Banana, Criatividade, Ética e Brasilidade - Fórmula da Despoluição da Água

Brasileira, 25 anos, pesquisadora em química, professora e filha de pais preocupados com o meio-ambiente. Um descrição pra lá de objetiva para descrever MILENA RODRIGUES, que acaba de receber o Prêmio Jovem Cientista 2006 por sua pesquisa: “Uso da casca de banana para o tratamento de efluentes radiotóxicos”.

milena.jpgEis a simpática MILENA, do Brasil para o Mundo, recebendo sua justa homenagem na Faculdade Oswaldo Cruz.

Mas as características que mais se sobressaem nela são justamente as subjetivas. Mistura de juventude, feminilidade, simpatia, criatividade, simplicidade e ética, com tempero de brasilidade inconfundível.

Mais do que isso, sabe compartilhar conhecimento sem pompa, sem se achar a tal. Tomara que continue assim. E olha que foi premiada e tá dando uma entrevista atrás da outra…

Sua participação no Programa Sem Censura, da TVE (reexibido em 30/abril) é um show de entrevista, arrancando um “tô impressionada com essa moça” da apresentadora LEDA NAGLE.

Vejamos alguns dos tabus que ela desconstrói, em 15 minutos de entrevista, não mais do que isso:

  • Ciência não é lugar de mulher;
  • Mulheres não são lógicas;
  • Inteligência feminina não é privilegiada como a masculina;
  • Lugar de mulher é em casa;
  • Pessoas comuns não compreendem a ciência;
  • É difícil popularizar a ciência;
  • TV não serve para fazer divulgação científica;
  • Soluções importantes são soluções caras;
  • Grandes problemas se resolvem de forma pontual (quando é justamente o contrário, pois a visão integrada é que permite abordá-los da forma correta);
  • Reciclagem é luxo;
  • Lixo é sempre um problema;
  • Poluição da água é problema ambiental apenas;
  • Aquecimento global é irremediável e irreversível.

Na rotina científica, o conhecimento (base teórica) conduz sua aplicação (prática), que retro-alimenta o conhecimento. A informação científica de ponta, resultante desse processo, fica então a disposição de quem souber ou puder empregá-la.

No lado ético, em geral, justificam-se os deslizes com argumentações do tipo “não se pode impedir o progresso”, “a ciência é neutra” ou “a humanidade não evolui sem a ciência”, esquecendo que “a ciência também não evolui sem humanidade”.

No caso da MILENA (veja bem, não a conheço pessoalmente, só pela entrevista, que infelizmente não gravei), parece que a rotina laboratorial em nada prejudicou sua sensibilidade ou amoleceu suas convicções, seus ideais, que ela coloca a serviço do seu potencial. Sua frase “a Faculdade me mostrou o caminho das pedras e a minha curiosidade me impulsionou a ir atrás dos meus ideais” exemplifica este ponto.

Na entrevista, expôs seu assunto, mostrou serviço, pediu o patrocínio, argumentou sobre os benefícios, alertou sobre a urgência e, mais do que isso, mostrou o valor da educação para estimular e libertar o pensamento, ao contrário da visão convencional, que se preocupa com fórmulas, decorebas e enfiar conteúdo goela abaixo.

Um libélulo, que merece ser visto e ouvido, de como a boa didática pode motivar e cativar os aprendentes e ajudar a superar a tão falada (e tão pouco compreendida) Crise da Educação Tradicional.

Já até pedi que coloque a entrevista do Sem Censura no Youtube, pra linkar aqui. Por hora, podem assistir a moça no laboratório, dando entrevista para o Programa Repórter Eco, e com aquele sutaquinho paulistano que agente conhece de loooonge :)

Quem disse que cientista tem que falar igual a jornalista de horário nobre, todo sério, sem expressão e sem maneirismos? Seria este mais um tabu que a moça veio para quebrar? Seria bom mesmo, porque a ciência fica muito menos pomposa (e muito mais atraente) assim!

Pra ganhar Nota 10 (rs.), só fica faltando agora criar um blog e vir pra blogsfera compartilhar suas idéias…


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Fé Tecnológica ou Tecnologia na Educação? Você decide…

Você tem Fé Tecnológica? Assista ao vídeo, leia meu p.o.s.t.c.a.s.t … e repense !!!

O excelente vídeo é uma dica da INÊS, do Ciberesfera. Eis a tradução, Slides Pay Attention em Português, com autorização do autor.

