Informação Viciada e Sociopatia

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“Toda notícia é um fato, mas nem todo fato vira notícia”

Frase legal (cool). Não sei se é original, mas isso não importa. Enquanto a maioria debate sobre as informações que circulam na midia, eu já penso diferente: O que me interessa, o “X” da questão, para mim, sempre foi o que não circula.

O que se divulga, ficamos sabendo em 1 dia. Até na fofoca do cafezinho as pessoas comentam. Mas entender o que não é falado e porque não é falado, daí leva 1 vida

Além dos vícios da má-qualidade da informação (erros primários, sub-informação, desinformação), tem me chamado atenção a relação da informação circulante com a “onda negativa” que domina o jornalismo. Por que prevalecer a ideologia “notícia ruim aumenta as vendas”? Ou este dogma já é idéia-fixa da imprensa? Talvez seja preciso reinventar o dogma (ou a imprensa)!

Há uma sociedade doente. A sociopatia do pessimismo. E a cidadania, como é que fica? Se eu fosse jornalista o que, não é o caso, me contentaria em só informar? Sem questionar, sem ter opinião? OK, notícia é notícia…Opinião é opinião… Concordo. Tem que ser assim mesmo. Pelo menos tem que se esforçar para deixar claro o que é uma coisa e outra.

Mas, e o problema da informação que não circula? Faltam notícias ou faltam opiniões? O problema é do jornalista, do chefe do jornalista, do chefe do chefe ou da autoridade, que não falou tudo? E se eu disser que o problema é do “sistema”, daqueles que não criticam o que escreve e daqueles que aceitam tudo que lêem, estaria eu exagerando?

Pois é! Não quero responder justamente para que as pessoas pensem :-)

Artigo Observat?rio de ImprensaQuem leu até aqui, um presente! Clique na figura ao lado. Vocè é conservador? Então a leitura será mais *pesada* que meu post…

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Cientista Brasileiro dá Lição de Vida

Miguel Nicolelis

Miguel Nicolelis (em inglês) é um neurocientista brasileiro, com laboratório instalado na Universidade de Duke, Carolina do Norte, EUA. Reconhecido como um dos 20 pesquisadores mais importantes em atividade no mundo pela revista Scientific American, tornou-se o homem por trás do Instituto Internacional de Neurociências de Natal (IINN) e já recebeu várias doações e investimentos para o projeto, tanto do setor público como particular.

Trata-se não só de instalar no Brasil pólos de excelência na pesquisa científica, integrados ao circuito mundial, mas também, como afirma o cientista, um modelo de projeto para uma “revolução social” (ao todo estão previstos 12 pólos, o de Natal é o piloto).

O “sonho” de Nicolelis é o conhecimento científico promovendo transformação social direta. Centros de pesquisa em regiões pobres do Brasil, fora do eixo Rio - São Paulo, e um projeto ousado, como ele define, oferecendo em paralelo a inserção cidadã, integrando a comunidade com educação, saúde, oficinas, etc, e com potencial para promover o upgrade na matriz econômica local.

Miguel NicolelisNicolelis afirmou recentemente, com a credencial de quem conversa com cientistas do mundo todo, em viagens e eventos, que o hemisfério sul vai assumir a liderança na geopolítica energética mundial, pelo biodisel, a cana de açúcar e a matriz verde. O Brasil é o país da Revolução Energética, diz ele.

Mais sobre Miguel Nicolelis?
- Entrevista para a Revista Carta Capital (17.01.2007)
- Entrevista para a Revista Fapesp (Out.2005)
- Entrevista para o Jornal de Ciência (06.12.2004)
- Blog do Nicolelis: neurolog.globolog.com.br

dicaClique para baixar o vídeo da entrevista de Nicolelis ao programa Almanaque, da Rede Globo (65 Mb) (em português), diretamente de seu laboratório em Duke :-)

A Saga dos Probloggers

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Esse texto foi complementado posteriormente por Ética e Blogs - Teoria e Prática.

Fiz uma pesquisa informal (*) por alguns Blogs neste início de ano. Segue algumas situações que encontrei, algumas até engraçadas.

1. Probanners. É o pessoal que ajuda os probloggers. Um não vive sem o outro. Dão cliques nos banners dos Blog que eles lêem e isto ajuda o problogger a ganhar dinheiro. Até aí tudo bem. Um ajuda o outro. O que é questionável é a eficácia deste tipo de publicidade para o anunciante…

2. Link Brother. A comunidade de blogs (blogging comunities) tem muito que avançar para ser uma voz coletiva, que pode ser um grande experimento social de renovação cultural se baseado na formação de uma cidadania ativa, em comunidades por afinidade. Com o Link Brother, a linkania (ato espontâneo) vira clicania (ato premeditado).

