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DNA da Cultura Digital

Estive pensando no fim de semana quais seriam os componentes do “DNA” da Cultura Digital. Esclarecendo…

A metáfora genética não é minha idéia, mas do polêmico RICHARD DAWKINS, cientista evolucionista, que utilizou o termo memes (em analogia aos genes no universo celular) para estudar o mecanismo de transmissão informacional no tecido cultural.

… Isto posto, vamos ao que interessa.  Selecionei 5 elementos de grande impacto sobre a Blogosfera. Esse é o tipo de post que agente escreve já sabendo que um dia vai voltar para novas reflexões. Quem quiser comentar, só vai ajudar.

1. A Qualidade da Informação

A disposição da informação na Web não é igual a água na piscina. Não é uniforme e muito menos homogênea. Daí a relevância de se preocupar com sua topografia, arquitetura e acessibilidade. Outra analogia: assim como a apresentação de um prato influencia no prazer da alimentação, uma informação digital bem trabalhada (forma, design) pode facilitar sua absorção (conteúdo).

Qual seria o meme da qualidade informacional? Sempre começar pesquisando o que já foi escrito sobre o que se pretende escrever. Em seguida, elaborar um conteúdo relevante, o máximo original possível, em conjunto com o design informacional adequado. Mais o quê? Preocupar-se com a indexação (otimização para engines de busca) e a promoção (divulgação, redes de contatos, pessoas), para não ver o conteúdo “desaparecer”.

Um blogueiro com estas habilidades seria capaz de formar e educar toda uma comunidade, que tenderia a herdar suas preocupações com qualidade, por identificação e imitação, e criaria um círculo virtuoso social.

2. A Qualidade do Aprendizado

Pelo tópico anterior, a má notícia é que as coisas não são mais fáceis para o blogueiro que para o escritor offline. Sim, dá trabalho escrever no mundo digital.

A boa notícia é que isto te torna um ser humano polivalente, capaz de aprender e usar as inúmeras ferramentas de produtividade existentes e o melhor é poder receber o retorno direto de quem esté te lendo e, juntos, avançar no conhecimento.

Vamos analisar agora o meme da participação coletiva que, talvez, seja o maior benefício social gerado pelo avanço da Web 2.0.

Notícia x Opinião – Em matéria de fluxos informacionais, caminhamos para uma sociedade multifontes. Afora os discursos hegemônicos da “velha geração”, o que se quer mesmo é a diversidade. Não precisa ser gênio da lâmpada para prever o futuro do jornalismo cidadão. Cidadãos conectados + parafernalha móvel (celular com foto, etc e tal) = agentes de notícias em potencial.

A mídia (mainstream media) vê ameaçada sua “vaca sagrada” que é o poder de definir as agendas nacionais de notíias. Surge uma nova míia, mais equâime e diversificada, capaz de [teoricamente] melhor representar a diversidade do mundo.

E porque isto tem haver com aprendizado? Porque a cidadania, que é uma abstração, vai ficando cada vez mais palpável, com a instrumentalização crescente e com os fruto da conscientização, portanto de aprendizado social.

3. A Memória Social

A mim particularmente interessa essa questão da memória social por dois motivos:

3.1 Motivo Político – Bastante relacionado à cidadania. Uma mídia offline representa uma sociedade sem memória, a notícia de “ontem” jogada no lixo, junto com o jornal usado. Dessa forma, todo mundo “esquece” as coisas, as promessas, os escândalos, os assuntos abafados e tudo sempre fica do mesmo jeito. Sem memória, não há acompanhamento, e sem isso, cada eleito faz o que quer. Uma vergonha!

3.2 Motivo Sócio-histórico – O testemunho vivo de uma geração que viu nascer e faz crescer uma ruptura informacional – a Internet, sem precedentes pela magnitude que alcançou.

4. As Comunidades

Pelo que tenho visto, os blogs mais ativos são de informatas, webdesigners e probloggers, em geral com boa visitação e taxa de comentários. Há honrosas excessões, lógico, mas a predominância de assunto geek é visível. Como se este fosse o assunto mais interessante do mundo…

As comunidades são desigualmente distribuídas. O público mais erudito costuma descartar assuntos populares (será falta de paciência para certos tipos de comentário?) e vice-versa, o navegante sem muita cultura acaba se restringindo às palavras-chaves da moda e não acessa os melhores blogs, o la cream de la cream.

Ocasionalmente se interpenetram, como no caso dos probloggers, que para faturar mais com a publicidade, fazem concessão ao popularesco, a fim de atrair os novatos, digamos, predispostos ao ad-click (clique na propaganda).

Abri um login no Orkut, mas uso pouco. Pelas aberrações que li por aí, nem sei se vou me arrepender:
http://cultura.dgabc.com.br/materia.asp?materia=545301
http://www.escovandobit.com.br/blog/troque-seu-orkut-por-um-blog/
http://www.escovandobit.com.br/blog/perolas-do-orkut-parte-1/

5. As Obcessões

5.1 PROBLOGGERS – Tornar-se problogger virou obcessão para alguns. Digo, não é a ambição de remunerar o trabalho de quem escreve. Isto é positivo pois incentiva uma geração a se emancipar e a produzir idéias. Na minha opinião, vejo 3 principais problemas: as táticas empregadas atualmente, a falta de instrumentalização do usuário comum para lidar com tamanha explosão informacional e a falta de maturidade deste mercado. Já falei desta questão no post A Saga dos Probloggers.

Assim como na literatura e no jornalismo, existe a arte e o ofício de escrever no blog. Quem é criativo, tem cultura geral vasta, bloga com arte e leveza e acaba levando sua comunidade ao upgrade cultural. Tenha o post o tamanho que for, sempre agrada.

Quem é “curto e grosso”, bloga por obrigação e reclama da “jornada de trabalho”. Esses desconfio que tendem a desaparecer por inanição (ou por seleção natural, já que estamos na metáfora evolucionista :-) )

5.2 EGO-LOGS – Dando uma passada pelos fotologs, nenhuma surpresa. Vi muito desfile de egos, muito exibicionismo e muita pose adolescente. Se torcer o pano, não pinga uma gota de conhecimento. Nos weblogs, tem muito blogueiro por aá que já virou celebridade neste mundinho, até gente de boa cultura, mas que já dá mostra do seu lado hedonístico :-) ô, praga!!!

5.3 REBLOGS – No início da Internet, a turma da cultura sedentária, que andava com o pensamento meio enferrujado, recém chegada ao mundo digital, mantinha como hábito encaminhar “gotas de sabedoria” (aqueles powerpoints sinistros que todos mundo recebe, argh!) rotineiramente aos amigos. Neste caso, se você se reconhece vítima, só mesmo mandando o tutorial anti-spam para ver se a pessoa se toca.

Pois bem, no universo dos blogs temos o fenômeno análogo: os meta-blog ou re-blogs (a terminologia não é minha), que se encarregam de repassar as mesmas notícias da mídia (mainstream media) já contadas e recontadas, sem acrescentar um senão sequer. Será que se constrói amizade assim ou é falta de criticidade mesmo?

Daí que o eldorado virtual, com suas múltiplas linguagens, pode expandir conhecimentos e viabilizar oportunidades coletivas tanto quanto exacerbar a insanidade e as patologias sociais modernas. É bom não ignorar isso!

See you people, on next post!


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