T4 - Transforming Teaching Through Technology
Tranformando Educação Através da Tecnologia é um mantra e um slogan. Seria também um projeto estadunidense? A Jordan School District (in english) é uma rede de escolas e estudantes em Utah, EUA, onde se pode encontrar desde um completo ambiente tecnológico integrado (in english) a uma “simples” lista de instrumentos online aplicáveis na educação (in english). Haja fôlego!

A peça de marketing acima foi incorporada pela Jordan School, que passou a utilizá-la como recurso para chamar a atenção online, fazer estardalhaço enquanto ia divulgando o mantra. De acordo com DARREN DRAPER, autor do vídeo Pay Attention (in english), seu objetivo era uma divulgação pontual, elaborada para motivar somente professores do seu distrito (Jordan School District, em Utah), mas viu seu vídeo se espelhar pela Internet, como fogo selvagem (wildfire).

DRAPER, após inúmeros acessos (elogios e críticas) dos 5 continentes, como nos comentários deste post da RACHEL BOYD, uma professora da Nova Zelândia, admite que qualquer produto cultural (e o dele não seria exceção) está sujeito a escrutínio público, e reafirma sua convicção de que “estamos todos formando a cultura internacional que vai eventualmente ser chamada sala de aula global”. É por isso que ele considera que “um blog pode realmente ser um fórum internacional”.

A propósito das críticas relacionadas ao us-centrismo e à cegueira cultural americana, veja como DRAPER encerra seus comentários:

“Now, as a new participant in this global classroom, I hope that participants everywhere will think twice about what they say, and generously forgive others of their lack of cultural awareness. In the future, I hope to be more mindful and inclusive of those outside of my cultural circles”

… que traduzi como “Agora, como novo participante nesta sala de aula global, espero que participantes de todos os lugares pensem duas vezes sobre o que dizem, e generosamente perdoem outros por não estarem despertos quanto às diferenças culturais. No futuro, espero estar mais ‘ligado’, inclusive naqueles mais compreensivo com aqueles fora do meu círculo cultural”.

É ou não é um mártir da cidadania globalizada? Há 3 dias, para completar sua redenção total, ele escreveu mais uma pérola, tecnologia não ensina pessoas - pessoas ensinam pessoas (in english). Até que enfim, DRAPER… (ou como diria lá no Rio de Janeiro, demorô ! ! !)

Alternativas?
Não sei como está reagindo a comunidade educacional no Brasil, mas deixar este tipo de discurso ficar por isso mesmo seria um problema para nossos PhDs. Não reconhecer as ambigüidades da tecnologia e só falar das possibilidades seria uma falha grave. Admitir que a parafernália tecnológica motiva a juventude me parece importante para países com dificuldade de reconhecer como a Cultura afeta a Educação. Agora vincular educação de qualidade e tecnologia já é outro passo, grande demais em alguns casos.

Da minha parte, como já disse antes, não tenho a fé tecnológica que a indústria de TI gostaria. E olha que eu estudo e conheço do ramo. Antes do meu contraponto (logo abaixo), se quiser um exemplo do porquê do meu ceticismo, assista a este vídeo (in english), e me diga criticamente o que vê e o que sente?

No meu contraponto, localizei no mesmo site da Jordan School District, importantes links que remetem à Teoria Educacional, mais especificamente à Taxonomia de Bloom (veja verbete na Wikipedia), famoso estudo da década de 50, liderado por Benjamim Bloom, que sintetizou os principais tipos de aprendizagem, classificados em três domínios (cognitivo, emocional e psicomotor) e vários níveis, correspondendo ao grau de profundidade do conhecimento obtido.

Certamente é um estudo que se tornou referência na área de educação, recebendo revisões de tempos em tempos, a fim de avançar neste conhecimento e obter resultados educacionais cada vez mais efetivos. Quem quiser mais informações, consulte A Taxonomia de Bloom, um excelente resumo introdutório, escrito por PAULA DE WAAL e MARCOS TELLES. Ou pode consultar também, in english, Learning Domains or Bloom’s Taxonomy, Bloom´s Learning Domains, Cognitive Learning. Agora, o ponto que eu queria realmente mencionar.

O gráfico abaixo representa os graus de profundidade, na visão de Bloom, onde o Conhecimento (Knowledge), representado pelo primeiro movimento de aquisição da informação, é apenas a ponta do iceberg.N?veis de Conhecimento na Taxonomia de Bloom Em azul escuro (quase não dá pra ler) está escrito Avaliação (Evaluation) e ao lado alguns dos verbos aferidores deste nível de conhecimento, o mais profundo na seqüência. Avaliar, julgar, escolher são ações de atribuição de valor, capacidade esperada daqueles que sabem pesar o que presta e separar daquilo que não presta. Discernir, enfim, o melhor e o pior, o adequado e o inadequado.