3. Memeplexo. Memes são pacotes informacionais que agregam valor cultural, transmitidos entre pessoas e grupos. A blogosfera tem seus memes, muitos positivos, como no caso das campanhas pró “inclusão digital”. Só que, quando por algum motivo, o fator de interesse faz baixar o criticismo, então a proliferação de memes vira uma nova “religião”, criando fiéis bloggiotas. Mais sobre memes aqui.

4. Monetarização Artificial. Li muitos posts com manchete (head-lines) e palavras da moda que não são relacionados ao assunto do seu Blog, só para atrair público novo - o paraquedista na gíria do blogging, na expectativa de receber mais cliques na publicidade. E o novato que se ’exploda’ depois do clique?

5. Palavras-tabu. Já li variantes dessa estratégia, onde se incrementa os posts com palavras ligadas a “sexo”, que atraem público das ferramentas de busca. O que é uma excelente idéia quando existe a maturidade da parte de quem escreve…

6. Sedução descarada. Outra variante é a moça - blogging profissional, que coloca aquela foto produzida, sem nenhum pudor, babando no leitor por um clique. Ou os garotos que usam as fotos de mulheres nuas, para atrair uns cliques. Os vários ‘experimentos’ que li demonstram que esta estratégia funciona…

7. Contravenção como publicidade. Existe uns e outros que colocam no site justamente o que tem restrição legal. E o que acontece? Mel que atrai muita abelha…

8. Videoblogs. Não no sentido de videoposts eventuais, mas no sentido de autoria. Videoposts são legais (cool), representam solução fácil para a falta de criatividade e chamam atenção mas, em matéria de autoria, o que conta mesmo é nosso ponto de vista. Tem lógica?

(*) situações catalogadas em janeiro/2007.

Quer mais sobre o assunto? Uma reflexão individual sobre ética em blogs (por ALEX CASTRO) e uma matéria publicada no Portal Terra que discute código de ética voluntário para blogging.

Comentários? Vá em frente…

Sobre Ética e Blogs - a Teoria e a Prática

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Esse texto é uma complementação de A Saga dos Probloggers.

Na teoria…

Os Direitos Individuais são reconhecidos em Lei. As democracias respeitam a autoexpressão e a liberdade de pensamento - direitos fundamentais, inalienáveis.

Além disso, sociedades democráticas definem o estatuto do Bem Público. Entendem-no como fruto de direitos coletivos. Então, cidadania, participação em uma cultura, acesso à informação e ao conhecimento, entre outros, são exemplos de direitos coletivos.

Na prática…

Passar da situação idealizada para a situação realizada exige amadurecimento cultural do povo, o que, digamos, no caso do Brasil, não é fácil. Toda lei (generalizando) é baseada em conceitos ideais para o objeto de que tratam, conceitos estes supostamente já amadurecidos, prevalecendo o bom senso (ok, nem sempre!), a justiça e os direitos humanos.

O problema, no caso dos Blogs, surge pelo ritmo das inovações tecnológicas, que atuam mais rápido que os legisladores. O Blogs nasceram nesta geração, mas os legisladores são de outra. Por isso, tanto desentendimento.

Sem falar das várias interpretações sobre direitos adquiridos, pois a nova geração tem o mantra do acesso irrestrito, que tende a desconhecer direitos e propriedades, a fim de estabelecer seu padrão cultural próprio.

Boa parte da ‘velha’ geração acostumou a viver um mundo de injustiças, apegada a valores sociais anacrônicos, parece não gostar de mudanças. A tecnofobia vira desculpa para não fazer nada e, se alguma coisa dá errado, a culpa é da cultura digital.

Parece piada! Minha inteligência exige respeito…

Tem muita gente dizendo que a exclusão não tem solução. Como se isso nada tivesse a ver com ética e práticas culturais superadas.

A palavra ‘limite’ poderia ser um importante balizador de ações, mas acaba sendo confundida com censura. É o caso da liberdade que, sem responsabilidade, vira “faca de dois legumes”, como diria a minha sobrinha engraçada.

Ou quando o nosso direito pode prejudicar o direito dos outros, nos casos de sobreposiçõo de direitos. Na blogosfera, tem gente que defende o direito a falar o que quiser, mas não gosta de ouvir o que não quer.

Mas, para o meme da nova cidadania avançar, é preciso apurar o trato com o universo do respeito ao ser humano. São essas coisas que precisam ser pensadas.

Um fato não muda: Blogs são os arquivos de memória de uma geração. Registrados para quem quiser ver. As pesquisas acadêmicas estão aí, buscando compreender como pensa e como se movimenta esta geração online.

Em dez anos, digamos, quando o patamar atual evoluir, vamos nos arrepender do que escrevemos? Vamos sair apagando as centenas de links, e pedindo ao mundo que nos esqueça? Ou vamos escrever o livro dessa geração, que viu a Internet nascer, e de como é bom aprender nos debates que através dela se pode participar?

Comentários? Vamos discutir, gente…

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