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Blogging Consciente e a Síndrome de Zélia

Saber o que fazer com seu blog é a ponta do iceberg da nova cultura de compartilhamento. É fenômeno social, mais que econômico ou tecnológico.

Sejamos honestos: cidadania exige protagonismo. Usando a licença poética, eu diria que tem tudo para ser a revolução sem mortes ou a tomada da bastilha sem guilhotinas.

Na prática, é o mundo das formigas-autoras em seus formigueiros-comunitários. Blogging consciente tem tudo para se tornar um front avançado da solidariedade humana, onde a força dos argumentos supera o argumento da força.

Mas, todo pioneirismo tem seu preço…

Blogging ConscienteCom as redes de blogs, toda uma nova cultura de interação se ensaia. Não o Brasil das novelas, mas o Brasil real. Não o jornalismo-concessão, mas o jornalismo-cidadão. Não a realidade-imagem, fabricada na TV e (re)paginada pela mídia para entreter, mas a realidade-vivência, reflexiva, contada por alguns de seus protagonistas-fazedores-de-uma-nova-história, sem intermediários.

Se eu fosse calcular quanto a Velha Mídia me deve por anos de propaganda não-solicitada, buzinada nos ouvidos a cada intervalo, eu já poderia me aposentar. Isso que eu assisto pouca TV, senão ficaria milionário.

No mantra da liberdade, náo há censura, não há editores chatos, não há corte de texto nem imposição de pautas. Poder total. Liberdade de expressão, de opinião e de crítica. Se há algo que esta geração terá que aprender é a conviver com toda esta liberdade, que só pode encontrar limites na prudência, mais até do que na lei ou nas tradições.

Pensando nisso, fui buscar na história um exemplo esdrúxulo para ajudar na reflexão sobre essa questão da liberdade. Pra entender a Síndrome de Zélia (Cardoso de Mello) e a relação com o assunto do post, eis um pequeno vídeo introdutório, para quem não se lembra dela.

A história registra que Zélia Cardoso de Mello, a ministra do confisco, foi a responsável direta, junto com sua equipe, pelas ‘inovações econômicas’ do famigerado Plano Collor, em março de 1990. Mesmo demonizada pelo povo, foi saudada por muitos economistas ortodoxos. Seu legado? Uma contenção artificial da hiperinflação galopante da época (84% ao mês, podem acreditar), visto como passo fundamental para uma estabilidade econômica, que só viria a se concretizar anos depois, com a chegada do Real, em 1994.

A Doutora Zélia receitou o mesmo remédio a todos os pacientes do Hospital-Brasil, mesmo sabendo que as doenças eram várias, os pacientes diversos e heterogêneos e a ressaca fatal para alguns, o que realmente acabou acontecendo pois se noticiaram casos extremos de suicídio na época. É de ficar estupefato a que ponto se chegou.

14 meses de um brilho intenso e fugaz, seguidos por 14 anos de uma longa e penosa espera é a frase com a qual o jornalista da IstoÉ resume a Era Zélia. As más línguas dizem que sua mudança para Nova Iorque, onde mora atualmente, é um exílio auto-imposto de alguém ciente das falhas humanas que cometeu. A justiça a absolveu, mas será que os brasileiros, pegos de calça curta, algum dia a perdoarão?

Na matéria da IstoÉ, o que foi a falta de respeito, truculência e arrogância aparecem travestidas de independência e coragem. Se coloca como vítima quando foi partícipe de ditadura disfarçada. Alguém acha que ela deixou de avisar seus parentes para tirarem dinheiro do banco? A vergonha do povo, numa época em que escreveu não leu, pau comeu!!!

Conta ela na entrevista da IstoÉ que, em 2005, por duas vezes, perdeu oportunidades profissionais, pois lá estava o alcagoete Google e sua implacável memória digital, lembrando a todos que buscavam por suas referências, sobre sues feitos e os processos criminais em que se envolvera.

Eis a Síndrome de Zélia, em toda sua abrangência: poder inconsequente; radicalismo atrevido e esnobe; responsabilidade que não estava a altura da liberdade; imagem destroçada; inteligência econômico-financeira forjada na Universidade abafada pela atitude desumana; fins justificando os meios; amargor de uma década de auto-enganos. Esqueci alguma coisa?

Se vai haver volta por cima? Quem sou eu pra duvidar ou predizer. Já vi de um tudo nessa vida.

e_dai.jpgE daí que, inspirado pela Síndrome de Zélia, lanço a Teoria do Blogging Consciente:


O karma do post impensado de hoje
é o arrependimento no comentário de amanhã.

Tradução popular: você que tem um blog, o que você publica? Já parou para pensar que a Internet tem memória? Você é responsável por suas ações ou prefere deixar pra ver depois os efeitos das asneiras de hoje?

Caro debatedor, sua ética é uma teoria ou uma prática?


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