Gran Finale!
Como esperar isto de uma Cultura que “pega carona” nos modismos tecnológicos, com vistas às suas estratégias de expansionismo multinacional (unilateral) e de (neo)colonização cultural, à custa da homogeneização e pasteurização da cultura alheia? Afora outros nomes menos pomposos que nem me lembro agora…

E você colega, que leu até aqui, pretende ficar calado ou tem algo a dizer? Só não vale dizer que sou comunista nem anti-americanista (já está batido demais esse papo) ou xingar a mãe, o resto vale :)


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Tutorial - Autoria em Blogs. Informação Digital Qualificada?

3mesesDia 24/abril, o Nova Sinapse completou 3 meses de existência.

Como eu valorizo o esforço autodidata e o compartilhamento de informações, procuro dar meu exemplo mantendo a seção sobre blogging sempre atualizada, com tudo que pude aprender sobre este instrumento autoral tão interessante, mesmo não sendo a minha especialidade.

Para quem se importa com a Qualidade da Informação Digital que vai produzir, considero interessante refletir sobre quatro pontos, que tratarei a seguir:

da_panoramica.jpg
Uma panorâmica do universo blogging serve para se situar e para pensar no seu blog como um projeto, o seu projeto de autoria, que tem certamente uma contribuição a dar. Pensando nisso, escrevi um Tutorial com Estratégias para Blogs Iniciantes.

da_migracao.jpg
Definir um domínio e um ambiente próprio para hospedar seu blog é um passo a mais. Lógico que esta decisão implicará em custos e mais estudos (e mais aprendizado), mas trará mais liberdade e controle. Pese na balança e decida-se.

Um lembrete: Tudo que você escrever de importante num blog cujo domínio não for seu, depois terá que ser migrado para o novo blog no novo domínio. E naturalmente você terá que zerar seus índices de popularidade e de citação por outras fontes, já que o endereço velho será deixado para trás na migração.

Se não admite que gastos deste tipo são investimentos na sua autoria, então talvez não esteja pronto para o ritual de passagem, e deva mesmo manter-se na fase de experimentações e ambientação, o que é saudável para um começo seguro e de grátis :)

Se tomar a decisão de enfim migrar, sugiro ler Como Migrar Seu Blog Para Outro Servidor e evite dores de cabeça. Conversando com o JUNIO, sobre mudança de permalink sem perda de tráfego, ele me deu uma ótima solução para outro problema, que era redirecionar o trafego do blog velho para o blog novo.

A idéia dele, que acabei implementando mesmo, porque não tive alternativas, foi deixar somente o primeiro parágrafo em cada posts que já tinha escrito no blog velho e acrescentar um link “—-more—-” sugerindo a continuação do texto, só que apontando para o post “espelho”, no blog novo. Com isso, não precisei apagar o blog velho e nem perder o tráfego que ele estava gerando, fazendo uma suave conexão com o novo endereço. Deixo o registro aqui já que pode ser útil para mais alguém :)

dos_instrumentos.jpg
Instrumentos ou Ferramentas? Tive um professor na UnB que até hoje fica enlouquecido quando se traduz “information tools” como “ferramentas da informação”. O argumento é que ferramenta é coisa primitiva, enxada, porrete, flecha e tal. No âmbito da Ciência da Informação, a área de mestrado que me interessa, o correto seria traduzir como “instrumentos de informação”, remetendo a algo mais elaborado, sofisticado. Lição aprendida!

i- Wordpress. Excelente ambiente autoral. Veja o que a PATRICIA escreveu sobre ambiente autoral e amadurecimento de um blog. Infelizmente, tenho que concordar com ela pois não tive uma boa experiência ao usar o Blogger. Por que gosto do WP? Porque é simples, intuitivo, permite categorizar informações com tags (etiquetas) e cumpre o que promete, o que já é muito, pois é gratuito. Já ocorreu de eu querer citar um post publicado em outro ambiente (era um portal), no meio de uma página com diversas informações, e simplesmente não havia um link. A página era um bloco único, sem a subdivisão. Achei isso péssimo porque não permite granularizar a informação.

Um ponto a favor: Wordpress possui versão .com e .org, uma para cada tipo de usuário. Em tese, wordpress.com te permitiria um primeiro contato, uma ambientação. É uma versão proprietária, mas o pessoal faz um bom trabalho e disponibiliza muitas facilidades. Existe hoje mais de 850 Mil usuários, em vários países que utilizam esta versão. Já o wordpress.org é a versão opensource. É essa versão que você vai usar quando tiver seu próprio ambiente de hospedagem. É a única que te permite usar seus plugins, com liberdade e controle total sobre seu blog.

