: ele é presidente de Estado democrático ou comandante do terror estatal?
4. Brasil.
O presidente brasileiro se diz democrático. Almeja a biografia de grande líder socialista na região.
(…) Mas,
4.1 Apoia ditaduras como a cubana, aplaudido por “intelectuais” stalinistas brasileiros, apesar de que José Dirceu – o embaixador do pensamento stalinista no Brasil, também se diz um intelectual…
4.2 Já declarou ser de centro, mesmo sendo líder dos autoproclamados “esquerdistas”;
4.3 Recomendou a quem tem mais de 60 anos consultar um médico, se continuar “esquerdista”;
4.4 Elogiou o governo Médici;
4.5 Permitiu que seu governo entrasse para a história brasileira como o mais corrupto;
4.6 Tenta manter imagem ecologista, ao mesmo tempo em que apoia interesses de latifundiários, acabando por expulsar do governo a outra SILVA – A Ministra Marina, e substituí-la por alguém disposto a dizer “mais sim do que não” à cobiça dos devastadores;
4.7 Não tem humor nem tolerância a críticas, sendo um político despreparado para a Democracia e inclinado (em todos os sentidos) à censura;
4.8 Diz que os críticos ecologistas do governo estão do lado dos “gringos” que não desejam o desenvolvimento do Brasil;
4.9 Diz que os empresários deveriam apoiá-lo, pois nunca lucraram tanto quanto em seu governo;
4.10 Recebe prêmios e elogios dos grandes dirigentes do capitalismo mundial, por sua postura política e sua (deles?) política econômica (…) enquanto isso, mantém os pobres na pobreza, ignorantes e votando nele (por esses mesmos motivos); é o governante mais inculto e iletrado que o Brasil já teve; quer fazer uma “olimpíada dos pobres”, em suas palavras. Comentário: o último fato já é uma confissão de que o “socialismo” lulo-petista não pretende acabar com a pobreza. Gostam que existam pobres – dependentes de “esmolas” governistas e ignorantes – votando em seu governo e nos partidos aliados. Já a incultura e a irreflexão de Lula – por isso mesmo, não tem programa de governo – o fazem agir emocional e impulsivamente, cometendo erros bárbaros, tanto discursivos quanto políticos, protegendo amigos e aliados corruptos, entre outros estragos e lambanças.
COMENTÁRIOS FINAIS
Esses governantes têm em comum o apoio retórico aos pobres, e são reciprocamente apoiados por eles, em sua maioria. Agradam ao povo com seus discursos: são populistas. O problema é que os pobres continuam pobres em seus governos. Não são socialistas.
Acima das ideologias, devemos analisar cientificamente os fatos. O ideal é não tomar partido a priori.
Pelo conhecimento e uso da Ciência Política avaliaremos os acontecimentos, para planejar ações políticas e construir o progresso social e o desenvolvimento econômico sustentável. O fato de não se ser de esquerda nem de direita a priori não significará ficar em cima do muro.
O prioritário é a verdade fatual, a serviço das transformações positivas na Sociedade e da justiça social. Se tal conduta for de “esquerda”, que seja. Se denunciar a ignorância e as ilusões populares promovidas por farsantes for postura elitista e de “direita”, que seja.
Fazendo coro à crítica mundial anti-imperialista, Oliver Stone – um americano de carteirinha, tem dito em alto e bom som, pra quem quiser ouvi-lo, que o mundo precisa de dezenas de Chávez.
Como cineasta de prestígio mundial, já fez vários documentários exaltando a retórica latina. Fica como contraponto do artigo, para quem se interessar em estudar.
Um Abraço
Marcelo Rouanet





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Marcelo
Tem um comentário político impagável de Dora Kramer, jornalista da Band, sobre a entrevista de Lula à Folha de S. Paulo.
Vale ouvir com atenção o destaque dela de como funciona o bifrontismo (duas caras) ardiloso de Lula-la.
Abraço
Alexandre