Ambiguidades semânticas são expressões cuja interpretação remete a mais de um sentido, podendo ampliar ou confundir a comunicação. São flexibilidades da sintaxe exploradas para produzir efeitos semânticos. Mais ao final do post.
Vejamos 3 exemplos de uso criativo:
Dignidade da Alfabetização - Ambiguidade está no DA (preposição+artigo) = Alfabetização como tarefa digna e DÁ (verbo) = Dignidade como pré-requisito da Alfabetização. Se usarmos linguagem oral, a acentuação passa despercebida.
I’M Making a Difference – Micro$oft lançou um misto de campanha e marketing social, para promover o Windows Live Messenger, onde cada nova mensagem produz uma doação feita pela empresa a alguma instituição atendida. A ambiguidade está no I’M (= eu, em inglês), que tenta explicitar o cunho social da campanha e ao mesmo tempo remete a IM – Instant Messenger, softwares usados em redes sociais.
VisualMente – Uma tríplice ambiguidade. Vejamos: Visualmente (advérbio); O Visual [que] Mente (mentir = verbo); Visual [na] Mente, referindo-se à capacidade da mente de perceber e processar imagens. Não preciso dizer que os editores do Blog são designers. Um record semântico!
Vejamos mais 3 exemplos de uso inapropriado:
“Ele terá de dizer o que é caixa-preta do Judiciário” – subtítulo da matéria onde o Presidente do STF questiona um discurso do Presidente Lula fazendo críticas ao Judiciário. (Jornal de Brasília, N. 9948, Brasília/ DF, 15/05/2003, p. 15).
“Yamaha pronta para cair na estrada” – título da matéria sobre o lançamento da moto Drag Star XVS 650, de 40 cv de potência e velocidade de cruzeiro 120 Km/h. (Jornal do Brasil, caderno: Acelera, ano 112, N. 299, Rio de Janeiro/ RJ, 01/02/2003, p. 1).
“Guerra é atração aos sábados na TV” – título da matéria sobre exibição do filme Star Wars na TV Brasileira. (Jornal Extra, sessão extra, ano V, N. 1516, Rio de Janeiro, RJ, 08/06/2002, p. 4).
A função básica dos links é estruturar a informação. Links (ou Hiperlinks) são frases-síntese, que remetem ao conteúdo mais detalhado, escondido por detrás do clique. Nessa acepção, assemelham-se aos títulos de matéria jornalística ou mesmo títulos em capítulos de livros.
Mas links também são usados para o marketing, remetendo à função da manchete nas capas de jornal e revista, principal recurso da midia impressa associado ao potencial de sedução de passantes (transeuntes) em pontos de venda.
O problema das machetes, títulos (e agora links) são as evidentes manipulações, os “gatos por lebre”, a apelação linguística, entre outros. Isso sem falar do problema de certas imagens, assunto por si só já merecedor de outro post.



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