WP também tem fartura de documentação (que aos poucos vai sendo traduzida para o idioma português) e uma grande rede de usuários, contendo entre outros Fórum de Suporte WP, BlogAjuda (o nome já diz tudo) e Dicas de Otimização para Buscadores (SEO - Search Engine Otimization), tudo em português. Mais motivos? OK.

ii- Plugins. O Wordpress permite plenamente a incorporação de plugins, que são trechos de códigos complementares, executando funções específicas, que uma vez agregados ao código principal do Wordpress, aumentam suas funcionalidades. São centenas de plugins gratuitos desenvolvidos por centenas de desenvolvedores esforçados, mundo afora. Alguns já possuem versão em português. O LEONARDO tem uma relação dos plugins que ele utiliza, que eu acho bem interessantes. Checa lá.

Posso te garantir que plugins são um capítulo importante. Vale a pena investir um tempo pra entender como funcionam e, o mais importante, o que podem fazer por suas idéias. Mas lembre-se: Procure plugins homologados (rs!) para sua versão de Wordpress, evitando as incompatibilidades.

iii- Tema. É o componente que interage com o banco de dados e que gera a parte gráfica do seu blog. O que dá ao ambiente uma versatilidade interessante. Não é incomum que algum blog que você gosta de acompanhar durma azul e acorde vermelho, repaginado, como efeito de mudança de tema. O que o tema faz é aplicar uma camada visual (interface) sobre a estrutura de dados (seus escritos, seus posts) e por isso pode ser alterado a qualquer momento sem prejuízo do conteúdo. É o toque pessoal do blog e acaba sendo importante fator de atração para visitantes de primeira viagem. Já estou no meu terceiro tema e tudo indica que ainda este ano mudarei novamente.

A escolha [difícil] se deve a fartura de opções. Existem centenas de temas para o Wordpress. Se aceitar a minha dica, aqui tem um link, com preview de 83 temas para Wordpress que você (provavelmente) não conhece. Se preferir um tema desenvolvido no Brasil, que tal testar o Areia Branca. Se nada agradar, uma busca no Google com “themes wordpress” deve resolver. Duas recomendações principais: uma sobre homologação (a mesma válida para plugins) e outra sobre segurança.

O JÂNIO alerta que temas podem conter códigos maliciosos. A explicação é que, na verdade, temas são feitos em linguagem PhP, disponibilizados gratuitamente e poderiam conter trechos indesejados, dependendo da fonte de onde você baixou. A recomendação é que se busque informação sobre o tema escolhido, de preferência acessando o site de quem desenvolveu. Ou seja, busque referências, veja quem mais usa o mesmo tema que você, contate alguém técnico que você conheça (até o Jânio mesmo) e seja feliz. Depois não vai dizer que agente não te avisou!

iv- Zoundry. É um bom editor, próprio para Blogs. Possui vários recursos autorais, sem descuidar das etapas pré e pós-editorial. A opção de “espelhar” o mesmo tema gráfico que você selecionou para seu blog é uma das vantagens, pois te permite antecipar a visualização localmente das novas mensagens. Como editor, faz o básico, incluindo imagens, links e praticamente tudo para um bom post.

[UPDATE] Uma aus?ncia marcante ? quanto ao verificador ortogr?fico em portugu?s. Eu tenho um macete que resolve esse problema. A partir da versão 1.0.40, o Zoundry já permite baixar um revisor ortográfico em Português, acessível pelo menu “tools > spelling”. Se não conseguir utilizá-lo, existe uma alternativa.

É um procedimento simples, feito em duas etapas. No Zoundry, na hora de publicar, escolha “publicar em modo rascunho”. Isso faz com que o post fique online, porém indisponível aos leitores. Em seguida, ao abrir o post para edição no Wordpress, já entrará automaticamente o revisor ortográfico PT_BR (necessário o plugin que traduz o Wordpress para Português). Daí, é reler o post, mudar uma coisa ou outra, corrigir erros e publicar em definitivo.

