Metáforas - Umas Ajudam e Outras Atrapalham a Comunicação
Metáforas são as expressões que cruzam fronteiras e podem possibilitar ao conhecimento extrapolar limites. A palavra “quente” tem um sentido natural que representa a percepção do calor. Mas, na expressão “festa quente”, empresta seu sentido original para representar o efeito da animação, badalação, agito etc e tal. A palavra “fronteiras” que acabo de usar também é uma metáfora pois seu sentido natural seria fronteira geográfica e não linguÃstica, como utilizei. Mais ao final do post.
Vejamos 1 exemplo de uso criativo:
Alfabetização Digital - Em geral, concebemos alfabetização relacionada a crianças apenas. Na educação de adultos, usa-se andragogia preferencialmente a pedagogia, por reconhecer que o adulto já possui uma cultura própria fixada, diferente de uma criança, cujo processo cultural ainda não se consolidou. Mas no caso da inclusão de adultos na cultura digital, faz sentido emprestar o termo “alfabetização” pois, de fato, é preciso novas sinapses e uma nova aculturação.
Vejamos 1 exemplo 2 exemplos de uso problemático:
Robôs Inteligentes - Para afirmar que um robô é “inteligente”, é preciso entender o que é inteligência. O Psicólogo Horward Gardner (1995) estudou 7 módulos de inteligência. Existem muitos mais. Se nos referimos à “inteligência operacional” - o aspecto pragmático da inteligência, relacionada a capacidade de realizar tarefas, faria sentido dizer que a máquina é inteligente. Mas se considerarmos a “inteligência auto-reflexiva” ou mesmo a “inteligência criativa”, já não faria mais sentido a metáfora.
Ponto G das Negociações - Tá certo que é tentador usar certas metáforas para, digamos, “apimentar” o discurso. Vi no Fantástico o Presidente Lula usando a expressão durante visita do Presidente Bush ao Brasil, e fiquei pensativo: ainda que ele saiba a diferença entre “relações comerciais” e “relações sexuais”, não teria ele sido traÃdo por seu próprio inconsciente, acostumado a ver os EUA f**** com o Brasil?
Brincadeiras a parte, no estudo da etimologia, aprende-se que palavras são sÃmbolos linguÃsticos e culturais, que evoluem no tempo enquanto absorvem novos significados. A flexibilidade e a criatividade de se utilizar palavras de uma área para representar novos conhecimentos em outra área, pode facilitar ou dificultar a comunicação e a compreensão.
Os empréstimos semânticos podem servir para ampliar idéias. Posso utilizar palavras conhecidas para enriquecer o sentido e agregar significado a novas e mais abstratas palavras, a fim de facilitar a compreensão.
Mas também se utilizam metáforas para artificializar realidades. Se eu falo em “inteligência artificial”, dependendo do sentido, crio duas expectativas: a de que “máquinas pensam” e de que “seres vivos são máquinas”, o que resulta decepcionante em uma investigação mais acurada.
O maior problema das metáforas é a imprecisão, que pode gerar distorções cognitivas, principalmente quando lidamos com o desafio de estudar novos paradigmas.