Em termos de pós-edição, o Zoundry te permite pingar vários serviços de web informando que um novo conteúdo foi publicado. O resultado disso é que assim que publico algo, no minuto seguinte vários bots de indexação (Google, MSN, Yahoo, Technorati.) já visitam o blog incluindo a nova informação. Se quer conhecer mais ou checar o link pra download, o CARDOSO diz que o Zoundry é o melhor editor de blogs do Universo. Acessa lá e confere.

da_estatistica.jpg
Estatísticas são o complemento da autoria. Agrega valor ao conteúdo e informa ao(s) autor(es) possíveis direcionamentos para seus textos. É o resultado, é o que impactou aquele seu artigo, é o bate-volta, são as tendências.

[UPDATE] Não adiantaria só medir acessos sem se preocupar com o número de comentários, que seria um indicador mais adequado para avaliar compartilhamento de conhecimento.

Em Ciência da Informação, usam-se dois conceitos importantes. Um deles é a “meia-vida“, que indica o tempo durante o qual metade de uma determinada literatura foi publicada. Também se utiliza a “meia-vida”, aplicando-a a determinadas revistas científicas, para calcular o índice de obsolescência, já que a regra é informação desatualizada (diferente de informação antiga) perder valor.

Outro índice importante é o “fator de impacto“, que mede a relação entre o número de citações recebidas em um ano e o número de artigos publicados nos dois anos anteriores. Com este índice, consegue-se prever a probabilidade de citações para um novo artigo naquela determinada revista.

Com a Internet, pulveriza-se o conceito de fonte de informação. Um site novo, se bem indexado, conseguirá melhores posições no ranking do Google, e possivelmente competirá por acessos, que da maneira tradicional, não teria. Para muitos, esse fenômeno chama-se democratização da informação.

No mundo online, muitos conceitos estatísticos relativos a autoria e a publicação estão sofrendo revisão e a área ainda não está consolidada, já que o Acesso Online abre portas, sobretudo pelo imediatismo e fartura da informação.

Sou fascinado por estatística, por isso registro aqui algumas informações sobre o Nova Sinapse. Se mais pessoas se dispuserem a registrar suas estatísticas, de 3 em 3 meses, mais e mais estudos sobre crescimento poderão ser feitos.

Período Analisado: 90 dias (24/jan. a 24/abr.)
Estatísticas confiáveis após 7/fevereiro, quando instalei o Extreme Tracking

Informações Gerais: (plugin PostViews e Extreme Tracking)

Total de Posts –> 55 (pelo menos 1 post novo, a cada 2 dias)

Total de Acessos Recebidos:
- 1980 (usuários únicos)
- 4133 (incluindo reloads)
- 25 visitas em média, por dia
- 350 acessos em fevereiro
- 720 acessos em março (cresceu 100%)
- 1053 acessos em abril (até 24). [UPDATE] O mês fechou com 1368 acessos, repetindo um crescimento de 100%)

Total de Acesso por Posts:
- 33 posts com mais de 70 acessos, dos quais
- 15 posts com mais de 100 acessos, dos quais
- 2 posts com mais de 500 acessos

Total de Comentários:
- 44 (escritos por 25 pessoas diferentes)
- 20 posts tiveram pelo menos 1 comentário
- 11 comentários teve o post mais comentado e 5 teve o segundo post mais comentado, ambos com argumentos a favor e contra

Total de Assinantes do Feed:
oscilando entre 10 e 20 (o BRUNO ALVES também comentou sobre possíveis erros na oscilação do FeedBurn, a propósito da mania nacional de não divulgar estatísticas ou números de assinantes em blogs iniciantes). No meu caso, acho a divulgação importante. Cheguei a ver na estatística 64 assinantes num dia, antes de migração para o novo domínio. Possivelmente, tem gente da antiga que ainda falta assinar o novo feed :)

Fontes de Origem dos Acessos do Blog:
- 828 através de search engines
- 521 através de websites
- 7 através de emails

Principais Referrers (search engines):
- Google Search (605 acessos, 73%)
- Google Imagens (207 acessos, 25%)
- Technorati (12 acessos, 1,45%)

Ranking no Technorati –> 250 Mil

Temáticas Abordadas:

Total de Categorias Principais –> 18 categorias

Assuntos Que Mais Me Dediquei:
- Cultura Digital, com 27 posts
- Cidadania, com 22 posts
- Imagens e Vídeos, com 18 posts
- Reflexões, com 15 posts
- Educação e Sociedade, com 11 posts cada

Curiosidades:

Idiomas do blog: português
- [UPDATE] ingl?s e franc?s, (plugin Wordpress Global Translate, na barra lateral) suspenso temporariamente
- inglês (Google Translate Engine, na barra lateral)

Já recebi acesso dos 5 continentes, total 33 países (15%)

Países com mais acesso:
- Portugal –> 118
- EUA –> 53
- Argentina –> 19
- Espanha –> 13
- França –> 11

Na disputa de browsers:
os campeões foram IE6, com 944 e Firefox2, com 616 acessos. Safari e Opera9 tiveram 12 e 7, respectivamente. O IE7 teve menos que a terça parte do IE6, totalizando 307 acessos.

Na disputa de sistemas operacionais:
o campeão foi Windows XP, com 1755 acessos contra 19 via Linux, 22 via Mac e 3 via FreeBSD. O que não representa nada em termos de comparativo, ou que o Windows seja melhor que os outros, nada disso. Apenas quer dizer que os assuntos que escrevo atraem mais esse tipo de público. O novíssimo Windows Vista amarga o antepenúltimo lugar, com apenas 7 acessos.

Na disputa de configurações de tela:
O padrão 1024 x 768 com 35% e o padrão 800 x 600 com 31% foram os mais comuns. Mas os demais padrões com 1024 ou acima (1280 x 1024, 1152 x 864, 1440 x 900, etc.) são tendência, abocanhando juntos uma fatia de 30% dos usuários.


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Qual o Valor da Ciência sem a Filosofia?

Em matéria de Epistemologia, é preciso realmente Estômago e Mente Aberta para enfrentar certos debates que surgem. Vejamos algumas “pérolas” colhidas em um post no site de rerum natura, que se propõe a falar da Natureza das Coisas, conforme indica o subtítulo. aviso.jpg

Não me interessa em nada expor o nome de quem quer que seja (até porque se está na Internet, já está exposto mesmo). Nem estou eu aqui chamando ninguém de ignorante, mas trouxe o exemplo por ser didático. E porque acho que a Internet não resolve as necessidades de se enfrentar o real debate, cara a cara, argumento a argumento, com calma, e aprofundar nos limites do paradigma atual para que se possa avançar no conhecimento, a começar do objeto mais sofisticado, a Mente Humana, o agente cognitor. Vou citar apenas os trechos que acho mais emblemáticos da “luta insana” travada nos bastidores da ciência atual para, ao final, como sempre, tecer meus comentários

Estudo de Caso:

O post Consciência Sem Ciência (autor é Carlos Fiolhais, um Físico) Inicia o post comentando o livro “Revolução da Consciência”, de Francisco Di Biase e Richard Amoroso, como sendo um excerto de outro livro, mais parrudo, publicado em 2000. Com certo sarcasmo, defende que se trata de pseudo-ciência, citando pelo índice GOSWAMI e SHELDRAKE, dois dos autores de ciência mais criticados que eu conheço, para em seguida, descer o sarrafo na Psicologia Transpessoal. Até aí, tratava-se da posição dele apenas…

Comment (autor Paulo, simpatizante da filosofia budista)
Cita dois vídeos de Alan Wallace, Ph.D. que, segundo as informações do próprio vídeo, estuda Budismo desde 1970 e vem trabalhando na integração da prática contemplativa budista com a ciência ocidental, a fim de fazer avançar os estudos da mente. Paulo também deixa claro que acha reducionista colocar pseudo-ciência e estudos sérios no mesmo saco, motivo pelo qual citou os vídeos como referência séria. Paulo também refere-se à 14º conferência Mind and Life, em Dharamsala, encontros interculturais anuais (e também bianuais) entre Dalai Lama e Cientistas Ocidentais. Este foi o único comment do Paulo, mas quis citar para mostrar o rumo que a discussão poderia ter seguido, se não entrassem no circuito os dois comentaristas abaixo…

Comment (autor Anônimo, crítico da Filosofia, interessado na praticidade)
Cita um texto, que não vem ao caso, para depois usar um argumento contra o que ele chama de “subversão da ciência”, ou seja, a introdução do observador na fenomenologia quântica.

Comment (autor JC, da área de Quântica)
Para mostrar uma escorregadela de Anônimo, argumenta que ele não sabe o que diz tanto quanto os autores da pseudo-ciência (post inicial) - “que deve resultar de uma profunda junção confusa entre ignorância e pretenciosismo”. E parte para explicar porque não é subversão da ciência. Em relação ao problema da consciência, afirma em seguida que “qualquer pessoa, com o mínimo de formação filosófica, percebe que não é um objecto de estudo que possa vir a ser completamente determinada no âmbito da ciência”.

Comment (autor Anônimo, crítico da Filosofia, interessado na praticidade)
Sobe o tom da resposta, dizendo que “Se lesse o link, teria evitado interpretar mal as minhas palavras. Por outro lado, a forma iletrada como redige o seu comentário só revela a profunda confusão que vai na sua cabeça”. Ainda anestesiado com a grosseria inicial, prossegue raivoso “Posto isto, deixe-me apenas dizer-lhe que se um hipopótamo está a observar um fenómeno, você, apesar de parecido, também deverá ver a mesma descrição do fenómeno”. Mais adiante, deixa clara sua posição positivista, “a de que o objecto da ciência deve ser independente do observador, por construção e por definição. Ao tentar integrar o observador de forma activa na descrição do fenómeno, estamos a fazer treta”. E, ao final do comment, diz que “A visão radicalmente experimentalista é a única coisa que financia a ciência, é a única coisa que faz sentido à ciência, é a definição de ciência.”

Comment (autor JC, da área de Quântica)
Novamente discorda de Anônimo, e em dose sarcástica desfere: “É incrível que [...] exista ainda quem não tenha despertado do seu sono dogmático. O objecto de conhecimento empírico é sempre subjectivo. Qualquer aprendiz de filósofo lhe pode ensinar isso. Aliás, defender que o sujeito epistémico (o tal observador) não participa activamente na descrição (formal) do fenómeno é, no mínimo, um contra-senso. Vejo que o Anónimo falha por completo em perceber o problema da consciência na Física Quântica”. Mais adiante, JC comenta igualmente subindo o tom, critica os disparates da “Visão radicalmente experimentalista como sendo o que dá sentido à Ciência”. E arremata com a paulada final: “Desculpe, afinal vejo que não só não percebe o problema da consciência na Física Quântica, como tem também uma total ignorância por toda a epistemologia. Ou melhor, por toda a metafísica. Por favor, se não quer andar a fazer treta, não se meta nos fundamentos de qualquer ciência”.

Comment (autor Anônimo, crítico da Filosofia, interessado na praticidade)
Inicia sua reação assegurando que conhece a Mecânica Quântica, mas que seu conhecimento não o leva a dissertar “porque a interpretação começa a sair fora do âmbito que interessa, e o âmbito que interessa é poder aplicá-lo à realidade, e como tal, a realidade tem de ser tomada como exterior ao observador, sobre pena de, em caso contrário, não termos descrições fenomenológicas capazes de produzir resultados sobre uma realidade”. Neste ponto deixou clara sua visão utilitarista de ciência, visão prática, que já havia sinalizado anteriormente ao relacionar financiamento da ciência ao experimentalismo instrumental. Em seguida, Anônimo reforça sua visão a favor da praticidade argumentando que “quem utiliza a mecânica quântica não costuma se preocupar com essas questões interpretativas hard-core, pelo simples facto de que não levam a lado nenhum [...] perder tempo em teorias que não servem para nada”. Adiante, mais algumas pérolas: “possibilidade de a mecânica quântica poder vir a ser reformulada eliminando a necessidade de interpretações tão inquietantes”. A uma dessas inquietações ele chama, em seguida, de “efeito colateral”, ao argumentar que “A Mecânica Quântica não nasceu porque o Bohr, o Heisenberg e o Schrodinger andaram a ler Kant e acharam que deviam incluir o observador no sistema. Que o observador acabou por vir ligado ao sistema físico, foi um efeito colateral”.

Comment (autor Anônimo, crítico da Filosofia, interessado na praticidade)
Anônimo prossegue com o que já virara um desabafo, pois era seu terceiro post seguido. Cita mais duas inquietações: A “Teoria do Caos”, que ignora variáveis físicas mas cumpre seu papel, segundo ele, de ser prática e de ter resultados, apesar de não citar quais. A outra inquietação referida é sobre a “descrição de modelos de realidade”, que seria inquietante na medida em que rompessem com a dupla termodinâmica - mecânica quântica, supondo se pudesse modelar a realidade a partir de modelos não-atomistas que pudessem também, alternativamente, se casar com a termodinâmica, considerada por ele o fiel da balança e modelo de certeza científica.

Comment (autor JC, da área de Quântica)
JC novamente sobe o tom: “Podia ter isolado outro parágrafo qualquer do seu texto, que a conclusão seria a mesma: não sabe nada sobre o que está a tentar dizer. Nem em relação a Kant, nem em relação à Quântica (pode até saber as contas - eu também sei - mas não entende, certamente, nada delas). Enfim, mais um exemplo de quão acre é a mistura da ignorância com o pretenciosismo”. Em seguida, JC cita duas bibliografias, que, segundo ele, é extensa e recomenda ao outro “experimentar, para começar devagarinho, por ler…”. Haja sarcasmo!

Comment (autor Anônimo, crítico da Filosofia, interessado na praticidade)
Anônimo responde em tom mais alto ainda, que em matéria de “ser pretensioso, você (o outro) é imbatível quanto a isso”. E sai-se com o argumento de que não vai ler porque não tem tempo…

Comment (autor JC, da área de Quântica)
JC mais uma vez alfineta: “tem tanta falta de tempo que nem tem tempo para crescer. Pobre coitado. Olhe, enfim, continue a frequentar - como tem tido tempo para o fazer - este estabelecimento de ensino”.

Comment (autor Anônimo, crítico da Filosofia, interessado na praticidade)
E Anônimo, provavelmente furioso, ainda se deu ao trabalho de responder, em duas etapas. Na primeira, incluiu um parágrafo inteiro de xingamentos e chamando mesmo para a briga, que eu não vou reproduzir aqui, apesar de ter guardado o print screen original da baixaria. E na segunda etapa, deve ter se acalmado porque deu uma resposta sensata que ao mesmo tempo é uma crítica inteligente. Reconhecendo-se vencido no debate-embate, pergunta ao opositor que ganhos ele teve em menosprezar o adversário, sem demonstrar nenhuma atitude construtiva. E fechou sua fala, até o momento sem resposta, concluindo que seu opositor não era “pessoa decente, porque não tem o mínimo trato”.

Ufa! E pensar que tudo isso aconteceu no intervalo de 24horas, de 11 de abril as 16h25, quando o post foi escrito, à 12 de abril, as 17h49. E de lá pra cá, mais nada. Mais curioso ainda é que o autor do post ficou mudo, só assistindo a briga que ele mesmo iniciou.

Depois do triste episódio escaneado, para não ficar apenas no lado ruim da coisa, trago aqui um contraponto, um rol de três sugestões de um dos co-autores do blog citado, o Desidério Murcho, Filósofo, em palestra no Porto:

1- Uma aprendizagem de confrontação de teorias que competem entre si (que é precisamente o oposto do que se ensina nas escolas e universidades de hoje).

2. Maior cooperação entre cientistas da vida e filósofos. Estaria subentendido nessa frase de Murcho uma referência ao famoso “Duas Culturas”, de C. P. SNOW ou “Três Culturas”, como defende o Prof. Ianni?

3. A Ciência vai deparar-se com problemas sobre a realidade e esses são o objeto de estudo da Filosofia. Alerta aos cientistas, para deixarem, por exemplo, de pensar que a metafísica é uma espécie de religião, de misticismo, de espiritismo, segundo as opiniões corriqueiras de cientistas ouvidos por ele.

tem_logica.jpgDesvendar as fronteiras do conhecimento, é assunto que interessa a toda a humanidade, cientistas e não-cientistas.

Aos cientistas, como diria o Filósofo, a lição número um é combater em si mesmo o monoideísmo radical da visão materialista (uma ilusão paradoxal milenar, como Físicos agora bem o sabem), para avançar deste ponto e penetrar nas Questões em Aberto na Ciência. Aprendizagem se faz com postura pluralista, diria o Filósofo, atento às questões subjetivas do conhecimento.

Já o cientista, cético profissional, diria ao Filósofo que muito da sua postura relativista é na verdade retórica e semântica, senão filosofice, o que não ajuda em nada na meta de se chegar a verdades universais, aceitas de uma maneira geral pela ciência como “a informação certa”, apesar de reconhecidamente temporária, cujas inquietantes aulas de epistemologia do Filósofo, pelo visto, não ajudariam a esclarecer. E ainda acrescentaria (o cientista), confiante na tradição de ciência a que se acostumou, que esse papo de pós-modernismo está a serviço mesmo da conspiração anti-científica, conforme Sokal e Bricmon supostamente denunciam.

Para quem ainda não se convenceu dessa problemática antiga, e deseja mais uma dose desse confronto, eis a versão portuguesa, no post Ainda a Guerra da Ciência. Por sua conta e risco…

e_dai.jpgDaí que eu pergunto: é possível conciliar estas posições?

Muito me intrigou a relação de autores do de rerum natura, que citei inicialmente: um físico, um filósofo, uma pedagoga, um matemático, uma química e dois biólogos. Seria isso um laboratório de Mente Aberta ou de Convivência Pacífica? Ou ambos?

Pra fechar este post indigesto (reconheço), mas necessário (suponho), nada melhor que uma reflexão nada relax do argentino Jorge Luis Borges: “todo toca todos” :-)


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